QUANTO MAIS VELHO, MELHOR

Publicado em: 19/03/2007

Guardar e saber os detalhes da história de objetos é uma mania para Gabriel Lúcio Silva, 35 anos. Embora negue que tenha apreço por “coisas velhas”, ele compra, ganha e mantém objetos de décadas bem anteriores ao seu próprio nascimento. No apartamento em que mora com a mulher, em Joaçaba, um quarto é reservado para as preciosidades de Gabriel.
Por Lílian Simoni*

Uma pequena pasta contém vários réis. Junto, um livrinho de capa azul, praticamente um minimanual das moedas brasileiras até a década de 1960, guarda os segredos das moedas. Em cima de um armário, quatro carros em miniatura. Não chega a ser uma coleção, mas são objetos dos quais Gabriel não se desfaz.


Foto: Gabriel Lúcio Silva.

Mas a paixão de Gabriel são mesmo os rádios antigos. Ele compra, vende e restaura os aparelhos. A recuperação é até motivo de um sonho de mudar do apartamento para uma casa.
 
– Em uma casa quero um local destinado a uma oficina, para ter mais espaço para os reparos. Em apartamento é complicado.
Em breve deve colocar no ar um site (www.radiolandia.hpg.ig.com.br) com informações sobre a história do rádio. Enquanto isso, entre válvulas, parafusos, fios e tomadas, realiza-se com os rádios.
Um dos aparelhos de valor inestimável para ele é um Zenith comprado pelo pai de seu sogro em 1943. Quando pegou o rádio, no ano passado, Gabriel constatou as marcas do tempo – o aparelho estava rachado e já não funcionava. Ele o desmontou, mandou fazer a caixa e a parte eletrônica – teve problemas maiores que seus conhecimentos – foi feita por um eletrotécnico de Florianópolis.
O rádio ficou numa caixa de madeira, trancado por um período. Na época foi proibido aos descendentes de alemães ouvir as notícias da 2ª Guerra. Um nó na madeira ajudou a família do pai de seu sogro a ouvir as novidades. Com um buraco aberto no nó, eles usavam uma chave de fenda para ligar e desligar o aparelho.
– As coisas antigas têm valor porque possuem uma história.
A mania de Gabriel em guardar coisas é tanta que até mesmo um exemplar do primeiro Diário Catarinense ele tem.
– Meu pai levou para casa o jornal, era novidade. Um dia vi numa caixa e resolvi guardar.
Gabriel Lúcio Silva
*DC Gente 13/03/2007. Quanto mais velho, melhor.
LILIAN SIMIONI – Joaçaba.


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