Por que me dói a morte anunciada da PRB2

Publicado em: 16/12/2007

Embora nascido no distrito de Itapevi no interior do município de Rosário do Sul (RS), iniciei minha carreira profissional no rádio do Paraná. Comecei na vizinha cidade de Rio Negro, mas com os olhos e o coração na PRB2, a gloriosa Rádio Clube Paranaense.
Por Antunes Severo

Fiz meu estágio probatório ao microfone da ZYG-9 Rádio Rio Negro, onde estreei no final do ano de 1953 fazendo locução comercial. Evoluí produzindo e apresentando programas musicais de estúdio. Fiz as primeiras transmissões externas da emissora juntamente com o locutor-chefe Sansores França. Puxamos centenas de metros de cabo de linha telefônica para transmitir uma partida de futebol amador das equipes do Mafra e do Rio Negro, lá do outro lado do rio, em terras catarinenses.
O gramado, pois estádio não havia, mal tinha a sinalização regulamentar. Em torno das quatro linhas, como se dizia na época, nada: nem um caixote pra sentar. Então, foi sentado no chão ao lado de uns dez torcedores que nos olhavam com visível cara de dúvida sobre a qualidade de nosso trabalho, que iniciamos a transmissão. Enfim, lavramos nosso tento histórico e hoje posso estar contando isso aqui.
Outra aventura pioneira foi a transmissão de uma tradicional prova de ciclismo realizada anualmente em Rio Negro. Os recursos da época só nos permitiram instalar um posto de transmissão na marquise do Cine Central (ou era Rio Negro?) que ficava no outro lado da praça em relação aos estúdios da emissora. Ali, tínhamos energia elétrica e linha telefônica para ligar a maleta de amplificação de linha. Naquele ponto estratégico poderíamos narrar a largada e a chegada pelo menos, mas nós queríamos mais.
A estratégia foi conseguir um grupo de jovens colaboradores que com suas bicicletas acompanhavam partes do percurso e se mandavam para o nosso posto de transmissão de onde a narrávamos o desenvolvimento da prova.
Em meados de 1954, já mais seguro e confiante me lancei ao desafio de trabalhar em Curitiba. Por ter conhecido o Sech Júnior, esperimentado e reconhecido locutor consegui uma vaga na Rádio Marumby, aonde ele trabalhava. Na emissora do Bilu Macedo, como era conhecido o diretor, recomecei a carreira partindo da posição de locutor comercial e daí avançando para locutor apresentador de programas de estúdio e de auditório, repórter e noticiarista.
O resultado de quase um ano de escola na Marumby, me levou ao pedestal mais alto do sonho que de há muito acalentava. Em 1955 fui convidado a trabalhar na Rádio Clube Paranaense integrando a equipe de locutores noticiaristas, narradores de radionovelas e animadores de programas de auditório. Em um ano fui consagrado com os títulos de Melhor Animador do ano da PRB-2 e Melhor Animador do Rádio do Paraná do ano de 1956.
Então, hoje quando vejo o que está acontecendo com esse patrimônio do rádio brasileiro que sufoca sob os grilhões da incúria e da incompetência de uma organização religiosa, sinceramente me dói, me dói muito, pressentir a morte anunciada dessa incomparável riqueza de nossa radiofonia.
 


{moscomment}

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *