Pérolas do Rádio

Publicado em: 06/03/2006

Ao longo dos anos o rádio revelou grandes talentos criativos, mas também expôs ao ridículo muita gente sem preparo. O improviso é um recurso que facilita o trabalho do profissional de rádio e permite mais agilidade com a informação. No entanto, por conta da incontinência verbal de alguns locutores, jargões e frases absurdas são proferidas e cultivadas por muitos até hoje. Verdadeiras pérolas, que estão completamente integradas a este linguajar, no mínimo ultrapassado.

Dia destes, um repórter policial informou que a vítima de um acidente de trânsito morreu ao dar entrada no hospital. Quer dizer, o acidentado não morreu a caminho do hospital nem antes de receber atendimento médico. O infeliz morreu mesmo ao dar entrada no hospital. Talvez a lombada próxima ao portão tenha sido a causa da morte. Aliás, com referência à morte, é comum ouvir em rádio e TV que o fulano não corre mais risco de vida. O correto é risco de morte, ou seja, risco de morrer. Outro jargão redigido nas antigas notas de falecimento é chamar cemitério onde o morto será enterrado, como “última morada”.

Diariamente ouvimos repórteres e apresentadores de programas policiais usando linguagem policialesca que só dificulta o entendimento do ouvinte. Quer dizer, bandido é chamado de meliante e delegado recebe o tratamento de doutor. Quem lida com o esporte faz a mesma coisa quando entrevista técnico de futebol chamando-o de professor. Anúncios sobre “desaparecimento” de animais também são engraçados. Cães e gatos não desaparecem nem somem sob efeito de magia. Eles se perdem, são roubados ou fogem. Então a nota fica completa se o título anunciar: “cão perdido”.

Mas, inaceitável mesmo é o tal de gillette press: o comunicador de rádio faz uma rápida leitura do jornal do dia, recorta as notícias que julga mais interessantes e lê na íntegra para os ouvintes sem dar o crédito para o jornal, como se ele fosse o redator. Esse procedimento é apropriação indébita. É crime e dá cadeia. Além disso, a linguagem do rádio tem características próprias e é diferente do jornal. Por exemplo: no jornal se escreve “as pessoas abaixo relacionadas devem comparecer…”. Quando ouço esta mesma frase pronunciada no rádio, imagino as pessoas olhando embaixo do aparelho. No rádio fica melhor assim: “as pessoas que passaremos a divulgar, devem comparecer…”


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1 responder
  1. genilson says:

    Interessante suas observações , acho que você deve ser muito perfeito no que faz ou um daqueles piolhos de Rádio que tinha vontade de trabalhar em alguma emissora e não conseguiu e ai ficou frustrado.
    vc sabe que todo crítico é um profissional que não deu certo .
    sucesso pra você senhor das comunicações.

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