Perdigotos (Impróprio para menores de 18 anos)

Publicado em: 02/03/2005

Tempo de campanha política. Os microfones da Rádio Guarujá e da Diário da Manhã preparados para a grande pugna eleitoral. Pela Guarujá, Acy Cabral Teive e eu de locutores, comandados por Alcides Abreu, o mentor de todo o trabalho. Por Oscar Berendt, de algum ponto do espaço 

Na Diário, os irmãos Zigelli. PSD x UDN. Gravações feitas por Hélio K. Silva, em seus estúdios. A Guarujá regurgitava de políticos. Todos sob o comando de Aderbal Ramos da Silva, indiscutivelmente o cacique político da ilha.

Lembro-me  muito bem de um amigo,  advogado, que tinha como lema: não me meto contra duas coisas nesta terra: o imposto de renda e o Aderbal Ramos. E tinha plena razão. Na ocasião, o Doutor Deba, como era chamado, instalava-se nos escritórios da emissora. Era aquela romaria. Nunca vi tanto bordejo. Bordejos somente comparados quando aqui vinha Ademar de Barros, candidato à presidência da República, que apresentava uma fila indiana de pedintes. Por sinal, Ademar, grande demagogo, vinha sempre acompanhado de um séqüito de artistas de renomada nacional. E deitava na demagogia. Era uma festa.

Mas voltemos às nossas plagas. O doutor Deba manda instalar no auditório da Guarujá uma mesa, microfone e duas grandes cornetas, ou alto-falantes. Lá se instalou e começou a procissão. Lá pelas tantas, o Doutor já mostrando sinais de cansaço, recebe um negão, já meio bebaço: “Que queres?”. “Doutô, to precisando duns trocados pra modi cortá o pichaim”. “Tais  com cabelo mais curto que o meu”, disse o Dr Aderbal. “Mas dotô, é que eu tou doente”. O Doutor pediu, já meio nervoso, que o pinta falasse bem em cima do microfone. O sujeito não se fez de rogado. Botou o par de beiços em cima do dito cujo e sapecou: “É para operá as hemorróida, dotô”. Tais palavras chocaram, não só pelo volume do som, mas pela petulância do pedido.

A resposta veio célere: “Negão vagabundo, vá ter doença de cu noutro lugar”. Risada geral. O personagem se mandou. O Doutor encerrou o encontro e se mandou também.

(BERENDT, Oscar. Manja Tempo. Florianópolis: Editora Papa Livro,1992,  p. 24)

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