Rádio, Crítica, Telefonias: uma aventura no jornal Público de Lisboa

Publicado em: 23/01/2010

Foram 18 textos no total, sem muita periodicidade, entre março de 1994 e fevereiro de 1996. Em alguns momentos de entusiasmo, chegaram a ser semanais, em outros sumiram por mais de seis meses, pois a prioridade, naquele período, era outra – produzir a minha tese de doutorado para a Universidade Nova de Lisboa – que resultou no livro “A Rádio na Era da Informação” (Coimbra, Minerva, 1999) o primeiro do mundo a seguir o Acordo Ortográfico que só entraria em vigor muitos anos depois.

Nas edições brasileiras do livro (Insular-Edufsc, 2001/2007), “a rádio” virou “o rádio”, questão de gênero que o acordo ortográfico não unificou. Outros tantos desacordos entre o idioma de Eça e sua versão tupiniquim foram solucionados pelo jornalista José Mário Costa, que tive a sorte de ter como meu copidesque: é o fundador do site Ciberdúvidas em Língua Portuguesa (www.ciberduvidas.com), criado para responder perguntas dos usuários de todos os continentes.

Foi também ele quem apadrinhou o projeto junto à direção do Público, que muito me honrou, pois já era então o melhor diário de Portugal e o mais lido pela elite do país. Um jornal arrojado a ponto de convidar um acadêmico brasileiro para criticar o rádio de seu país. Ao contrário do que ocorre aqui, a mídia européia tem um enorme respeito pela universidade, e os jornalistas se consideram intelectuais eles mesmo.

Os primeiros textos da série saíram com a cartola “rádio” no suplemento Telepúblico, publicado aos sábados em formato de revista com a programação de rádio e TV de toda a semana acompanhada por críticas. Depois, passaram para as páginas do caderno principal, com a cartola “crítica”, e mais tarde com o título para mim curioso de “telefonias”, acompanhado sempre pela foto deste autor.

“Telefonia sem fio”, expressão que vem do francês, é como o rádio era chamado antigamente nos dois países – e continuava sendo pelos mais velhos de lá. Inspirou até o nome da TSF (www.tsf.pt), a principal emissora jornalística do país, que vale à pena ouvir pela internet. São textos datados, de uma década e meia atrás, que trazem dados factuais de uma rádio portuguesa que já mudou bastante desde então. Mas trazem também algumas reflexões sobre o meio que, creio, seguem tendo alguma validade para pensar também o rádio deste lado do mar. (E.M.)

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *