Quando o lírico é essencial

Publicado em: 02/01/2013

Memória | Tributo ao mané Aldírio Simões de Jesus

Vivemos e convivemos no bojo de uma redoma de opções que vão da trombada no poste mal colocado sobre a calçada ao esvoaçar de nuvens transbordantes do lirismo da poesia maviosa que revela a paixão. Um pequeno, um minúsculo universo dentro da incomensurável magnitude das possibilidades que fazem a grandeza da criação. Essas emoções afloram quando o escriba do cotidiano se volta e pára um pouco além das rotinas que se consomem pela sua própria fragilidade e superficialismo. E então, as luzes dos candeeiros que tremulavam com a menor brisa se transmutam em reflexos estelares inundando, ao mesmo tempo, a grandeza dos humildes e deixando às escuras de sua pequenez os que se julgam poderosos.

Nesse espaço, a partir de hoje e todas a semanas você encontrará aqui um pouco do que o site Caros Ouvintes e outras publicações registraram e têm divulgado nos últimos 50 anos sobre  o legado deixado por Aldírio Simões que retirou das entranhas da maldição e colocou no pódio da bem-aventurança esta dijina singela: Mané.

No sábado, 5/1, reverenciamos o nascimento de Aldírio Simões ocorrido há 71 anos às margens do Rio do Braz que separa os distritos de Canasvieiras e da Cachoeira, no norte da Ilha de Santa Catarina. Filho de Raulino de Jesus e de Maria Iglacides de Jesus, Aldírio dedicou boa parte de sua vida profissional de radialista, jornalista e apresentador de TV, à recuperação da memória e de personalidades que com seu jeito de ser e viver moldaram uma cultura de simplicidade, singeleza e ingênua pureza que ainda hoje são motivo de referência numa sociedade quase sem limites.

“Seu trabalho fez com que fosse comparado ao pesquisador Franklin Cascaes – esse atuando na área rural e aquele no setor urbano da cidade”, registra o Jornal AN Capital e prossegue: “A semelhança das trajetórias foi feita quando recebeu a Medalha do Mérito da Câmara Municipal em 23 de março do ano passado”.

Aldírio na ocasião refutou argumentando “Não aceito a comparação com o professor Franklin Cascaes, que tinha um trabalho bem mais profundo, enquanto eu faço isso de forma espontânea e sem me preocupar em deixar algum legado”.

Mas, Aldírio mesmo escudado em sua modéstia teve que se render às evidências: o seu trabalho em defesa da dignidade dos mais humildes habitantes “Deste pedacinho de terra perdido no mar” como disse o poeta Zininho, já não mais precisam se esconder quando alguém grita lá do outro lado da rua: Fala Mané!

Na próxima semana: “Mané é a pinta da mãe!”.

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