Que triste isso: morrer de tristeza!

Publicado em: 13/10/2008

Abro meus E-mails. O primeiro foi uma punhalada. Enviado por Roseane Mikosz, de Paranaguá. “É com muito pesar que comunico que meu pai, Ludovico, nos deixou no último dia 7/09”.

E prosseguiu: “Ele participou ao vivo do último programa do amigo Mozart de Moura na Difusora, se emocionou muito ao entrar no estúdio e saiu de lá sentindo-se mal. Conseguiu dirigir até em casa, levamos ele pro PS mas nada pode ser feito.

Embora meu coração esteja dilacerado com mais esta partida, sei que meu pai agora está bem melhor que aqui. Ele andava muito triste depois de ficar viúvo, além disso, o padre Sérgio atual diretor da Difusora, deixou-o de escanteio e isso de não poder ser útil acabou com as esperanças dele de um futuro melhor.

Encaminho ao senhor o último áudio do meu pai pra que guarde de lembrança, pois ele nos deixou uma bela mensagem de amor.
Obrigada pelo carinho que demonstrou tempos atrás quando esteve procurando-o. Percebi que ele o estimava muito. Abraços, Roseane”.

Ludovico era meu compadre. Ele e Rose já falecida também. Batizaram minha primeira filha, Miriam Carla, em Curitiba. Respondi imediatamente:

Mais um amigo que se vai, sem me comunicar
Bem feito prá mim que, tentando uma ou duas vezes telefonar e falar com ele desisti quando não consegui de imediato o meu intento.

Moramos parede-meia. (Ambos, locutores e produtores da Rádio Colombo (de Curitiba), na época pertencente aos Stresser, como também da Rádio Ouro Verde, no mesmo corredor do Edifício Pugsley e do Diário do Paraná). Amizade sincera, dividindo o pouco que tínhamos.

Era início de carreira. Carreira que foi longa. Proveitosa. Onde conseguimos levar muita alegria às pessoas desconhecidas, as quais nunca tiveram a oportunidade apertar nossas mãos, ou olhar em nossos olhos.

Velho amigo Ludo. Injustiçado Ludovico por alguns companheiros de profissão. Quanto tempo já passou desde as madrugadas na Rádio Colombo em Curitiba. Descanse em paz, amigo, meu irmão. Ainda nos falaremos para recordar bons tempos!

Comuniquei ao Ubiratan Lustosa, companheiro da época porque ninguém melhor do que ele para comunicar aos demais amigos do Rádio. Bira tem sites e, ainda, programas de Rádio.

Respondeu-me em seguida: Quando o Ludovico faleceu? Ele ainda estava atuando? Abraços. Bira

Expliquei como podia e sabia:

Ludovico – o Ludo, como o chamávamos desde a época da Rádio Colombo em Curitiba, morreu de tristeza. Ninguém, ao final da sua jornada em Paranaguá, reconheceu os seus feitos. Bradou aos quatro ventos suas façanhas. Ninguém ouviu ou deu importância. As pessoas a quem ele havia ajudado de tantas formas, esqueceram-se dele. E foi envelhecendo ao lado da sua família que não podia devolver-lhe a confiança que tinha nas pessoas.

Em sua última entrevista na Emissora que ele dirigiu, deixou bem claro esse abandono. Tentava sorrir, mas a gente, do outro lado do Rádio, sabia – por conhecê-lo – que o sorriso era artificial.

Morrer de tristeza. Ludovico mostrou como isso é possível. Tanto é que morreu.

Antunes Severo foi comunicado e, no site Caros Ouvintes inseriu a última gravação realizada por Ludovico, na Rádio de Paranaguá, que eu lhe enviei.

Como todos os Radialistas acompanham o site Criaticidade e Caros Ouvintes, poderão ouvir Ludovico Mikosz, pouco antes de morrer de tristeza.

O final da história de mais um amigo que se foi para o outro lado do estúdio da vida, deixo para o Ubiratan Lustosa:

“Que triste isso, amigo Donato. Quando a velhice chega muitos são os que pensam que já não somos úteis e nos descartam com impressionante frieza. Certamente a sensibilidade do Ludovico – característica dos verdadeiros radialistas – fez com que ele sofresse com a ingratidão e o menosprezo. Como lhe disse a filha dele, ele deve estar melhor do que aqui, longe de  incompreensões e falsidades. Deus seguramente lhe dará a recompensa que aqui lhe foi negada. Ubiratan Lustosa – Curitiba”

Fonte: www.jornallculturaelazer.zip.net

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