Por trás dos balcões

Publicado em: 18/03/2016

Outro dia fui comer um lanche, e após ter feito o pedido, a funcionária pediu para que eu aguardasse ao lado, e enquanto esperava, observei uma pessoa se aproximando para também fazer seu pedido.

rosto1O homem veio com a cabeça erguida, olhando fixamente para a plaquinha com as sugestões de lanches. Foi então que a funcionária deu um bom dia, porém não recebeu resposta alguma. O simples cumprimento havia se dispersado no meio do caminho? Só pode ter sido, afinal é inacreditável que alguém receba um bom dia e não responda absolutamente nada.

O pior é que o cliente não fez nem contato visual, foi como se a jovem atrás do balcão fosse totalmente invisível. O homem ficou quase um minuto encarando a plaquinha com sugestões de lanches, e só depois olhou para a funcionária. E então você deve imaginar que nesse momento o cliente finalmente a cumprimentou, não é mesmo? Desculpe-me decepcioná-lo, mas não houve qualquer atitude esperada por um ser humano vindo daquele cliente. Ele simplesmente fez o seu pedido, tratando a funcionária como se fosse um robô.

E ao observar aquilo tudo, me lembrei dos tempos em que trabalhei em minimercado, dos meus 17 anos de idade até os 23. Quantas pessoas não passaram por mim sem me enxergarem? Inúmeras, elas só passavam lá e compravam o que queriam, sem cumprimentar e nem ao menos dizer um obrigado. E no começo eu me perguntava se aquilo era real, não era possível que os clientes recebessem um cumprimento e não respondessem absolutamente nada.

Mas então o tempo vai passando, e conforme o acréscimo de anos atrás dos balcões, você vai se acostumando com a frieza das pessoas, ou melhor, com a falta total de educação. E pra ser sincero, preciso confessar que muitas vezes a vontade de perguntar se eu era invisível era grande, mas é claro que nunca falei nada, tudo para manter o emprego. Simplesmente engolia seco e interpretava o robô que o cliente esperava que eu fosse.

E depois de todo esse flashback, foi impossível não me colocar no mesmo lugar da funcionária. Passou pela minha cabeça em chamar a atenção do homem, ou talvez responder para ela o bom dia que ele não deu. Refletindo melhor, percebi que essas atitudes talvez provocassem algum problema para jovem, então me resignei ao silêncio. Mas é claro que não podia simplesmente deixar aquilo de lado e busquei em meu passado o que gostaria de ter ouvido enquanto balconista.

Quando a jovem me entregou o lanche, olhei no fundo de seus olhos e pedi desculpas pela atitude daquele ‘homem’. Ela abriu um sorriso timidamente e disse que já estava acostumada, que muitos eram assim e algumas vezes acontecia coisa pior. Eu disse a ela que sabia perfeitamente do que falava e acrescentei que todos que já estiveram atrás do balcão dividiam as mesmas histórias. Dessa vez ela riu com vontade e acrescentou: – Pois é.

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