Rádio: a força da informação

Publicado em: 15/10/2007

Com o advento das novas tecnologias da eletrônica, as emissoras de rádio em ondas médias, curtas e FM transformaram-se em toca-discos nos fins de semana, especialmente, aos domingos.  Na maioria das estações, é raro encontrar algum profissional de jornalismo de plantão ou com programação ao vivo. 
Por Moacir Pereira

 É raro algum fato inesperado ou tragédia estadual e nacional merecer registro na maioria das emissoras aos domingos. Noticiar o falecimento de alguma autoridade ou personagem popular da cidade e do Estado, comum nas décadas de 60 e 70, hoje é praticamente impossível.
A CBN-Diário de Florianópolis quebrou esta tendência que se espalha pelo Estado e pelo país, mantendo a programação jornalística aos sábados e dedicando a maior parte do domingo as tradicionais jornadas esportivas.
Estas, sim, feitas direto dos estádios e com mobilização de vários profissionais no estúdio, permitem o registro de fatos marcantes de real interesse público, ainda que sem relação direta com os esportes.
A importância do rádio-jornalismo, os impactos que pode provocar na comunidade e sua capacidade de gerar fatos políticos foram comprovados durante a última viagem do prefeito Dário Berger a Lisboa, logo após a citação oficial de seu nome no contexto da Operação Moeda Verde.
No auge da crise causada pela revelação de gravações telefônicas feiras pela Polícia Federal e remetidas, em documento do juiz federal Zenildo Bodnar, da Vara Ambiental de Florianópolis, ao presidente da Câmara Municipal, vereador Ptolomeu Bittencourt Júnior, a CBN-Diário escreveu mais um capítulo na história do rádio-jornalismo profissional e criativo que se pratica em Santa Catarina.  Com mais esta realização, manteve o padrão de qualidade da informação que marcou a empresa nos áureos tempos da Diário da Manhã, especialmente, no período em que ali trabalharam o jornalista Adolfo Zigelli e vários nomes de expressão da comunicação eletrônica do Estado na segunda metade do século passado.
O prefeito Dário Berger viajou a Portugal mantendo o mais absoluto silêncio sobre a polêmica revelação contida nas gravações telefônicas sobre suposto pagamento de 500 mil reais do empresário Fernando Marcondes de Mattos à campanha de seu irmão, o deputado federal Djalma Berger, e ao comitê estadual do PSDB. Silêncio que acabou gerando especulações e dando maior repercussão àquelas revelações do ex-vereador Juarez Silveira.
A CBN-Diário tem, nos sábados pela manhã, programação ao vivo, o que permite intervenções externas sobre algum evento em andamento na capital.
Naquela ensolarada manhã do final de julho, nenhum fato, atividade esportiva, reunião política ou encontro econômico estava programado. Era uma manhã daquelas mornas, quase enfadonhas, sem qualquer acontecimento para registrar ou repercutir.
O repórter Rafael Faraco estava estreando como apresentador. Na produção, o experiente Antônio Neto, que já tivera participação ativa na cobertura do “apagão elétrico” de Florianópolis, o que lhe rendeu prêmio no grupo RBS e referência especial no livro “CBN-Diário – uma luz no apagão”, dos jornalistas Carol Denardi e Ricardo Medeiros, recentemente editado pela Editora Insular, em mais uma iniciativa da Associação Catarinense de Imprensa.
Calendário frio, jornais diários normais e rádios tocando música num sábado completamente vazio.
O jornalista Antônio Neto coloca, então, sua criatividade e seu senso jornalístico em ação. Começa colocando no ar, direto da cidade de Porto, em Portugal, o repórter Renato Igor, que estava concluindo cobertura internacional sobre a missão do governador Luiz Henrique da Silveira à Europa.
Depois de relatar os contatos da comitiva catarinense, Renato Igor menciona a falta de informações oficiais sobre o destino do prefeito Dário Berger que, segundo as noticias de Florianópolis, já havia desembarcado em Lisboa.  O correspondente internacional dos veículos da RBS cria, então, um tom misterioso sobre a visita do prefeito da Capital, mencionando seu silêncio em Florianópolis sobre as denúncias contidas nas gravações enviadas pelo juiz ao legislativo da cidade.
Viajando naquele momento de Florianópolis ao interior de Tijucas, onde teria um encontro com amigos, ligado na CBN-Diário, ouvia todo o relato de Renato Igor, quando o celular chama.  Do outro lado, Antônio Neto pedindo novas informações sobre a crise envolvendo o Prefeito.  Solicitou minha intervenção, para comentar o polêmico e explosivo assunto. Entrei no circuito, analisando os fatos envolvendo o prefeito e a agenda que deveria cumprir em território português. Rafael Faraco no estúdio e Renato Igor ao telefone deixaram um clima de suspense no ar, após minha intervenção. Permaneci ligado e testemunhei na seqüência um rádio-jornalismo da melhor qualidade. Sucessivamente, Antônio Neto colocou no ar para entrevistas esclarecedoras de Rafael Faraco, o empresário Fernando Marcondes de Mattos e o vereador Michel Curi.
Na retaguarda, Renato Igor em Portugal e Antônio Neto em Florianópolis falavam com o secretário Mário Cavalazzi, que acompanhava o prefeito. Ato contínuo, Igor procura contato de Porto com Dário Berger, que estava chegando naquela hora no hotel de Lisboa. Motivou-o a conceder a entrevista, diante do impacto que as notícias produziam em Santa Catarina.
Dário Berger concordou e Neto passou a contatar com Renato Igor, para fazer a entrevista diretamente de Portugal. 
No estúdio do Morro da Cruz, o operador Geraldo Américo articulou a triangulação. E seu colega Eduardo Macedo, acionou a mesa eletrônica para executar o projeto, desencadeando a gravação.
Tudo combinado, a entrevista foi gravada em Florianópolis, com Renato Igor em Porto, Dário Berger em Lisboa via estúdio da CBN-Diário.
Enquanto a entrevista era gravada, o repórter Rafael Faraco dava outras notícias, mantendo permanente expectativa crescente e anunciando a entrevista exclusiva para qualquer momento.
Finalmente, Dário Berger conversou durante 14 minutos com Renato Igor, que, mesmo distante dos acontecimentos, produziu uma matéria reveladora e de impacto, fazendo indagações sobre os temas mais quentes que envolviam o prefeito, a polêmica Lei de Incentivo ao Turismo de Florianópolis, que acabou gerando a Comissão Processante da Câmara Municipal de Florianópolis.
O fim de semana, que começou com céu azul e sol forte, mas frio no noticiário em geral, chegava ao meio dia com fatos políticos e revelações de repercussão política a revelar a importância do rádio e a força do jornalismo na comunidade.
A CBN-Diário cumpriu sua missão, abriu espaços preciosos para entrevistas, executou um trabalho técnico irrepreensível, debateu temas da atualidade e prestou mais um serviço de real interesse público a população catarinense.
 


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