Predestinado 4 – Parte 1

Publicado em: 04/05/2008

Uma tarde fria de junho de 1958, eu estava na sede do Oásis Esporte Clube, no Jardim das Américas, em Curitiba. Eu fui fundador e era presidente do clube do nosso bairro. De repente parou na frente um Chevrolet azul e desceram dele três cavalheiros.
Por Altair Carlos Pimpão

Eram eles: Stanislau Stolarzeck, gerente comercial de Hermes Macedo em Blumenau, Evelásio Vieira, ex-jogador de futebol, e seu irmão Hélio Vieira. O trio estava a minha procura. Evelásio Vieira era o craque Lazinho. Ele conseguira abrir uma estação de rádio em Blumenau à qual dera o nome de Nereu Ramos, grande político pessedista que havia falecido, não fazia muito tempo, num acidente aéreo nas proximidades da minha casa.
Queria me contratar para ser locutor da sua rádio. Aceitei o convite e perguntei para quando. Pra já, foi a resposta. Que loucura! Mas o espírito cigano falou mais alto. Passei a presidência do clube para o vice, corri até minha casa, fiz uma mala às pressas, dei um beijo em minha mãe, disse para ela contar para o meu pai que eu estava vindo para Blumenau.
Passamos por Pomerode e paramos para jantar no Hotel Oásis, que coincidência, o nome do meu clube. Era um hotel de luxo, com apartamentos árabes, chineses e decorações suntuosas. Ele chegou a realizar festa com animação da Orquestra Cassino de Sevilha, mas sucumbiu. Estava muito adiantado à sua época. Faliu deixando saudade em quem passou lua-de-mel num ambiente de Mil e Uma Noites.
Quando chegamos a Blumenau a Rádio Nereu Ramos estava transmitindo o Baile da Rainha dos Estudantes, Diva Althoff, que acabou sendo minha cunhada. Um garoto, que era repórter, José Augusto Nóbrega, estava sozinho fazendo a transmissão. O responsável exagerara na bebida alcoólica e abandonara o microfone.
Lazinho queria que eu entrasse no Ipiranga e desse continuidade à reportagem social. Não aceitei a incumbência, pois não estava em traje, nem preparado para tal. Além do mais, no dia seguinte teria de transmitir um jogo de futebol. A pressa da minha vinda era justamente por causa do campeonato da Liga Blumenauense de Futebol.
Levaram-me para o Hotel Alameda, que havia sido a Maternidade Elsbeth Koehler e hoje é a Casa do Comércio. Muito bom, pois estava na esquina da Alameda Rio Branco com a Sete de Setembro e bem pertinho da Rua XV de Novembro, onde estava instalado o estúdio da Rádio Nereu Ramos, no Edifício Buerger.
A emissora estava começando e eu trabalhava de manhã, à tarde e à noite. Fazia o jornal falado, transmitia futebol, fazia programa de humor e encerrava a emissora com um programa de poesias (ah! que saudade do J.G. de Araújo Jorge). O Lazinho era dono e companheiro.
A gente descia para tomar leite com capilé no Bar Pingüim e disputava a conta no palito. O pior é que o Lazinho era bom de palpite e faturava sempre. O locutor que encheu a cara no baile da rainha foi mandado de volta a Canoinhas. Eu cheguei para ocupar o lugar do Germano Jr., um extraordinário locutor esportivo que conheci no Norte do Paraná e que foi da Rádio Paiquerê de Londrina (PR) para a Panamericana (SP), quando o Edson Leite e o Pedro Luiz se bandearam para a Bandeirantes, mas que ficou muito pouco tempo por causa da maldita bebida.


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1 responder
  1. Wieland Lickfeld says:

    Caro Pimpão, pesquiso os antigos hoteis de Blumenau e li no seu texto que seus amigos o levaram para o Hotel Alameda. Quer dizer que ficou hospedado lá? Por quanto tempo? Na época não residia em Blumenau? Grande abraço!

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