Queremismo

Publicado em: 10/04/2012

Leio que o bom padre Bianchini quer uma catedral nova. Leio, também, que o Celestino quer um palácio para a cultura. O povo quer uma ponte, o Darci (Lopes) quer televisão, os cronistas querem um estádio, o doutor Acácio quer a colaboração da comunidade, o Avaí quer uma vitória, o Caruso quer um jardim no Ribeirão. Mas como tem gente querendo nesta cidade! O Marcílio quer uma estátua, o jovem Galeti quer ser líder politico, o Silveira Lenzi quer um jornal, o Admar Gonzaga quer um centro de turismo, os estudantes querem uma viagem de estudos, o doutor Bender quer ser governador, o que não é vantagem nenhuma porque Governador tem uma porção de gente querendo ser. O Joãozinho Assis quer ir ao Paraguai, o Dorival da Silva Lino quer tirar férias, o Jali quer uma rosa, o Avaí quer um presidente, a polícia quer um assalto para testar a sua eficiência.

Todo o mundo está querendo alguma coisa.

É preciso colocar em ordem essa orgia reivindicante.

O que é mais importante, afinal?

O estádio dos cronistas ou a rosa do Jali?

A ponte do povo ou o jardim do Caruso?

A televisão do Darci o a catedral do padre Bianchini?

Essa babel queremista não pode continuar.

Convenhamos, é muito difícil resolver todos esses problemas e todos esses peditórios numa só vez.

Justamente por causa disso, o doutor Acácio e o doutor Ivo já nem sabem se visitam a macro ou micro, quando saem da Grande Florianópolis já estão entrando na Grande Blumenau, é sociedade pró-Isso, sociedade pró-Aquilo, é ponte para que te quero ponte, é estádio, é estátua, Palácio da Cultura, feira da Indústria, exposição de bovinos, feira do livro, sexta-feira santa, sábado, domingo, São João, Casa do Jornalista, Adão Miranda, banda, micro e macro, macro e micro, microfone, comunidade, rosa rebelde, Alírio, olhai os alírios do campo, micro, macro, micro…

Não há cuca que aguente.

Acho que nós, do povo devemos ajudar a boa gente do Governo e encontrar uma saída.

Se todo o mundo continuar querendo, querendo, não vai sobrar ninguém para atender.

E isso é uma encruzilhada trágica, é o desastre, o fim, a hecatombe, a guerra civil.

Florianópolis, uni-vos!

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As senhoras e senhoritas que me dão a honra de sua leitura, podem anotar uma dieta infalível para conservar uma silhueta impecável. Trata-se de uma notável e recente descoberta de um sábio alemão, especialista no assunto. É um exercício: basta sacudir a cabeça, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, cada vez que lhe oferecerem algo de comer.

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Foi achado um jipe de ano incerto, sem placa.

Quando foi achado até que estava em condições razoáveis, mas agora está em petição de miséria. A única notícia que se tem sobre o veículo é que foi deixado no quartel da Polícia Militar por um motorista de uma repartição pública não identificada, logo depois da última eleição. O pobre do jipe continua no pátio do quartel, também ao sole ao sereno. Que o tiver perdido queira, por favor, retirar o traste do quartel.

Ah! A Ilha!

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O vereador Murilo Vieira garante que os atuais estudos municipais concluirão pela construção da estação rodoviária em São José. O argumento dos estudiosos e técnicos: A Grande Florianópolis tem de ter todas as suas coisas estudadas nos mínimos detalhes, comum planejamento integral e integrado.

Por que não em Itajaí?

A estação rodoviária de Florianópolis deveria ser construída em Itajaí.

Assim o cidadão que estivesse em Itajaí, pretendendo viajar até Florianópolis, faria uma bruta economia. Pegava a malinha, botava de baixo do braço, entrava na rodoviária, sentava num banquinho e já estava em Florianópolis.

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A piadinha maldosa corre, rápida, nos Estados Unidos.

Madame Bouvier telefonou para Jacqueline, no dia do seu aniversário.

–       My dear, how are You?

–       Bad, bad. I’am in bed, with arthrytis.

–       Arthrytis? And what happened with the other gree, my dear?

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De um canto de jornal:

Tipo do sujeito burro.

Denunciou o primeiro comunista: denunciou o segundo; denunciou o terceiro; denunciou o quarto.

Aí foi preso.

Conhecia comunistas de mais.

Do livro As soluções finais. Adolfo Zigelli. Editora Lunardelli, 1975. Esgotado.

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