Que fria. Quem manda sou eu.

Publicado em: 19/08/2012

Memória | Capítulo 19 | Sérgio Fraga e Hugo Cunha

O Sergio Fraga e eu, em 1968, fundamos uma agência de propaganda, a Santa Lúcia, e nosso escritório era no 2º andar do Edifício Rio Branco, bem em frente ao restaurante do mesmo nome. Numa tarde, o Fraga, atendeu ao telefone e me passou o aparelho, dizendo: – É pra você. É a secretária do Dom Pedro.  Coloquei o fone no ouvido e fiquei à espera, enquanto conversava com meu sócio. Perguntei a ele: – Fraga, disseram que era o Dom Pedro? – É… Pergunte se é o Dom Pedro I ou o Dom Pedro II. Ingenuamente, brincando, pensando que ainda era a secretária que estava na linha, fiz a pergunta: – É Dom Pedro I ou Dom Pedro II?

E ouvi a voz conhecida e suave do nosso Arcebispo dizer do outro lado, pacientemente:

– É o Dom Pedro Fedalto, doutor Ubiratan.

Quase morri de vergonha e não sabia como me desculpar com o Arcebispo de Curitiba.

O Sergio Fraga se arrebentou de rir a minha custa.

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O Dr. Hugo Cunha, Diretor Técnico da Bedois por muitos anos, provavelmente para nos provocar, tinha o costume de se proclamar ateu. Numa época em que a Rádio Clube encerrava as suas transmissões à meia-noite, o locutor despediu-se dos ouvintes dizendo o tradicional “e até amanhã, se Deus quiser!”

Do bairro do Atuba, onde aguardava o encerramento das transmissões para fazer alguns reparos técnicos nos aparelhos, o “véio” Hugo se deu ao trabalho de telefonar para os estúdios só para dizer ao locutor:

– Se Deus quiser, não! Se EU quiser, porque depende de mim essa droga entrar no ar ou não amanhã.

Apesar desse ostensivo ateísmo, inúmeras vezes eu o ouvi dizer  “graças a Deus” quando superava alguma dificuldade.

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