Quando Elis passou por aqui

Publicado em: 23/07/2007

Nesta garimpagem sem tréguas, de todos os dias, de 18 horas por dia, muitas coisas acontecem. Algumas mais ou menos esperadas, outras nem tanto, mas todas muito ricas em alma, coração e vida. É a alegria de uma nova amizade, a notícia de um desaparecimento, o impacto de uma revelação ou um encontro inesperado. Como o narrado no episódio de hoje.
Por Antunes Severo e Agilmar Machado

Esta matéria assinada assim em dupla é apenas uma questão de formalidade. Na verdade, trata-se de um depoimento do companheiro Agilmar Machado, verdadeira enciclopédia pulsante e viva quando se trata da memória da comunicação em Santa Catarina.
Tudo começou com o audiovisual “25 anos de saudades” que circula na web em Power Point e que o Aderbal me enviou. Assinado pela produtora Malulin, o trabalho reproduz uma seleção de fotos e músicas interpretadas por Elis Regina. Fiquei encantado. Ligo pro Alexandre:
– Camarada, é possível o aproveitamento deste trabalho num artigo do nosso site?
– Manda bala, foi a resposta.
O contato seguinte foi com o Agilmar que reside em Tubarão.
– E aí, Bugrão? Legal o audiovisual da Pimentinha, hein? A Pequena, no inicio da carreira andou por aqui. Sei de duas apresentações em Floripa e tenho uma dica do Zezinho (maestro José Ribeiro), falando em um show realizado em Criciúma la pelo início da década de 1960, quando ainda ela guria. Vamos fazer uma matéria a quatro mãos?
A resposta não se fez esperar. Meia hora depois chega o primeiro e-mail do Agilmar e nas horas seguintes mais e mais informações. Enquanto eu por aqui catava contatos com o João Ari, Walter Souza, Iran Nunes e o Nelson Padilha, acordeonista, pianista e arranjador que em 1960 já despontava entre os melhores do nosso rádio, o Agilmar alimentava o sistema:
“Antes de o Odery apresentá-la em Criciúma, tive a oportunidade de não somente assisti-la em Tubarão (um pouco além de 1959). Ela não tinha nenhum disco gravado. O Odery Ramos (que então estava na Tubá comigo) esteve em Porto Alegre e trouxe um acetato (com sua voz acompanhada do Conjunto de Norberto Baldauf, do qual ela era crooner) que dizia assim… “um olho eu arrisquei, um dia esperei…” e do resto não me recordo. Foi o mesmo Odery que a apresentou no Cine Vitória e ela se fazia acompanhar de sua mãe. Lembro que disse ter passado alguns dias na praia, pois estava com um vestido “tomara-que-caia” e tinha as costas descascadas. Elis já era muito comunicativa, mas sua mãe (aos meus olhos ávidos, claro) tinha jeito de ciumenta da filha…”.
E concluía o parceiro:
“Foi a primeira vez que Ellis esteve em Santa Catarina. Pela companhia da mãe e as apresentações sempre diurnas, tudo leva a crer que ainda era menor de idade”.
O Agilmar na sua pesquisa, identificou outro elo de ligação com Santa Catarina:
“Tenho a foto dela com o Conjunto Baldauf, quando começou e vou te mandar em seguida”.

Acontece que o acordeonista e arranjador do Conjunto de Norberto Baldauf é o Victor Canella, “a alma do conjunto, a quem chamávamos de Vitinho nos tempos de grupo escolar de Araranguá, onde ele estudou (era de Meleiro). Vitinho é o componente que tem entradas mais acentuadas de calvície e está sempre sorrindo e Baldauf é o único que se traja diferentemente e atua até hoje na noite de Porto Alegre”.
Nos anos seguintes Elis Regina veio duas vezes em Florianópolis. A primeira quando passava para se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro como parte de um grupo de artistas jovens do Rio Grande do Sul. Identificada pelo pessoal do rádio local ela foi convidada a “dar uma canja” no show que se realizava no Teatro Álvaro de Carvalho para levantar fundos destinados à criação da Associação que posteriormente deu origem à criação do Sindicato dos Radialistas do Estado de Santa Catarina.
No show conduzido por Souza Miranda – que continua no rádio da Capital – coube ao novato João Ari Dutra fazer a apresentação de Elis Regina.

– Cara eu tremia mais do que vara verde. Eu estava recém começando e o Miranda me pegou pelo braço e botou no microfone, relembra alegre João Ari.

Numa outra oportunidade Elis veio contratada pelo Lira Tênis Clube. Aí já como profissional, com o seu próprio conjunto. O Nelson Padilha que fazia parte da Orquestra do Lira e também trabalhava na Rádio Diário da Manhã, acompanhou de perto os preparativos. Lembra que os músicos do conjunto de Elis ensaiaram durante todo o dia. E comenta: “Ela era muito exigente, brigava pelos mínimos detalhes”. E conclui: “Não é atoa que ela já era conhecida como Pimentinha”.
Caro leitor-ouvinte, com este registro prestamos nossa homenagem à Elis, seus familiares e fãs na passagem dos 62 anos de sua chegada a este Planeta, aos 47 de brilhante carreira e aos 25 de imorredouro brilho no firmamento.
Links Relacionados
:: Download da apresentação em PPT (Powerpoint)

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] Mauro Ramos, fala com desenvoltura das coisas antigas da cidade, dos bailes nos clubes Paineiras, Lira e Doze de Agosto, da sessão das moças no Cine Ritz, das grandes competições de vela e remo, dos […]

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *