Quando os grandes se apequenam!

Publicado em: 25/04/2012

É da nossa cultura: quem está no topo consegue nos fascinar. O grande artista, o jogador, o politico, o juiz, o cientista, o mestre, o professor, o empresário mexem com nossa cabeça. Creio que até inconscientemente eles nos servem de modelo, no fundo gostaríamos de estar no lugar deles, sonhamos em ser um deles. É assim com a grande maioria das pessoas que ainda não conseguiu sair da planície, mas que almeja estar no topo. É da nossa natureza. Por causa dessa realidade, quando os grandes se apequenam, quando o pedestal deles derrete, quando pisam no tomate, quando viajam na maionese, quando falham, quando erram ficamos frustrados, decepcionados. Ficamos tristes. Raramente admitimos isso, mas é assim que funciona. Ou, quando deles não gostamos, deixamos fluir um “eu não disse” de vitória… vitória que sempre será amarga.

Nos últimos dias registramos uma enxurrada de péssimos exemplos vindos dos grandões; até parece que o Brasil está encolhendo. Coisa de endoidar doido. Nesse mar de sandices selecionamos três fatos que nos deixam menores. O primeiro deles envolve o todo presente ex-presidente Lula.

Conforme os jornalistas Cátia Seabra, Felipe Seligman e Natuza Nery, da Folha de São Paul, “sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do Partido dos Trabalhadores se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão”. Não houve roubalheira nenhuma alega o ex-presidente (na época, assustado, demitiu o todo poderoso ministro José Dirceu), foi tudo invenção da imprensa burguesa.

Mais: segundo o jornalista Fábio Schaffner, da Zero Hora, perplexo com o rumo da CPI do Carlinhos Cachoeira que ele mesmo estimulou, Lula saiu a campo: “Temos que usar a maioria para evitar o que for inconveniente. Unir os aliados, colocar gente de confiança nos postos-chave e não deixar que a CPI contamine o governo”.

É ou não é um absurdo? Simplesmente Lula sepulta a esperança de que um dia a corrupção desapareça em nosso país. É ou não é chorar?

O segundo caso também é estarrecedor: juízes do Superior Tribunal de Justiça absolvem estuprador que abusara de três meninas de 12 anos sob a alegação de que elas não eram mais ingênuas, elas haviam se tornando prostitutas de longa data. O que dizer? Só posso imaginar que deu pane na cabeça desses juízes, não há outra explicação. Se as meninas eram prostitutas de longa data, começaram com sete/ oito anos? Por favor, que alguém me explique: eles toleram se as meninas começarem a se prostituir na infância?

Por último, a menos grave, mas geradora de perplexidade impar para os mortais comuns: dois juízes do Supremo Tribunal Federal (não custa reafirmar que se trata da mais alta corte de justiça do país) vão para um bate-boca típico de botequim.

Alguém me oriente: um pai de família aqui embaixo na planície, brigando a tapa pela vida, arrancando a fórceps o que necessita para encaminhar os seus, vai dizer o que para orientar um filho? Vai citar quem para modelo? Essas coisas funcionam como um veneno que vai penetrando lentamente e minando nossas forças, deixando, nos comuns mortais, aquela sensação de que o mundo está perdido.

Nesse quadro, qual é o pior? A postura do ex-presidente Lula é deplorável em todos os sentidos, mas manhã se ele voltar a se candidatar ganha a eleição fácil, fácil. Quer dizer, a culpa é só dele?

Ivaldino Tasca, jornalista

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