Predestinado 3

Publicado em: 27/04/2008

Na matéria anterior fiquei devendo o nome do chefe dos locutores da Rádio Tingüi. Quebrei a cabeça e acabei me lembrando do Rubens Chagas. Também prometi contar a história do Homero Camargo de Oliveira.
Por Altair Carlos Pimpão

O Homero me contou que foi integrante do Bando da Lua, do Aloysio Azevedo, que se apresentava nos Estados Unidos com a famosa Pequena Notável, a Carmem Miranda. Não acreditei muito, mas pode ser verdade. Peitudo ele era.
O Homero era o diretor da Rádio Tingüi e fez-me redator dos textos da emissora e responsável pelas trocas dos comerciais, quando necessário. Um dia o Homero tirou férias e o proprietário do Lord Magazine resolveu ir pagar a sua publicidade diretamente na emissora.
O diretor da Clube Paranaense que ficou acumulando funções disse que ele não tinha propaganda na Tingüi. O homem insistiu e chamaram-me para saber. Confirmei que Lord Magazine tinha 20 comerciais diários na nossa emissora. Resultado: quando o Homero voltou foi despedido. Havia faturamento paralelo. Não sei se era o único caso ou se havia outros.
Não demorou muito e o Homero ligou-me para fazer uma proposta: fazer rádio no norte do Paraná. Rádio Cultura Norte do Paraná, situada em Ibiporã, a 12 quilômetros de Londrina. O espírito de cigano funcionou e lá fui eu comer pó vermelho.
Na época circulava mais dinheiro em Londrina do que no resto do Brasil. Havia gente que perdia 400 mil numa noite de poker e saía assobiando. No bairro boêmio a Casa da Selma, um lupanar que mudava o plantel quase que semanalmente e fazia o lançamento das novidades da gravadora RGE, se dava ao luxo de ter um enorme luminoso sobre o telhado anunciando o nome do prostíbulo.
Lá no norte do Paraná moramos na própria rádio, Homero Camargo de Oliveira, Nelson Tófano, João Hermes Oroschowski e eu. A emissora não tinha concessão e acabou sendo fechada. Foi bom porque lá iríamos nos tornar ébrios. O divertimento das autoridades, imprensa e povo da cidade era beber no bar da praça. Voltamos para Curitiba e o Homero foi dirigir a Rádio Cultura. Lá trabalhei com o Antônio Ivo Moscaleski e com o Gabriel Moacir Lustosa Nogueira, locutores como eu.
Não posso deixar de citar dois craques do futebol que também eram radialistas. Lobato Costa, o Lobatinho, e Ladislau Sliviani, o Boluca, que usava o pseudônimo de Sil Viani. O Boluca era meu amigão e quando ele jogava na preliminar eu abria a transmissão esportiva e segurava até ele tomar banho, se vestir e chegar à cabine de transmissão.
Na Cultura também tínhamos o Militão, o Mago do Violão, e o Moacir Benvenutti, que andava sempre com uma chave de fenda no bolsinho do paletó. Uma bela noite tomamos um pifão e decidimos ir para Suez.
Amanhecemos em Paranaguá e provocamos uma polvorosa na rádio. Gabriel Moacir, Antônio Ivo e eu havíamos sumido e o Homero teve de ir para o microfone e agüentar o dia inteiro. Fomos ao Mercado e lá encontramos o famoso Janguito do Rosário, excelente músico que tinha um regional na PRB-2. Gabriel Moacir desistiu e voltou à noite.
Antônio Ivo regressou na manhã seguinte. Eu conheci um técnico montador de máquina, chamado Oswaldo Só, que fora zagueiro do Cruzeiro de Porto Alegre. Ele me fez desistir da idéia de voluntário no Canal de Suez e de buscar emprego no Estaleiro do Só, em Porto Alegre.
Não cheguei a ir lá porque um irmão do Clemente Comandulli, que foi do Paraná Esportivo e mais tarde redator chefe da Gazeta do Povo, consertava persianas, estava em Paranaguá e ia fazer uma volta por Santa Catarina.
Juntei-me a ele e virei técnico em persianas. Depois criei a New York Persianas Corporation, que dava assistência técnica gratuita às persianas da empresa. Sempre fui obrigado a cobrar, pois nunca encontrei uma persiana da New York. A atividade era interessante e lucrativa. Mas uma tarde apareceu lá em casa o Lazinho, que jogara no Palestra Itália e abrira uma rádio em Blumenau. O resto eu conto na próxima vez.


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2 respostas
  1. Ivo Moscalesky says:

    Estou fazendo um programa na CNT e continuo com a agência de publicidade.
    Tenho uma namorada há cinco anos.

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