Primeiro Job de Lima Martensen como Publicitário: relançar o Lifebuoy

Publicado em: 24/05/2005

Lima Martensen ainda tinha dúvidas sobre a proposta irrecusável de Mr. Mc Cabe para ser o responsável pela área de rádio do Departamento de Propaganda da Lever que, pouquíssimo tempo depois, viria a se transformar na Lintas.
Por Chico Socorro

 Mas sua namorada e futura esposa Arminda, pragmática, o convenceu de que valia a pena trocar o rádio, uma atividade que dependia do êxito dos programas que ele criava e produzia por um emprego na publicidade com um salário mensal garantido várias vezes superior ao que ele ganhava no rádio. Mas, além da opinião de Arminda, acabou pesando em sua decisão a conversa com o Diretor de Arte inglês  James Abercrombie, Jimmy, com quem trabalharia. Lima Martensen ficou encantado com o jeito simples de Jimmy que lhe contou  como era agradável e amigável o ambiente da Lintas  em  outras várias  partes do mundo.

E assim, no dia 15 de julho de 1937,  primeiro dia de trabalho de Rodolfo Lima Martensen como publicitário, teria início a carreira  de um profissional que a história viria a consagrar como um dos pais da  Moderna Publicidade Brasileira.

A primeira incumbência de Lima Martensen foi a de relançar o sabonete Lifebuoy que já estava no mercado mas com uma participação  de mercado ínfima – era com se não existisse.  Esse seria, na realidade, o primeiro  “case” na vida profissional de Lima Martensen como publicitário. Vejamos como ele próprio nos conta  essa história em seu livro de memórias:

“Jimmy Abercrombie, Joaquim Alves e eu passamos a cranear a publicidade de Lifebuoy. Levamos dias criando temas, desenvolvendo argumentos, buscando slogans e nada nos agradava pois não conseguíamos fazer aquela metamorfose tão essencial indicada por Mc Cabe: transformar argumentos em emoções. O consumidor não é um a máquina de calcular e sim um feixe de nervos, repetia o velho mestre. Go after his heart, no his brain. Esse era o desafio: conquistar o consumidor pelo coração, não pelo cérebro”. No final do dia levamos o resultado do nosso esforço criativo a Mc Cabe. O inglês, com a sua fleuma e sua inexcedível categoria, conseguia nos animar com o nosso próprio fracasso (uma técnica difícil, mas digna de ser aprendida por quem deseja ser um bom empresário): — Se a minha responsabilidade não fosse tão grande, eu já aceitaria esta solução – mentia o velho Mc Cabe —Vocês fizeram um extraordinário progresso. Mas tenho um palpite que se insistirem mais um pouco, produzirão uma campanha perfeita.  E lá íamos nós, de volta à máquina de escrever e à prancheta, em busca do tema ideal para a promoção de um sabonete que, em vez de um perfume atraente, tinha cheiro de desinfetante.

Na época era muito popular a expressão  o tal para definir um sujeito importante. Quem se destacava, era o tal . O tal  que manda no Brasil,  o tal  que conquista as mulheres… Seguindo essa expressão popular, Joaquim Alves criou um boneco todo frajola que era o tal porque usava Lifebuoy. A ilustração era muito chamativa mas a mensagem não continha emoção”.  No próximo episódio vamos contar  sobre a campanha e como Lifebuoy se tornou um  “case” publicitário no tempo em que o rádio era a mídia de maior glamour em nosso país.


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