Rádio digital – 05

Publicado em: 24/02/2008

No momento em que se transita para a digitalização dos meios de comunicação, a velocidade peculiar ao rádio manifesta-se ainda mais intensa nas decisões políticas e de mercado acerca das escolhas tecnológicas.
Por Antonio Paiva Rodrigues

Neste caso, porém, tal rapidez pode ser prejudicial aos futuros ouvintes, pois a sociedade e a comunidade científica estão sendo praticamente ignoradas. Os empresários do setor adiantam as suas preferências, antecipando-se a qualquer possibilidade de debate público sobre a questão. Para justificar o processo oblíquo de escolha do que será o rádio digital no Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu Consulta Pública para avaliar o Iboc, padrão americano escolhido pelos radiodifusores para ser instalado no país.
A tecnologia do Rádio Digital é rica e importante e os sistemas têm suas nuanças positivas e negativas, é preciso estudo apurado e planejamento bem elaborado para que o tiro não saia pela culatra. Se existe algum sistema em teste, temos que medir ou prós e os contras e dirimir as dúvidas para não termos que lamentar depois, nem sempre o mais accessível é o melhor.
Enquanto ainda se definem especificações técnicas e critérios diplomáticos de cooperação entre Brasil e Japão para a instalação da TV digital brasileira, o sistema de digitalização do rádio se encaminha ao que tudo indica, para uma definição bem mais rápida. A agilidade, característica intrínseca do rádio, se transpõe para as decisões políticas sobre o veículo, com resultados discutíveis.
É certo que o governo não definirá padrão de rádio digital. O que mais se lamenta é que ninguém dos movimentos populares participa da discussão da definição de modelo para o rádio digital. Oficialmente nada foi definido, mas começam os testes com o padrão IBoc, padrão este que assegura nenhuma alteração na concentração de mídia no país.
Há padrões mais interessantes como o DRM, que permite o aumento expressivo de emissoras no dial, o que representaria para as rádios comunitárias um avanço porque acabaria teoricamente com o problema de falta de canal. Na verdade, sabe o que vai acontecer? Os testes vão começar no padrão que interessa aos radiodifusores comerciais (IBoc) e depois através dos laudos que serão apresentados sobre os resultados dos testes vão convencer o governo “documentalmente” e firmar esse modelo como definitivo.
 


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