Radio Criativo 08

Publicado em: 11/04/2006

Difusora Teis Estelas
Amados ouvintes leitores e leitoras, aqui está o script  do nosso programa de hoje, que tem número par, e como todos lá em casa devem saber, é dia de besteiras, desopiladoras universais, que aqui são quase gratuitas, custam só alguns minutinhos de leitura. Vou chamar a nossa locutora pagã, ainda não batizada, para contar a vocês o caso daquela rádio sem erres (técnica, gargalhadas). É com você, menina!
Por José Predebon

(técnica, acorde e BG feminil) Obrigado, Predeba, alô, pessoal, aqui estou eu de novo, ainda sem nome profissional, esperando as sugestões, e se no correr dos próximos dois anos ninguém se arriscar, vou acabar adotando a alcunha de Jadice mesmo (técnica, vaias). Hoje vou contar um caso trazido por uma minha amiga que disse que precisa ficar anônima, pois o caso é real e passou-se em sua pequena cidade, onde todos a conhecem. Então, apesar de ter trocado os nomes dos protagonistas, só com o nome dela muita gente já descobriria tudo, entendem? Bom, vamos ao caso, com todos os nomes fictícios.
Rio Torto, cidadezinha no sopé da serra, tinha a Rádio Difusora Três Estrelas. Ela até ia bem das pernas. Mas seu proprietário, o Jamil, um jovem muito vivo, percebeu que estava bloqueado pela política local, da qual ele não participava. Dois coronéis da região dividiam a sociedade de Rio Torto em duas metades que nem pensar em se misturar.
Quando a rádio de Jamil fazia alguma menção a alguém de um lado político, precisava imediatamente compensar fazendo o mesmo para alguém do outro lado. A rádio tinha dois locutores, cada um ligado a um lado. Tudo era assim, e não era nada fácil. Então  Jamil tomou sua grande decisão: vender aquela emissora e partir para uma cidade maior, onde poderia crescer fazendo rádio independente da política.
Tinha marketing em seu sangue, e por isso fez um plano: vender sua emissora para o prefeito, um dos chefes políticos. Chamou um amigo comum e ofereceu-lhe uma comissão para ele fazer a venda. O outro coçou a cabeça e disse: “Posso oferecer, mas pra ele comprar você precisa antes mudar o nome da rádio”. Como assim? “Talvez você não lembre, mas ele tem a língua meio presa, não fala direito os erres, e eu sei que ele já deixou de comprar o cavalo Tigre  e até a fazenda Tronco Preto, e só porque tinham erre no nome, ele disse que “não pestavam.” Jamil não perdeu tempo, fez um concurso para os ouvintes rebatizarem a emissora, escolheu o nome vencedor: Estação Boa Notícia. E o amigo intermediou o negócio com sucesso, e todo mundo ficou feliz. A história da minha amiga anônima foi essa, acharam “gaça? ” – Ela vai receber o romance Caleidoscópio como prêmio. O predeba disse que conhecia casos parecidos, e um deles até está em sua coleção de pérolas de 500 caracteres, aquelas que locutor de futebol pode ler em trinta segundos. Aqui está:
OK, MISTER
As terras em volta de Inhamburguarão, que dista cem quilômetros de uma capital nordestina, eram ricas em minérios, explorados pela Companhia Inhamburguarão S.A. Iniciando-se os tempos de globalização, ela foi devidamente comprada pelos gringos. Altos, loiros e sorridentes, nem tentavam pronunciar o nome da empresa, que eles diziam ser “nouss coumpennya”. Isso até que o advogado brasileiro, pago para facilitar tudo, encantou os novos donos ao sugerir um nome mais internacional: Hamburg S.A. Com o tempo o facilitador passou a ser “nouss brazilian director”. Tudo aurraite.

Ouvintes, é isso por hoje, estarei com vocês nesta mesma emissora, neste mesmo horário, em nossa próxima audição, quando eu espero que já possa ter recebido sugestões para meu nome de guerra. Já disse que se vocês não mandarem nada, eu fico me chamando Jadice mesmo. E não se esqueçam, rir faz bem à saúde!
(Técnica, acorde de encerramento)


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