Quem pode participar da Comissão da Verdade?

Publicado em: 29/02/2012

A Comissão da Verdade era inevitável. Pela sua justeza e pelo oportunismo que alguns escondem ao reivindicá-la. Com ambiguidades ou não, deste encontro de contas a Nação não pode fugir. No país que tem ex-ditador como pai dos pobres a demora se explica também por isso. A Comissão vai colocar olho agudo nos períodos de exceção em termos de violação dos direitos humanos, especialmente na tortura praticada por agentes do Estado. Minha principal preocupação, porém, vincula-se aos critérios de escolha dos seus integrantes. O resultado final – que poderá ser nobre ou pífio – dependerá das pessoas que nela representarão a sociedade brasileira.

Quem participará da comissão? Eis a questão primordial. A escolha deve recair em quem tenha lucidez e coragem para agir com isenção, maturidade e sabedoria. Não é coisa pouca. A Anistia foi grande passo para reconciliar a Nação, mas, na justa medida em que a Comissão se tornou inexorável, deu mostra de que não foi suficiente. Não foi suficiente para boa parte da sociedade. Vamos, então, às ultimas consequências e não podemos mais errar. Assim, quem vai para a comissão?

Eu, por exemplo, creio não poder tomar parte dela embora tenha lutado contra a ditadura militar e sofrido consequências danosas que não tem reparação. Acredito estar moralmente impedido de integrar a comissão por ter defendido, durante os anos 60, governos genocidas e covardes como os de Fidel, Lenin/Stálin, Mao Tse Tung, família Ceausescu. Assim, quem teve a mesma postura não deve e não pode reivindicar assento nela, pois os crimes dos regimes comunistas que apoiamos ainda não foram julgados e a maioria de seus apoiadores foge de uma avaliação como o diabo da cruz.

Aliás, esse é tema a merecer nova abordagem oportunamente: as tiranias ditas de “direita” são julgadas e condenadas, nenhuma dita de “esquerda” vai ao banco dos réus? Vocês não acham isso estranho? Há postura ambígua a ser perscrutada: a crueldade da ditadura argentina é de natureza diferente da crueldade praticada pela ditadura stalinista? Sem consciência coletiva clara do que isso significa não estaremos livres de repetir os mesmo erros logo adiante.

Voltando: óbvio, quem apoiou a ditadura está excluído da lista de possível indicado, mesmo que suas razões, hoje em dia, encantem muito mais gente do que imaginamos. Deixando mais claro: quem apoiou a ditadura militar e hoje migrou e está dentro de partidos como PMDB, PDT, PSB, PT, PC do B, PPS, entre outros, deve reconhecer que esta não é tarefa sua. É coisa comum aqui no Rio Grande, por exemplo, encontrar hoje gente de “esquerda” que ontem fazia o jogo do arbítrio. É natural que as mudanças ocorram, mas elas trazem alguns limites para algumas ações.

No meu modo de enxergar as coisas, quem se omitiu – e não estou julgando – também não deveria estar na Comissão. Outra coisa, admiro e respeito quem foi para o exilio (obrigado ou espontaneamente), mas quem esteve fora no período da ditadura também não deveria integrar a comissão.

A Comissão da Verdade precisa atuar para ampliar a pacificação da Nação, deve completar a tarefa da Anistia e não pode se prestar a ranços ideológicos, ao oportunismo barato, não pode engordar discursos fáceis de utopias que se transformam em pesadelo. Precisa suturar as feridas, deixando cicatriz mínima, já que é impossível eliminar todas as marcas do mal que coletivamente geramos. P.S.: O pessoal que vai a Cuba beijar a mão dos irmãos Castro também não pode integrar a Comissão da Verdade.

A Comissão da Verdade era inevitável. Pela sua justeza e pelo oportunismo que alguns escondem ao reivindicá-la. Com ambiguidades ou não, deste encontro de contas a Nação não pode fugir. No país que tem ex-ditador como pai dos pobres a demora se explica também por isso. A Comissão vai colocar olho agudo nos períodos de exceção em termos de violação dos direitos humanos, especialmente na tortura praticada por agentes do Estado. Minha principal preocupação, porém, vincula-se aos critérios de escolha dos seus integrantes. O resultado final – que poderá ser nobre ou pífio – dependerá das pessoas que nela representarão a sociedade brasileira.

Quem participará da comissão? Eis a questão primordial. A escolha deve recair em quem tenha lucidez e coragem para agir com isenção, maturidade e sabedoria. Não é coisa pouca. A Anistia foi grande passo para reconciliar a Nação, mas, na justa medida em que a Comissão se tornou inexorável, deu mostra de que não foi suficiente. Não foi suficiente para boa parte da sociedade. Vamos, então, às ultimas consequências e não podemos mais errar. Assim, quem vai para a comissão?

Eu, por exemplo, creio não poder tomar parte dela embora tenha lutado contra a ditadura militar e sofrido consequências danosas que não tem reparação. Acredito estar moralmente impedido de integrar a comissão por ter defendido, durante os anos 60, governos genocidas e covardes como os de Fidel, Lenin/Stálin, Mao Tse Tung, família Ceausescu. Assim, quem teve a mesma postura não deve e não pode reivindicar assento nela, pois os crimes dos regimes comunistas que apoiamos ainda não foram julgados e a maioria de seus apoiadores foge de uma avaliação como o diabo da cruz.

Aliás, esse é tema a merecer nova abordagem oportunamente: as tiranias ditas de “direita” são julgadas e condenadas, nenhuma dita de “esquerda” vai ao banco dos réus? Vocês não acham isso estranho? Há postura ambígua a ser perscrutada: a crueldade da ditadura argentina é de natureza diferente da crueldade praticada pela ditadura stalinista? Sem consciência coletiva clara do que isso significa não estaremos livres de repetir os mesmo erros logo adiante.

Voltando: óbvio, quem apoiou a ditadura está excluído da lista de possível indicado, mesmo que suas razões, hoje em dia, encantem muito mais gente do que imaginamos. Deixando mais claro: quem apoiou a ditadura militar e hoje migrou e está dentro de partidos como PMDB, PDT, PSB, PT, PC do B, PPS, entre outros, deve reconhecer que esta não é tarefa sua. É coisa comum aqui no Rio Grande, por exemplo, encontrar hoje gente de “esquerda” que ontem fazia o jogo do arbítrio. É natural que as mudanças ocorram, mas elas trazem alguns limites para algumas ações.

No meu modo de enxergar as coisas, quem se omitiu – e não estou julgando – também não deveria estar na Comissão. Outra coisa, admiro e respeito quem foi para o exilio (obrigado ou espontaneamente), mas quem esteve fora no período da ditadura também não deveria integrar a comissão.

A Comissão da Verdade precisa atuar para ampliar a pacificação da Nação, deve completar a tarefa da Anistia e não pode se prestar a ranços ideológicos, ao oportunismo barato, não pode engordar discursos fáceis de utopias que se transformam em pesadelo. Precisa suturar as feridas, deixando cicatriz mínima, já que é impossível eliminar todas as marcas do mal que coletivamente geramos.

P.S.: O pessoal que vai a Cuba beijar a mão dos irmãos Castro também não pode integrar a Comissão da Verdade.

Ivaldino Tasca, jornalista

[email protected],br

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