PRB-2: Divertir educando e educar divertindo

Publicado em: 22/01/2012

Memórias | Capítulo 12 | Pela terceira vez – Parte 4

A radiofonia me fascina desde a infância. Eu acredito no Rádio e no seu extraordinário poder. Inquirido por meu amigo Paulo Branco, radialista veterano e grande batalhador, sobre o futuro do Rádio, eu dei a minha opinião: – Apesar da ação nefasta de alguns radiodifusores, estou certo de que o Rádio sobreviverá. Em tempo hão de compreender que ao Rádio são imperiosas as características locais nas notícias, nas informações, na linguagem, nas gírias, no sotaque, no gosto popular. Quando isso acontecer, e em algumas emissoras está acontecendo, a audiência aumentará e o apoio comercial será mais expressivo.

O Rádio é um poderoso veículo de comunicação, instrui e diverte, faz opinião pública, cria o interesse pelas compras incentivando as vendas de bens e produtos, é uma apreciada companhia de todas as horas e em todos os locais.

O Rádio é como um tipo especial de mutante, adapta-se às evoluções técnicas e se transforma sem perder, no entanto, as suas características primordiais.

Eu acredito no Rádio e sei que há radialistas talentosos que preservam a sua finalidade de educar divertindo e divertir educando. Eles nos dão a segurança da continuidade.

Paulo Branco publicou a minha opinião no seu blog www.paulobranco.com. Na verdade o Rádio diverte, educa, informa, esclarece, orienta, faz opinião pública. Por isso, nele não se podem abrigar os ineptos ou mal intencionados.

Antigamente, já no início da carreira, aprendíamos o lema que resumia a finalidade precípua do Rádio e que deveria ser seguido por aqueles que aspiravam ser bons radialistas: Divertir educando, educar divertindo.

Continuo acreditando que assim deve ser e batalho por isso.

A propósito, em abril de 2009 publiquei no meu site www.ulustosa.com  um artigo sobre a situação de nossa radiofonia que me parece oportuno transcrever aqui.

O que Acontece com o Rádio

O Rádio brasileiro passa por grandes dificuldades. A coisa vem acontecendo faz tempo e se avoluma cada vez mais. Além da enxurrada de concessões feita por diversos governos, há outros problemas a considerar.

Primeiro, alguns radiodifusores deixaram sucatar os transmissores de Ondas Curtas. De repente começaram a se desfazer deles. Os tradicionais ouvintes dessa faixa ficaram a ver navios.

Depois, deixaram que deteriorassem os transmissores de Ondas Médias, e passaram a arrendá-los ou vendê-los para empresas que modificaram estruturalmente as programações das emissoras. E aqueles fiéis ouvintes das Ondas Médias foram desrespeitados.

Tudo isso baseado na falsa premissa de que não há mais ouvintes para esse tipo de transmissão; os ouvintes de agora preferem o rádio pela Internet, dizem eles.

Tolo engano. É imensurável o número de ouvintes das Ondas Médias, gente que gosta até do seu som característico (os dexistas que o digam) e lá nos cafundós do interior brasileiro há muita gente lamentando o desaparecimento de certas emissoras de Ondas Curtas. Sintonizando-as tinham diversão e ficavam informados sobre o que acontecia no Brasil e no mundo. Gente humilde, não tem contato com os computadores. Mas ouve rádio.

(Engraçado, se não há mais ouvintes por que alguém as arrenda ou compra?)

Nessa leva de novos radiodifusores vieram muitos sem qualquer afinidade com o meio radiofônico e comprometidos apenas com interesses políticos ou religiosos.

Nada contra suas preferências políticas ou crenças religiosas. Nada contra terem emissoras de rádio desde que não desfigurassem as características primordiais à boa radiofonia e que não entregassem as emissoras nas mãos de ineptos em substituição aos profissionais autênticos e competentes.

Ao mesmo tempo em que isso vem acontecendo, o mercado de trabalho vai escasseando e muitos profissionais perderam seus empregos.  A radiofonia foi invadida por muita gente totalmente destituída de requisitos essenciais à atividade radiofônica: a sensibilidade e o talento. Nem todos servem para essa profissão.

Essa degringolada causada por esses novos e improvisados radiodifusores e radialistas, ocasiona uma série de inconveniências. As emissoras perdem a sua identidade, deixam de dar atenção preferencial à cidade em que se encontram, ao Estado a que pertencem. Sua finalidade é desvirtuada. Gera-se desemprego para os verdadeiros profissionais do ramo.

Ao obter a concessão para se instalar uma emissora de rádio, assumem-se compromissos explícitos junto ao poder concedente, e implícitos com a população da cidade/estado onde a emissora é instalada. Por isso, se for legal não é correto esse “aluguel” de prefixos que vem ocorrendo, por ser contrário aos interesses das populações locais que na emissora de sua cidade passam a ouvir notícias e assuntos que não são do seu interesse, mas de interesse dos que moram em outras cidades/estados. É, no mínimo, uma desconsideração que o velho Dentel não permitia. Não sei agora.

E para aqueles que acham que os ouvintes estão sumindo, um pequeno lembrete:

Para cativar a preferência popular a emissora precisa de um som aceitável, o que se obtém com bom equipamento e um técnico competente.

Em seguida, é imprescindível uma boa programação, o que só é possível com profissionais do ramo, talentosos, sensíveis, capazes de captar o gosto popular na região em que atuam.

Como manter isso? Com bons contatos (corretores) integrando um departamento comercial eficiente.

E para cumprir a finalidade da radiofonia, basta seguir o velho lema do Rádio: Divertir educando e educar divertindo.

Quem se acha incapaz de fazer isso não deve entrar nesse ramo.

Ubiratan Lustosa. O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua história. Curitiba, 2009. Instituto Memória Editora e Projetos Culturais. 41 – 3252 3661. www.instituto memoria.com.br

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