Rádio Alegria, quando o FM ultrapassou o AM na Grande Porto Alegre

Publicado em: 11/11/2007

Proprietário da Laser FM, rádio voltada ao segmento musical jovem, o empresário Antônio Gilberto Ody compra, em 26 de agosto de 1988, a Imigrantes FM, que, operando também em Novo Hamburgo, ocupa os 92,9 MHz. O empresário começa a definir, então, o formato da sua nova emissora. O objetivo básico é atingir as classes C, D e E, explorando um segmento de audiência não contemplado pelas estações do Vale do Rio dos Sinos, na região próxima à capital gaúcha. Por Luiz Artur Ferraretto

Pesquisas realizadas na época apontam a existência de um espaço para algo novo em freqüência modulada, sem definirem, de modo claro, o que isto significa. Conversando, informalmente, com ouvintes potenciais, Ody constata que há a necessidade de uma rádio que dialogue com as pessoas, dando respostas a algumas carências afetivas do público.
– Partindo desse achado intuitivo, iniciou-se a formatação da nova emissora. Ela deveria criar uma relação de amizade com os ouvintes, falando uma linguagem simples, sem exageros verbais. Deveria ser uma rádio alegre, que levantasse o astral dos ouvintes, envolvendo-os dia e noite num clima de aconchego e respeito, com recados, momentos de amor, conselhos, mensagens de otimismo e muita música. O formato da conversa amiga estava definido.
Um boa dose de intuição – acrescida de dados de realidade – também vai definir o conteúdo das transmissões, a partir da observação que Antônio Gilberto Ody faz das reações do público durante os shows que integram a programação da Sinosfest 88, festa regional que acontece de 14 a 30 de outubro daquele ano nos pavilhões da Feira Nacional do Calçado (Fenac), em Novo Hamburgo. Estão lá a MPB e o samba de Jorge Ben, o rock do TNT, o pop do Barão Vermelho, o regionalismo de Renato Borghetti e o sertanejo de Chitãozinho e Xororó.


Adesivo da Rádio Alegria (1992)

– Eu já tinha um pressentimento de que o sertanejo iria acontecer, pois há muito tempo eu tinha assistido a um show do Chitãozinho e Xororó no Olímpia, em São Paulo, e notei as pessoas muito contentes. Na Fenac, as apresentações do TNT tiveram uma média de 2.500 pessoas; as do Jorge Ben Jor, umas 4.500. E a coisa foi por aí com os outros artistas. Até que, no dia do show da dupla sertaneja, tinha perto de 45 mil pessoas. E o mais importante é que, no dia do show da dupla, mudou o comportamento do público. A alegria passou a ser compartilhada por todos em conjunto. As pessoas estavam felizes, se abraçando e cantando juntas. Elas sabiam de cor as letras das músicas. Então eu pensei: É isto aí! Vou tocar música sertaneja.
Assim, às 6h do dia 18 de fevereiro de 1989, nos 92,9 MHz, entra no ar, rodando Estrada da Vida, da dupla Milionário e José Rico, a Alegria FM. Amparada no slogan “A rádio do coração”, a emissora vai carrear um novo tipo de público para a freqüência modulada.
Apesar de um certo descrédito por parte das agências de publicidade – afinal, ainda persiste, na época, uma noção de que o FM é exclusividade de um público mais elitizado –, a estação pertencente a Antônio Gilberto Ody passa, em 30 dias, da 13ª para a segunda posição na audiência geral, atingindo o primeiro lugar já em abril.
Assim, ao se voltar para as classes C, D e E, a Alegria FM reconfigura o mercado, como explica o gerente regional do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, Domício Torres:
– Nós não tínhamos em Porto Alegre uma rádio em FM voltada à música sertaneja e a Alegria estava entre a Atlântida e a Cidade, duas emissoras que juntas tinham mais de 70% do share das emissoras em FM. No momento que Antônio Gilberto Ody colocou música sertaneja, 70% dos ouvintes de FM tomaram conhecimento sem propaganda nenhuma. A explosão dela foi fantástica e, em menos de dois meses, ela já estava em primeiro lugar. Isto fez com que do AM – da Eldorado, Caiçara… – migrassem ouvintes para o FM. A partir dali, houve a migração para o FM.
Hoje, conforme dados do Ibope, a quantidade de ouvintes das emissoras em FM é quase três vezes maior do que a de em AM, uma realidade que tem na sua origem a Alegria FM e remonta ao início dos anos 90 do século 20.
 


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4 respostas
  1. Rodrigo says:

    Ola. Sou de Pelotas. Adoro demais a rádio Alegria. Ela tem locutores carismáticos , programação alegre que toca o nosso coração e nos da força , energia e emoção.
    A alegria esta de parabens pela programação. Mas poderia ter um telefone convencional pra nós ligar. Pois gasto muito pra ligar para o portal de voz. Grande abraço amigos da Rádio Alegria e continuem assim com todo esse sucesso. Vcs merecem mesmo. Sou fã de vcs. ass: Rodrigo Seichelles de Pelotas , Centro.

  2. Antunes Severo says:

    Caro Rodrigo, um caminho mais econômico e funcional é você acessar o site da Rádio Alegria na Web: radioalegria.com.br Grato pelo contato.

  3. Gilson says:

    É uma pena que a radio tenha deixado o Sertanejo verdadeiro de lado, pouquíssimo espaço para as duplas de maior sucesso, Xitaozinho e Xororo, Christian e Half, Gean e geovane, Mato Grosso e Mathias, Teodoro e Sampaio sem contar com a mauir de todas que simplismente foi banada da programção Milionario e Jose RIco. Não está na hora de rever isto?

  4. Mauricio says:

    O Problema é que essas duplas de sertanejo antigo, já foi.
    Tem que acompanhar as tendências. As pessoas que ouviam esses sertanejos naquela época já morreram. Tem que mostrar o sertanejo alternativo (moderno) para as novas gerações.

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