Qualidade de Vida

Publicado em: 11/04/2006

Na disputa de melhor qualidade de vida entre Curitiba e Florianópolis, ganhou Floripa e cá estamos nós de mala e cuia! Já conhecia a Ilha. Sei lá em que ano, mas vim pra cá a convite de Antunes Severo para ser pioneiro em televisão. Depois descobrimos que era TV fantasma. Mas era boa. Tinha ótima imagem, equipe de primeira linha, bem no centro, pertinho da figueira que, na época já era velha. Só não tinha muletas como agora.
Por Donato Ramos

Num certo domingo, uma dupla de cantores ia cantar uma música que falava da neblina da madrugada. E a neblina, onde encontrar…? O Antunes, que também é Eurides (já viram nome mais apropriado para galã de televisão?)


Pra dar um close, usava-se um zoom diferente: consistia em aproximar a
câmara do gajo ou o gajo se aproximar da câmera.

Pior seria Eurídice, aquela das mãos… mas deixa pra lá. O Severo, dizia eu, teve uma magnífica idéia: um tecido transparente, feito um véu de noiva, pendurado na frente dos cantores. Ótimo! Mas cadê o tecido? Lá fomos nós pra rua à procura de uma lojinha dos “brimos”. Como tinha poucos, encontramos um na primeira esquina. Foi um sucesso. A câmara focando os gajos através do pano cheio de furinhos, os cantores andando em direção da câmera e o efeito de neblina foi esplêndido. Só não sei que fim levou o tecido. Sumiu. Escafedeu-se!


Estúdio da TV Florianópolis, canal 11, no segundo piso da Confeitaria Chiquinho
(Hoje Livraria Catarinense). À esquerda, Antunes Severo, diretor de programação
e ao fundo Edison Silveira apresentando telejornal redigido por Jali Meirinho, sob a
mira de duas câmeras Maxwell, de fabricação nacional.

Mas não era sobre isso que ia escrever e sim sobre a qualidade de vida, lembram-se?
Andava eu e Dalila, minha mulher, dia destes lá pelo Mercado, duas e meia da tarde, uma fome dos diabos, mas necessitando ir pra casa depressa. Vamos enganar o estômago com um pastelzinho e uma cervejinha sem álcool. Saímos pela rua assim: comendo o pastel, bebendo a cerveja, um sol de quarenta graus quase nas costas, queimando a careca já bem antiga e, quando me dei conta, estava rindo de chamar a atenção de quem passava.
Dalila pergunta: O quê foi que houve homem? Ta maluco, rindo sozinho?
Explico: estava me lembrando do motivo que nos trouxe pra cá, pra essa ilha encantada – a tal de qualidade de vida. Ao invés de um saboroso camarão do Arantes, uma long neck, um pastelzinho de carne, um sol de quase quarenta graus na cacunda e o carro num estacionamento a mais de quinhentos metros…
Estou pensando quando contar essa pro pessoal de Cascavel que está morrendo de inveja porque nos mudamos de lá! Qualidade de vida é isso aí.


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