Profissões: radialista

Publicado em: 01/05/2009

Ele pode narrar as grandes vitórias do time do seu coração, levar a notícia fresquinha quando o Sol, tímido, teima em dar as caras e o galo ainda nem cantou. Por Bruno Mateus

Também pode fazer companhia nos momentos mais solitários, como um fiel e inseparável companheiro. E o mais legal é que, muitas vezes, você só o conhece pela voz; seu rosto continua sendo um mistério que mexe com a imaginação e a curiosidade de quem ouve.
Você nunca quis saber se a mulher de voz bonita que comanda aquele top 10 de música é a mesma da imagem criada na sua cabeça? Essa mescla de mágica e cumplicidade define a relação entre ouvinte e radialista.
Voltemos um pouco na história.

Tudo começou em 1863, quando, em Cambridge, Inglaterra, James Clerck Maxwell demonstrou teoricamente a provável existência das ondas eletromagnéticas. A partir da revelação do professor de física experimental, outros pesquisadores se interessaram pelo assunto. O princípio da propagação radiofônica só veio mesmo 24 anos mais tarde, quando, em 1887, o cientista alemão Heinrich Rudolph Hertz comprovou, na prática, a teoria de Maxwell. Até hoje as ondas de rádio são conhecidas como hertz.

A primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil rolou no Rio de Janeiro, então capital do país, em 7 de setembro de 1922. A primeira emissora de Minas Gerais foi a Rádio Sociedade de Juiz de Fora, criada em 1926. De lá pra cá, o rádio não só sobreviveu ao aparecimento de novas tecnologias, mas evoluiu e se modernizou. A figura do radialista continua sendo a personificação deste meio de comunicação que encantou Albert Einstein e ajudou Hitler a propagar o racismo.

Facilidade de lidar com o público e saber se expressar bem são características importantes pra quem quer se tornar um radialista. Mas não para por aí. É preciso estar atualizado, ser criativo, organizado e saber como e pra quem está falando. Entre as funções desempenhadas estão locução, elaboração de pauta, roteiro, produção e edição de programas jornalísticos ou de entretenimento e reportagens de rua. E o trampo não é moleza, avisa Elias Santos, jornalista, professor do curso de comunicação social da UFMG e coordenador da Rádio UFMG Educativa. “A pessoa tem que saber que vai trabalhar muito. Tem que ser organizado, até o improviso é ensaiado”, afirma. Segundo o professor, o aluno deve aproveitar a internet como mais uma opção de mercado. “As novas tecnologias são fundamentais, facilitam o acesso às mídias e democratizam a informação. Podem-se criar rádios na internet e produzir um conteúdo próprio”, diz. Além de empresas de rádio e televisão, o profissional encontra espaço no mundo virtual, com as web rádios. A área acadêmica é mais um caminho a ser seguido.

Elias lembra que, durante a graduação, o aluno deve ter curiosidade de saber como tudo funciona, ser crítico e fugir do convencional. “O ideal é aliar teoria e prática. Por isso, o estágio é fundamental, mesmo que seja voluntário. O importante é aprender”, define. Apesar de achar que ter uma voz bonita não garante sucesso a ninguém, ele aconselha: “Se a voz é seu instrumento de trabalho, cuide dela. O fonoaudiólogo pode ser muito importante, assim como as técnicas do teatro podem ajudar a relaxar”.

Dinamismo, ler muito e saber trabalhar sob pressão e contra o relógio. Essas são, na opinião da jornalista e editora-chefe de redação da Rádio Alvorada, Isabela Teixeira, características básicas pra quem quer seguir carreira no rádio. “Tem que ter curiosidade, saber vasculhar e buscar a notícia onde seja”, aconselha. Apesar de reconhecer as dificuldades encontradas no mercado, Isabela acredita que “o importante é fazer o que gosta, se dedicar, ser bom naquilo que faz. Assim, não falta emprego. É muito prazeroso, uma paixão.” Procurar o lado prático e saber como funciona o dia a dia na redação são outras dicas que a jornalista considera úteis.

A profissão de radialista só foi regulamentada em 1978, pela Lei 6.615. O profissional deve ter registro emitido pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Para os que exercem funções jornalísticas, o diploma de jornalismo é obrigatório. Aos radialistas de narração esportiva, programas musicais ou outro tipo de entretenimento é exigido o ensino médio completo. Cursos pra aprimorar a condição são sempre bem-vindos.

Se essa é sua praia, não meça esforços e bote a mão na massa. Você poderá ser aquela pessoa que fará companhia ao mais distante ouvinte, entretendo e informando a qualquer hora do dia.

VESTIBULAR

A Universidade Federal de Minas Gerais é a única em Belo Horizonte a oferecer habilitação em rádio e TV. O candidato entra para o curso de comunicação social e, a partir do 3º período, poderá escolher a habilitação desejada. Outras universidades, como PUC, Uni-BH, Fumec e Newton Paiva, em seus cursos de jornalismo, oferecem matérias de radiojornalismo. Em Minas Gerais, a Universidade Federal de Juiz de Fora também conta com o curso de rádio e TV.

QUANTO GANHA

Segundo determinação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, o piso salarial pra quem trabalha em rádio é de R$ 1,1 mil, com jornada de cinco horas diárias.

TESTE :: Vou me dar bem no rádio?

Quero ser radialista, pois:

a) Gosto muito de falar, falar, falar…
b) Considero ter as características necessárias pra ser um ótimo profissional.
c) Minha avó disse que tenho a voz igual à do Tarcísio Meira.

É dever do radialista:

a) Ajudar amigos e parentes, fazendo propaganda de suas lojas de calçados, lanchonetes e papelarias.
b) Dar conselhos amorosos para aquela garota que acabou de terminar o relacionamento. Se bobear, aproveitando sua carência, conseguir o telefone pra marcar um encontro. Como amigos, claro… hehe
c) Transmitir informação com credibilidade, ética e compromisso.

Durante a graduação vou…

a) Tentar “pegar” o maior número possível de gatinhas e sempre ir aos churrascos.
b) Me dedicar, estudar com seriedade e buscar um bom estágio pra colocar em prática o que aprendo em sala de aula.
c) Puxar o saco dos professores. Quem sabe eles não me arrumam um emprego?

Se marcou b/c/b, você tem futuro

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