Que música havia antes de 1930

Publicado em: 02/12/2007

O Sul do Brasil foi colonizado tardiamente. O Rio Grande do Sul e 90% do território de Santa Catarina eram “terras de ninguém” até 1750, freqüentadas por aventureiros, como bem registrou Érico Veríssimo em “O Tempo e o Vento”.
Por Homero M. Franco

Os aventureiros raramente faziam música e quando faziam, faziam-na conforme suas origens. Como eram de muitas nacionalidades, a terra de ninguém foi palco, principalmente, para as guitarras hispânicas e as gaitas alemãs e italianas.
Com a ocupação das terras por portugueses, após a derrota das Missões (1756) e mais tarde com a chegada dos imigrantes, a cultura musical estabilizou-se naquilo que se executava pelos artistas daquelas etnias: alemães, italianos, poloneses, além dos açorianos. O Sul conheceu o chote e a marcha alemães, a mazurca austro-húngara, que depois virou rancheira, a valsa vienense, a marchinha açoriana, a tarantela italiana e não teve como evitar as influências hispânicas, dada a proximidade e a facilidade com que argentinos e uruguaios penetravam as fronteiras não bem demarcadas. Chegamos a 1930 com quatro principais símbolos musicais de fundo luso-brasileiro daqueles tempos passados: Prenda Minha, Chote Laranjeira, Mate Amargo e Boi Barroso. Ao menos foi só isso que deu para documentar como folclore musical até 1945.
Sob a influência alemã e italiana havia muita coisa, mas a Guerra de 1939-45, em que a Alemanha e a Itália eram nossas inimigas, dava prisão cantar e falar nessas duas línguas. Isso também influenciou a adesão do imigrante ao movimento cultural iniciado pelos cetegês, como veremos no próximo artigo.


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