Perplexidades: Petrobras, Guevara, os universitários, Maluf e Cavendish

Publicado em: 20/06/2012

selo-apontamentosO amansa-burro do professor Aurélio diz que perplexo é o sujeito espantado, admirado, atônito. Andamos assim. Nada surpreendente para quem vive num país onde, não raro, a ficção assume no cotidiano as dimensões de realidade esquizofrênica. Nestes tempos em que tudo fica registrado, pois nada escapa ao olho atento do cidadão, as perplexidades que nascem dos fatos vão minando nossos sonhos, solapam nossas pequenas ilusões, nos fazem mais frios, mais céticos. E isso até pode ser bom, pois é saudável saber com que estamos tratando. Vejam o caso da Petrobras, por exemplo. Em plena Ri0+20 comunica ao mundo vidrado em desenvolvimento sustentável um plano que aumenta os investimentos em combustível fóssil (petróleo e gás) e reduz a grana para o setor de biocombustíveis (etanol e biodiesel). Por qual motivo a presidente da Petrobrás coloca uma saia justa dessas na sua amicíssima presidente Dilma?

E o caso, também, do jovem participante da Rio+20 que falou em debate democrático, respeito à diversidade vestindo camiseta com a célebre foto de Che Guevara. Quer dizer, jovem é outro papo, mas ele, com certeza, no tempo do famoso guerrilheiro seria enviado para um centro de reeducação no distante local no interior do País, bem como ainda fazem hoje na Coréia do Norte, se falasse em diversidade e democracia.

E o que dizer do papelão de nossos universitários de Passo Fundo e São Paulo? Bem, no mínimo afirmar que eles acabam colocando dúvidas sobre a máxima de que a educação é a chave do nosso futuro. Em Passo Fundo, três futuros dentistas, fazem farra grossa destruindo um telefone público em cena de vandalismo por demais deprimente. Além de mal criados mostraram-se bobões, pois a estripulia foi feita sob o “olhar” frio da câmera de segurança (George Orwell, tinha razão: o Grande Irmão tudo observa). Em São Paulo, os meninos que pedem melhores condições de ensino em universidade federal foram ao quebra-quebra para exprimir os desencantos.

Espetacular, ainda, é a disputa acirrada entre o PT de Fernando Haddad e PSDB de José Serra (que concorrem a prefeito de São Paulo) pelo apoio de Paulo Maluf. Tido como gênio do mal, execrado por todos os ângulos, Maluf (irmão siamês de Sarney do PMDB em matéria de malandragem) se tornou pedra preciosa por causa de seu domínio no PP paulistano, o que significa dar mais tempo de TV ao candidato que ele apoiar. E a vice de Haddad, Luiza Erundina diz que a eleição “será uma luta de classes” e que (com apoio de Maluf) defendeu a implantação do socialismo no Brasil. Haja sais…

Sobre essas tratativas do PT e do PSDB em busca do apoio do PP Paulo Maluf foi tão claro que explicitou o caos da nossa estrutura partidária: “Tenho conversas com todo mundo, todas muito elegantes. Não há mais esquerda ou direita, o que há são segundos na televisão”. Queremos seriedade na política com 30 partidos políticos negociando noite e dia? Já no Congresso Nacional, senadores e deputados se articulam para blindar o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, impedindo sua ida à CPMI do Cachoeira.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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