Qual o futuro do rádio em amplitude modulada?

Publicado em: 13/01/2008

O Brasil fechou o ano de 2007 com pelo menos 118,5 milhões de celulares. Veja bem, quase ninguém utiliza mais o termo “telefone” para se referir a este aparelho de comunicação móvel, que foi incorporando, ao longo dos anos, outras funções além da interação apenas por voz. Por Luiz Artur Ferraretto

Ali, estão a câmera fotográfica e a de vídeo, o computador, mesmo que reduzido ao envio de mensagens e de arquivos, o velho toca-discos em versão MP3, o antigo videocassete agora com a imagem em movimento e som convertidos em bytes e o rádio, mas o rádio em sua versão para freqüência modulada. AM nem pensar. O mesmo acontece nos players de áudio que, cada vez mais, aparecem pendurados no pescoço, presos ao braço ou dentro das mochilas e pastas dos adolescentes.
Para colocar a amplitude modulada nestes novos aparelhos, há a necessidade de investir na blindagem dos circuitos, já que existe uma interferência entre as ondas médias e as de telefonia. Nenhum país preocupou-se com isto até hoje. Nas áreas ricas do planeta, talvez a função do rádio seja diversa. Não há, no entanto, nação subdesenvolvida tão imensa quanto o Brasil. O cruzamento destas duas constatações demonstra a necessidade do rádio em amplitude modulada para o país. É esta faixa de transmissão a que maior alcance atinge e onde, ainda hoje, predominam as irradiações voltadas ao jornalismo e as de teor mais popular. É nela também que cresce a presença das estações de cunho pentecostal, em geral excludentes no que diz respeito a outras religiosidades, a outras crenças, fato característico de uma postura, no mínimo, totalizadora. Qual é, portanto, neste quadro, o futuro do rádio em AM?
É interessante dar uma olhada no que está à disposição do ouvinte, por exemplo, em Porto Alegre, cidade nem tão metrópole como São Paulo ou Rio de Janeiro, nem tão médio porte como outras. Pelo lado do popular, estão emissoras tradicionais como a Farroupilha e a Caiçara; pelo jornalismo, a Gaúcha, a Guaíba, a Bandeirantes, a Pampa, a estação local da CBN e, voltada a um público mais específico, a Rural; e pelo educativo, a Universidade. O restante dedica-se à pregação religiosa, em uma programação que mistura as mensagens evangélicas com entretenimento e serviço que lembra muito o rádio povão, obviamente com muito “glória, glória, aleluia”. Pode-se dizer que o público destas emissoras, por mais variadas as classes sociais e o nível de ensino, pertence às faixas etárias compreendidas pela idade adulta.
Esta situação da audiência pode ser explicada pelo conteúdo da programação e pelo fato de a amplitude modulada não estar presente nos celulares e nos MP3 players, elementos importantes do universo dos jovens. Fora isto, a vantagem competitiva das estações em AM é o alcance geograficamente maior em relação às em FM, uma vantagem que vai diminuindo à medida que cresce a popularização da internet e se difunde a veiculação do áudio das emissoras na rede mundial dos computadores. Vale observar que, nos dez principais mercados do país aferidos pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, as emissoras em AM carreiam para si entre 10 e 40% da audiência do meio rádio.
O quadro não parece auspicioso. Como há duas décadas, uma nova tecnologia é vendida como a salvação. Desta vez, não é o AM com som estereofônico, mas a digitalização que daria a esta faixa qualidade semelhante a da freqüência modulada. Os testes já realizados no país e a experiência do rádio digital nos Estados Unidos indicam, no entanto, problemas neste processo, incluindo uma redução no alcance das transmissões se comparado com o processo analógico.
Qual a necessidade que o público tem de uma qualidade tão aprimorada em termos de áudio? Se para esta questão a reação parece ser a total apatia do ouvinte a respeito, a resposta para as duas perguntas a seguir é apenas uma. Se o suporte da comunicação do futuro é o celular, para onde convergem inclusive os players de MP3, por que não apostar no vlho AM de sempre no novo aparelho de comunicação?
No investimento nesta possibilidade, que inclui superar limitações de ordem tecnológica, pode estar o futuro das transmissões em amplitude modulada. Afinal, quem vai ouvir algo que não está disponível nos receptores? Não seria a hora dos radiodifusores se unirem na pressão sobre a indústria eletrônica para incluir o AM em celulares, players, enfim onde estiver também o FM.
 


{moscomment}

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] Instituto Caro Ouvintes Acessem o Portal do Controle Social de Sarandi…e incluam-se, o social agradece!! 0savesSave […]

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *