Presidente do Clube da Voz fala sobre locução publicitária

Publicado em: 12/10/2012

Fábio Cirello. Crédito Divulgação

 

“O que é o Clube da Voz? É o nome fantasia da Associação dos Profissionais de Voz em Publicidade de São Paulo, fundada em 1992. É “um grupo heterogêneo, formado por radialistas, jornalistas, publicitários, atores e dubladores”. ]

Acompanhe a entrevista de Fábio Cirello, presidente do Clube da Voz, concedida  a Leonardo Araujo e publicada pelo AdNEWS. Fábio revelou detalhes da profissão de locutor e afirmou, entre outras declarações, que o fato de amadores se oferecem para gravar por uma baixa quantia é algo maléfico para sua profissão. Cirello também comentou a saída de Bob Floriano da presidência do Clube. Confira a seguir entrevista completa.

1 – Por que a escolha de um bom locutor é importante para o anunciante? Além de uma bela voz, quais os diferenciais?

Não só um “bom” locutor, mas uma voz que crie identidade com a marca. Assim como a preocupação com as cores do logo, deveria haver uma preocupação com a “sonoridade” da marca. Assim como determinadas marcas musicais, a voz do locutor também identificaria o produto. Chega a ser estranho, num mercado com tantas mídias e extremamente competitivo, as empresas não possuírem uma identidade sonora. A bela voz não é a preocupação e sim a interpretação que se imprime. Claro que não pode ser uma voz esteticamente feia. Desafinada, sem brilho. Para cada marca ou situação da marca poderia usar-se um determinado tipo de voz, mas essa preocupação deixou de existir, assim como está menos presente o verdadeiro RTV em uma agência. Alguém que realmente entenda de som e imagem no comercial seja ele de rádio ou TV.

2 – Quais as campanhas mais marcantes com o uso da voz na publicidade?

Hoje, fica difícil falar de campanhas marcantes, mesmo porque, tem que existir um casamento entre ideia, filme, trilha sonora e voz e isso é cada vez mais uma coisa do passado.  Quem não se lembra das campanhas da Varig (locuções de Humberto Marçal), do comercial “Hitler” da Folha de São Paulo (locuções de Mario Lima e de Ferreira Martins), das campanhas da Hyiundai (locuções de Ferreira Martins), ou Mastercard “não tem preço” (locuções de Edinho Moreno).

3 – Quais dicas você daria para um estudante de publicidade que decida enveredar por este caminho?

Primeiro precisa ver se tem talento, depois é necessário ter estilo próprio, pra que sua voz seja identificada com facilidade.

4 – Por que Bob Floriano deixou a presidência do Clube da Voz?

Problemas pessoais, íntimos. Ele preferiu se afastar não só da presidência, mas da associação que, queira ou não, exige participação, envolvimento e às vezes é muito difícil conciliar projetos pessoais. Como vice, assumi, de acordo com os estatutos do Clube e estou vendo agora que era mais fácil ser vice. E trazemos mais projetos, como dinamizar conteúdo em nosso site, em nossa rádio web e disponibilizar o app Clube da Voz pra smartphones e tablets.

5 – Qual a diferença de um locutor do Clube da Voz e um de fora?

Garantia de procedimento e qualidade. O Clube da Voz é o único portal onde o locutor só entra se tiver mérito, se já for um verdadeiro profissional do mercado, com habilidade, experiência e procedimento ético garantido.

Pode ver que na hora H, as grandes campanhas exigem vozes marcantes. E os locutores do Clube da Voz são sempre chamados.

E assim foi na eleição pra prefeito: as vozes da campanha de Serra e Haddad são de locutores do Clube da Voz.

6 – Há uma predominância da voz masculina na publicidade. Por que isto acontece? A voz feminina não transmite o que o anunciante deseja?

É uma tradição que vem do rádio onde os locutores desde o inicio foram maioria porque as mulheres que trabalhavam fora de casa eram minoria.

Essa tradição está mudando muito rapidamente. Produtos ligados ao universo feminino (beleza, casa, filhos, estilo, compras, etc.) quase todos já são anunciados por vozes femininas. Hoje, também já é possível ouvi-las em campanhas de governo e bancos.

7 – Como os locutores publicitários estão se adaptando aos anúncios na web?

O anúncio na web tem uma audiência simultânea pequena se compararmos com TV e rádio. Isso acaba provocando uma adaptação nos cachês pra essa mídia.

8 – Como é a relação locutor vs. agência? Explique, por favor.

O locutor relaciona-se mais com a produtora de som do que com a agência, porque faz tempo que as agências delegaram, e isso contribuiu muito pra banalização das locuções comerciais de TV e rádio. São raras as exceções de locutores se relacionarem com agência.

É difícil algum RTV aparecer pra acompanhar a gravação. E também porque isso não acontece, frequentemente os estúdios solicitam a gravação a locutores que gravam em home estúdio, sem nenhum acompanhamento da agência ou do próprio estúdio de som.

9 – Existe algo que não abordamos que você gostaria de ressaltar?

Sim. O descrédito da profissão através da internet, com milhares de pessoas que acham que possuem uma voz boa e se oferecem pra gravar por cinquenta reais. É preciso normalizar a profissão de locutor comercial. Ou então, fazer valer o registro profissional (DRT) de radialista (locutor é uma profissão regulamentada).

O departamento comercial da maioria das emissoras de rádio produz comerciais toscos com locutores de plantão, pagando-lhes valores simbólicos ou inclusos no próprio salário… O resultado é um intervalo comercial insuportável, com textos óbvios, sem criatividade, sem trilha e sem acabamento. Em algumas rádios, há intervalos inteiros com a mesma voz. A audiência cai, pode ter certeza.

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] Presidente do Clube da Voz fala sobre locução publicitária […]

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *