Primórdios do rádio paranaense 07

Publicado em: 10/02/2008

Em 1933 realizou-se a primeira apresentação de teatro pelo rádio no Brasil. A Rádio Clube reivindica o título de pioneira do radioteatro, modalidade de programa que mais tarde empolgou o povo brasileiro.
Por Ubiratan Lustosa

Correia Junior – jornalista, radialista, escritor e poeta – teve a idéia e convidou seus amigos Heitor Stockler de França – industrial, advogado e poeta – e Octávio de Sá Barreto advogado, jornalista escritor e poeta -, e juntos apresentaram “A CEIA DOS CARDEAIS”, de Julio Dantas.
Correia Júnior fez o papel do Cardeal Gonzaga (o português), Heitor Stockler interpretou o Cardeal Mont Morerci (o francês) e Otávio de Sá Barreto fez o papel do Cardeal Rufo (o espanhol). “Foi um sucesso!”
Mais tarde, a Bedois chegou a manter no ar treze novelas, incluindo o “Teatro da Meia Noite” em que, Ivo Ferro e eu, nos revezávamos na incumbência de fazer as radiofonizações. Os ouvintes enviavam cartas contando causos e nós os radiofonizávamos. Enfeitávamos o pavão, como se diz popularmente.
O Ivo Ferro contava o causo “O Homem do Pé Redondo”, na outra noite eu atacava com “A Mula Sem Cabeça”. O Ivo vinha com “O Grito do Lobisomem” e eu respondia com “A Mansão das Almas Penadas”. E assim por diante. Era uma agradável competição para ver quem fazia a radiofonização mais assustadora. Às vezes, a gente é que se assustava.
Devo ressaltar que o radioteatro comandado pelo competente Ivo Ferro, foi um baluarte de audiência e popularidade. Sinval Martins, Lourdes Maria, Felix Miranda, Dora Eli e Cordeiro Júnior, além de galãs e heroínas, respectivamente, foram os assistentes de Ivo Ferro.
O mais famoso contra-regra da Rádio Clube Paranaense foi Rogério Camargo, e os sonoplastas que se consagraram também nessa época foram Rolff Mario e Eulâmpio Viana. A propósito, eu quero enaltecer a criatividade dos sonoplastas e contra-regras dos velhos tempos. Inicialmente, cabia ao contra-regra todos os ruídos necessários.
Num pequeno estrado de madeira ele ficava caminhando sem sair do lugar, para imitar os passos de alguém. Duas metades de coco seco imitava o tropel de cavalos. Numa armação, havia uma porta, pequena, com as dobradiças enferrujadas. Quando o contra-regra abria a porta ouvia-se aquele rangido típico de casa abandonada, ou mal assombrada. O tique-taque do relógio era feito com um lápis friccionado com as palmas das mãos. As trovoadas eram imitadas com uma folha-de-flandres que o contra-regra sacudia.
Mais tarde apareceram os discos grandes, com variados efeitos, sons e ruídos. Havia até os tiros que o Ivo Ferro não gosta e por isso foi comprado um revolver e balas de festim. O contra-regra dava o tiro com a porta do estúdio aberta, para evitar que aquele desagradável cheiro característico permanecesse no estúdio.
Com o aparecimento dos discos com muitas faixas de diferentes ruídos e sons, também apareceram as mancadas. Por exemplo, Eulâmpio Viana, substituto de Rolff Mário – colocou a “Marcha Fúnebre” em vez da “Marcha Nupcial” numa cena de casamento.


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