PRs Motivacionais, promover o rádio é preciso…

Publicado em: 19/10/2008

A criançada não liga pra rádio porque o rádio não liga pra criançada… Ou o rádio não liga pra criançada porque a criançada não liga pra rádio! Por Jair Brito.

Faz muito tempo que o rádio esqueceu o pequeno ouvinte. Desapareceram os programas do gênero infanto-juvenil. Na FM então não se tem notícia nos últimos 30 anos de um só programa do gênero, pelo menos em São Paulo.

Em contrapartida, nas três últimas décadas a informática se instalou com tudo na vida dos brasileiros. Um fator relevante que modificou radicalmente nossos costumes e especialmente a vida da criançada que agora, antes de entrar na escola, já está íntima do teclado e mouse.

A maioria dos baixinhos tem computador dotado com internet em casa e quem não tem aluga um fora na lan house mais próxima. Essa tecnologia dos novos tempos tem preocupado pais e educadores que tentam diminuir o longo período online despendido por dia pelos “internautinhas” e também coibir o fácil acesso às matérias “impróprias para menores de idade”. São males quase incontroláveis dessa tecnologia dos novos tempos. O caso do desgaste físico é grave, mas ruim mesmo é o segundo caso que invade criminosamente o dia-a-dia de gente inocente que toma conhecimento de material pornográfico. (*)

Saudade dos bons tempos em que o rádio encantava a garotada com programas do bem como, por exemplo, Tio Janjão e As Aventuras do Anjo, da Rádio Nacional do Rio, e Cirquinho do Simplício e Escolinha de Nhô Totico, da Rádio América de São Paulo.

Programas de auditório também eram feitos com elevado nível de qualidade: em Porto Alegre, o Clube do Guri, da Rádio Gaúcha, ganhou importância nacional por ter revelado Elis Regina; em Curitiba, no Clube Mirim, da Rádio Guairacá, surgiu Bráulio Prado, que se tornou um dos mais importantes músicos do Paraná. Homero Silva, com o seu Clube do Papai Noel na Rádio Tupi, de São Paulo, igualmente revelou muitos talentos para o mundo artístico.

E em Florianópolis, além de programas de auditório nos quais as crianças cantavam, declamavam e às vezes faziam até locução, a produção “As Crianças se Divertem”, projeto desenvolvido por Antunes Severo, com redação de Nivalda Jacques Severo, tinha como personagens principais Tio Bona e Zezinho, interpretados por Edgard Bonassis da Silva e Neide Maria (excelente como radioatriz e cantora). Esse programa, sucesso na década de 60 era transmitido pela Rádio Diário da Manhã e por mais 13 emissoras do Estado de Santa Catarina.

A televisão, que até hoje utiliza idéias do rádio, não soube ou não quis aproveitar os formatos desses citados programas infanto-juvenis. Por isso mesmo não surpreende a pesquisa publicada na reportagem do caderno TV&Lazer (jornal O Estado de S. Paulo do último domingo): No Dia da Criança, repare: as maiores platéias mirins estão diante de programas para gente grande. Os três programas de TV preferidos pelas crianças de hoje: A Favorita (Globo), Os Mutantes (Record) e Domingo Legal (SBT), todos de conteúdos impróprios para a petizada.

Voltando à relação rádio/criança, outra pesquisa, sem aval científico, feita com 50 meninos e meninas de sete a 13 anos de idade, revelou que 32 dos entrevistados nunca ouvem rádio; 12 acompanham rádio pela internet, enquanto fazem pesquisa ou jogam, e seis ouvem rádio aleatoriamente quando estão no carro dos pais. A criançada ta nem aí para o veículo rádio. Já os programas de música rotulada como jovem estão perdendo audiência principalmente nas emissoras de FM, por conta do advento do MP3 e de outros acessórios mágicos que “armazenam” mil e uma músicas, sem o blá-blá-blá de comunicadores, alguns irritantes.

Tanto na base da criançada, como nas faixas etárias seguintes, dos adolescentes e, numa progressão, a dos adultos, a coisa vai de mal a pior. Por isso, promover o rádio é preciso… Mais do que nunca. O Instituto Caros Ouvintes, a primeira comunidade online de apaixonados por rádio e televisão do Brasil, estuda a implantação das PRs Motivacionais em 2009.  Elas poderão servir de embrião para alavancar uma grande campanha nacional, patrocinada por empresários concessionários de radiodifusão, a fim de resgatar posições perdidas e valorizar esse tal veículo ultimamente tão maltratado no quesito promoção.

Gente que faz rádio precisa acreditar mais em promoção e comunicação fora do próprio veículo. Esse indicativo deverá nortear nosso evento das PRs, que tem como propósito fundamental atuar nas escolas de 1º, 2º e 3º graus do Estado de Santa Catarina, estimulando in loco os alunos a gostar de fazer e ouvir rádio.

Estão previstas atividades como oficinas de produção, interpretação, técnica, palestras de gente da mídia, visitas às principais rádios do Estado, presença de conhecidos profissionais (radialistas, jornalistas e técnicos) e participação de personalidades da sociedade na programação a ser feita por iniciativa de cada escola.

E a primeira etapa do projeto a ser deflagrada já no começo das aulas do ano que vem, concentra-se nas escolas municipais de 1º grau de Florianópolis. São muitas as idéias, como as estações móveis, o lançamento de um Portal e a premiação às melhores produções apresentadas. Contamos com sugestões dos caros colegas e ouvintes leitores deste site. Envie sua colaboração endereçada ao e-mail [email protected]

O esboço final das PRs Motivacionais (rádios Criança, Adolescente e Adulta) está sendo objeto de um planejamento racional para que possa vir a ser viabilizado. Esperamos plantar a semente a partir de Santa Catarina para que frutifiquem no Brasil inteiro as bases desse movimento inédito e pretensioso visando revigorar o nosso rádio.

(*) Como a mania de internet só cresceu pra valer nos últimos cinco anos, avaliadores científicos ainda não têm parâmetros para medir prováveis estragos nas mentes e cérebros de tenras criaturas.

Ouça o trecho de abertura e início de uma audição do programa As Crianças se Divertem levado ao ar pela Rádio Diário da Manhã de Florianópolis a partir das 17 horas do dia 30/9/1963. A locução de abertura é de Humberto Fernandes Mendonça. Apresentação de Edgard Bonassis da Silva. A sonoplastia e assistência técnica são de Unuri Silvério e Humberto Hubert. Gravado nos estúdios da Padrão Produção Sonora de Florianópolis.

1 responder
  1. Andrea Louise de Oliveira Prado says:

    Olá, sou filha de Bráulio Prado e gostaria de saber mais informações de meu pai no que diz respeito a música.
    Obrigada,
    Andrea Louise.

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