Por que Luiz Carlos Prates saiu do SBT também?

Publicado em: 16/04/2015

Luiz Carlos Prates, pelos anos 70, fazia parte de uma ótima equipe esportiva da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, líder de audiência. Era narrador, preciso na descrição das jogadas, repetindo “gol” várias vezes. De vez em quando, cortava a narração e dava uma avaliada no jogo.

luizcarlosprates

Nem sempre coincidia com a opinião neutra do comentarista, ainda mais porque ele não escondia a simpatia pelo Internacional. A torcida do Grêmio não gostava. No Sul, ou é azul ou vermelho.

Na Copa da Argentina, fomos companheiros de trabalho pela primeira vez. Sempre amável e sorridente, no estúdio e a redação nos boxes do centro de rádio e TV, da Argentina Televisora Color, na avenida Figueroa y Alcorta.

Quando terminava o turno, Prates colocava uma bolsa no ombro, e perguntava sorrindo:

– Estou liberado?

Foi rotina por um mês. Diziam os colegas que todo o dia ele caminha toda a calle Florida ida e volta, vendo as vitrines.

Na RBS TV, em Santa Catarina, há 27 anos, Prates já participava do Jornal do Almoço. Aos poucos foi consolidando um lugar, até ser um comentarista que falava tudo o que podia pelo manual, e mais um pouco, em uns dois minutos ou menos no encerramento. Quase sempre dedo em riste e pancadas na mesa.

Quando começou a CBN Diário, há 19 anos, a grade previa um longo programa de manhã e outro à tarde. A ideia de entregar-lhe o Notícias na Tarde foi quase instantânea.

Na reunião de acerto a pergunta final dele foi:

– É pra sacudir o dial?

Naquele começo a audiência era próxima de zero. O produto começava a se desenvolver e não havia comerciais para preencher os intervalos. Mal Prates à tarde, e Mário Motta de manhã, chamavam o breake, e já tinham que voltar ao microfone. Não dava nem tempo de buscar outro entrevistado. A solução de momento foi pegar todos os comerciais das FMs e colocar na CBN, de graça, para dar um tempo de preparação.

Prates, então, podia fazer grandes comentários. As vezes era “pautado” por algum colega ou, em geral, recortava temas provocantes dos jornais e guardava no bolso. E polemizava sobre eles, com os recortes na mesa.

Com o crescimento da audiência da rádio somado a da TV, os temas levantados por Prates iriam provocar enorme repercussão. Elogios e queixas. De azuis ou vermelhos. Cada vez de mais longe. O YouTube o levava mais s de 1 milhão de pessoas, ampliando o tambor.

Fora do microfone, muitas conversas, com testemunha. O ponto defendido era que ele podia falar sobre tudo, mas de um jeito que não provocasse a ira das pessoas. Ou seja, que não se sentissem ofendidas por opiniões radicais.

Prates reconhecia que exagerava e iria se cuidar. Mas. No outro dia, na hora a em que o microfone abria, era como se um outra pessoa tomasse conta dele.

Fora psicólogo, grande orador e uma pessoa gentil. No ar, estremecimento de relações, tensões diárias e sem volta para o que foi dito.

Um exemplo de comentário dele na RBS TV. (Assista aqui)

Prates saiu.

E foi para o SBT ser ele mesmo. Uma grande atração, o mesmo polêmico. O mesmo azul ou vermelho. (Veja comentário dele no SBT). Segundo o vice-presidente do SBT, Carlos Amaral, o casamento com Prates foi desfeito amigavelmente devido a pequenas questões operacionais. Em e-mail que enviou para a Making Of, o comentarista disse que não aceitou a proposta de gravar seus comentários, porque isso iria acabar em censura.

E se foi, provavelmente deixará de morar em Florianópolis, pois há tempos conversa com a Rede TV. Saiu do ar por aqui o homem sem meios termos, com quem me encontrei em eventos nos últimos três anos. Relembramos nossas conversas memoráveis.

Não somos amigos. Jornalista dificilmente tem amigos no meio, só colegas. Continuaremos assim… Mesmo que nos próximos dias ele siga vivendo em Florianópolis, ou mais longe do Sul da Ilha, continuará perto pela internet, onde saberemos se sua cor preferida ainda é o vermelho.

Em tempo. Mensagem para o Prates: na minha opinião tudo é AZUL.

 

[ Claiton Selistre, Portal MakingOf, 15/04/2015 ]

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