Por amor à vida: Érico Veríssimo 100 anos

Artigo publicado em: 16/12/2010

Aqui estão reunidos dois documentos sobre a vida e obra de Érico Veríssimo. O texto que você poderá ler foi produzido por iniciativa do governo do Rio Grande do Sul por ocasião das comemorações do Centenário do escritor e o áudio faz parte do acervo do radialista Flávio Alacaraz Gomes cedido ao Instituto Caros Ouvintes pelo pesquisador Ivan Dorneles Rodrigues. Este, como todo o conteúdo integrante deste site está livre para publicação sem fins comerciais desde que citadas fontes.

O escritor brasileiro Erico Verissimo nasce em Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905, filho do farmacêutico Sebastião Verissimo e da dona-de-casa Abegahy Lopes Verissimo, ambos de tradicionais famílias gaúchas.

Os planos do pai para o filho Erico eram para que fosse estudar na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Mas quando chega aos 18 anos, a situação financeira da família é grave.

Dona Abegahy começa a trabalhar, costurando para fora, e o jovem Erico vai para Porto Alegre estudar no Colégio Cruzeiro do Sul. Quando retorna a Cruz Alta, começa a trabalhar num armazém. Depois em um banco, onde consegue guardar uma quantia razoável para tornar-se sócio de uma farmácia. O empreendimento fracassa, mas Erico conhece Mafalda Halfen Volpi, a moça que morava em frente à farmácia.

Como a farmácia não ia bem, monta nos fundos uma escola de inglês, que se torna ponto de encontro de estudantes e pensadores da época. Assim, Erico pôde ter mais contato com as coisas que lhe davam prazer: a literatura e a arte. Em Porto Alegre, procura sempre um grupo de amigos da revista Madrugada. São eles que conseguem a publicação de seus contos e desenhos nas páginas dos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias.

Em 1930, muda-se para Porto Alegre e passa a conviver com escritores renomados. No final do ano, é contratado para ocupar o cargo de secretário de redação da Revista do Globo e, no dia 15 de julho de 1931, casa-se com Mafalda.

Em 1932, reúne seus contos e publica sua primeira obra: “Fantoches”. Um ano depois, é a vez do romance “Clarissa”, muito bem recebido pela crítica. Em 1935, ano do nascimento de sua primeira filha, Clarissa, lança “Caminhos Cruzados”. A consagração da obra vem com o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, tira primeiro lugar no Grande Prêmio de Romance Machado de Assis, da Companhia Editora Nacional para obras inéditas, com o título “Música ao Longe” e publica a biografia “A Vida de Joana D’Arc”. Em 1936, o nascimento de seu filho Luis Fernando coincide com o lançamento de seu primeiro livro infantil, “As Aventuras do Avião Vermelho”, e de “Um Lugar ao Sol”, um retrato dos duros tempos de Cruz Alta. Cria também um programa de auditório para crianças na Rádio Farroupilha, “Clube dos Três Porquinhos”.

“Aventuras de Tibicuera”, livro infantil que lhe garante o prêmio do Ministério da Educação, sai em 1937. “Olhai os Lírios do Campo”, um de seus maiores sucessos, é publicado em 1938 e atinge a tiragem de 62 mil exemplares. O próximo livro é “Saga”, que proporciona ao escritor sua primeira noite de autógrafos.

Em 1941, Erico passa três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado, e profere conferências em várias cidades americanas. Suas impressões sobre o país estão em “Gato Preto em Campo de Neve”. No ano seguinte, a obra “O Resto é Silêncio” sofre duras críticas do clero. A discordância com a ditadura Vargas faz o escritor aceitar o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e muda-se com toda a família para Berkeley.

Logo recebe o título de Doutor Honoris Causa do Mills College, de Oakland e seus romances “Caminhos Cruzados”, “O Resto é Silêncio” e “Olhai os Lírios do Campo” são editados nos Estados Unidos. Mais tarde suas obras são traduzidas para francês, alemão, espanhol, finlandês, holandês, húngaro, indonésio, italiano, japonês, norueguês, polonês, romeno, russo, sueco e tcheco, o que fez de Erico Verissimo um dos escritores brasileiros mais lidos no mundo. No retorno ao Brasil, lança “A Volta do Gato Preto”, um livro de observações sobre a vida americana.
“O Tempo e o Vento”, a obra que tanto sonhara, começa a ser escrita em 1947 e se transforma na trilogia apontada pela crítica como seu maior sucesso. Erico escreveu durante 15 anos a saga das famílias Terra e Cambará entre os anos de 1745 e 1945 sob três títulos: “O Continente”, “O Retrato” – escrito em 1950 – e “O Arquipélago”.

Em 1953, a família Verissimo retorna aos Estados Unidos e Erico assume, em Washington, a direção do Departamento de Assuntos Culturais da União Panamericana, na Secretaria da Organização dos Estados Americanos. Quando sua filha Clarissa casa-se, em 1956, com o americano David Jaffe, a família retorna ao Brasil. Mas em seguida parte para conhecer o México, o que resulta em uma obra de impressões sobre o país.

Com a mulher Mafalda e o filho Luis Fernando, Erico viaja, em 1959, para a Europa, onde faz palestras em Portugal nas quais defende a democracia, o que provoca choque com a ditadura salazarista. Este momento resulta em outro livro, “O Ataque”. Nele estão reunidos três contos – “Sonata”, “Esquilos de Outono” e “A Ponte” – e um trecho inédito de “O Arquipélago”. Ele faz parte da coleção Catavento, da Editora Globo. No retorno ao Brasil, passam uma temporada com a filha em Washington, onde nascem seus três primeiros netos – Michael, Paul e Edward – entre 1958 e 1962.

Em 1961, quando escrevia a última parte da trilogia “O Tempo e o Vento”, Erico sofre o primeiro infarto. Durante o período de recuperação, de quase um ano, faz as correções finais de “O Arquipélago”. Em 1963 morre sua mãe, Abegahy. O golpe militar de 1964 inspira “O Senhor Embaixador”, lançado em 1965 no Rio de Janeiro, onde Luis Fernando e Lúcia Helena Massa haviam se casado, um ano antes. Dessa união nascem Fernanda, Mariana e Pedro.

O escritor ganha o Prêmio Jabuti, na categoria romance, da Câmara Brasileira do Livro por “Senhor Embaixador” e visita Israel, que rende mais um diário de viagem. “O Prisioneiro” é lançado em 1967 e a Editora José Aguilar, do Rio de Janeiro, publica sua obra em cinco volumes, dos quais faz parte uma autobiografia com o título “O Escritor Diante do Espelho”. Em 1968, é agraciado com o título de Intelectual do Ano, que lhe dá o troféu Juca Pato, em concurso promovido pela União Brasileira de Escritores. Em 1971, publica “Incidente em Antares”.

Os dois anos seguintes trouxeram mais condecorações: o Prêmio do Pen Club (Personalidade Literária do Ano) e o Prêmio Literário da Fundação Moinhos Santista, para o conjunto da obra. Em 1973, são editados o primeiro volume de suas memórias sob o título “Solo de Clarineta”, e “O Contador de Histórias”, uma homenagem aos 40 anos de atividade do escritor, reunindo depoimentos dos principais críticos brasileiros sobre Erico. Em 28 de novembro de 1975, não sobrevive a mais um infarto e deixa inacabado “Solo de Clarineta”, que faria parte de mais uma trilogia. Várias de suas obras são adaptadas para a televisão e o cinema, com maior destaque para “O Tempo e o Vento”.

O texto usado neste capítulo pertence à Página comemorativa do Centenário de Erico Verissimo, publicada pelo Governo do Rio Grande do Sul.

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