Pintarolas Televisivas

Publicado em: 18/01/2009

O célebre jornalista Robert Fisk é considerado uma sumidade independente no tema Médio Oriente. Não percebo. Só se for porque trabalha num jornal chamado ‘Independent’.  (*)

Pois nunca li uma linha dele que não tratasse os árabes em geral, e os palestinianos em particular, como uns querubins – e Israel como Belzebu. Esta semana debateu Gaza na BBC, com colegas do ‘Jerusalem Post’ e da Al-Jazeera. Perorou, de dedo em riste, que “os jornalistas devem estar do lado dos que sofrem”. Ambos os colegas fizeram dele gato-sapato. O sofrimento está dos dois lados da barricada – mas Fisk usa uma pala num dos olhos. Enfim, como disse um dia Golda Meir: “Prefiro receber protestos do que condolências.”

Ciclicamente, os telejornalistas lusos incorporam termos sem pés nem cabeça e significado nulo. E o contágio é digno do vírus Ébola. Casos recentes, repetidos ad nauseam: “de certa forma” (dá para tudo), “de resto” (não serve para nada, salvo para encher chouriço), “efectivamente” (idem), “curiosamente” (onde não há nada de curioso). Novinho em folha, mas que já alastrou como uma pandemia, é o tal do “mesmo”. Exemplo: “Fulano pode MESMO vir a perder…” Qual a diferença semântica para “Fulano pode vir a perder?” Nenhuma, a não ser a incompetência dos frasistas.

A TV Cabo reconfigurou a Power Box. A informação exposta no rodapé piorou no grafismo, na funcionalidade e na objectividade. Mais grave, tornou-se impossível mudar de canal carregando na tecla do +. Se estamos, digamos, no 123 e queremos ver o seguinte, somos obrigados a digitar 124. Uma maçada. Parece que a razão é desarmar a pirataria. A mim, parece-me mudar de cavalo para burro – aliás, para asno.

Arranca depois de amanhã, nos EUA, a quinta e penúltima temporada de ‘Lost’. A série é por vezes fascinante, mas faz jus ao título, pois, depois de tantas reviravoltas, não deve existir um único terráqueo que saiba em que pé aquilo anda.

Pesquisa divulgada ontem nos EUA mostra que, quanto mais jovem o espectador menos tempo passa diante da TV. Segundo ela, a audiência entre 14 e 25 anos assiste à televisão 10,5 horas/semana, em média. Já o público entre os 26 e os 42, dedica 15,1 horas semanais à TV. O número sobe para 19,2 horas na faixa dos 43 a 61 anos e chega a 21,5 horas/semana entre os 62 e 75 anos. Mostra ainda que, até quando se trata de ver séries televisivas, os jovens preferem vê-las no computador. Porém, a TV ainda se mantém no topo da relação dos media publicitários mais influentes – seguida por revistas, net, jornais impressos, rádio e outdoors.

(*) Paulo Nogueira, Crítico de Televisão. Diário de Notícias, Lisboa, PT

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