Rádio digital 06

Publicado em: 01/03/2008

Será que o Rádio Digital irá mesmo para o fundo do poço como muitos imaginam? Será que o Brasil não está preparado para receber essa tecnologia? Será que a população mais humilde poderá arcar o ônus dessa digitalização?
Por Antonio Paiva Rodrigues

As empresas nacionais de TV e rádio terão isenção de tributos para importar os equipamentos necessários à implantação do sistema digital no país, afirmou o ministro das comunicações, Hélio Costa.
Ele se reuniu com os dirigentes das principais empresas do setor na sede da Associação das Emissoras de Rádio e TV de São Paulo. É um grande passo, mas não uma certeza.
Os testes de transmissão de rádio digital começaram no dia 26 de setembro de 2007 como parte da comemoração dos 84 anos do rádio no país. Segundo o ministro Hélio Costa, a escolha do padrão a ser utilizado ficará a cargo das próprias empresas do setor. O presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), José Inácio Pizani, disse que as primeiras experiências serão feitas por “meia dúzia de emissoras” na cidade de São Paulo usando o sistema norte-americano Iboc. Hélio Costa, o ministro das Comunicações, disse que os testes também serão realizados por emissoras das principais capitais brasileiras no sistema europeu DRM.
Iboc ou DRM? Tem muito água para correr debaixo da ponte com certeza. O mais importante é que essas condições não sejam desprezadas. O sistema adotado deve estar tecnologicamente atualizado para evitar rápida obsolescência dos receptores. A regulamentação necessita ser flexível e deve ser instalada de forma progressiva (ao longo do período de transição). A digitalização deve estimular o desenvolvimento da indústria nacional de equipamentos e serviços.
O preço dos receptores não pode criar exclusão de ouvintes.Parte das aplicações interativas deve visar o bem público e estar ao alcance da população de baixa renda. As populações periféricas são as que mais gostam de rádio. Também há implicações para os radiodifusores: a  transmissão simultânea analógico-digital provocará ônus para as emissoras.
Há ainda implicações para a Anatel: a transmissão simultânea analógico-digital provocará reflexos na canalização, por ocupar as faixas laterais do canal. Dois padrões de transmissão são potencialmente compatíveis com o desejado: o Ibiquity- norte-americano (OM e FM) e o DRM (Digital Radio Mondiale) – europeu
(OM, OC e OT).
Os testes autorizados tiveram como objetivo: Avaliar o desempenho do sistema, considerando os quesitos: qualidade do áudio, área de cobertura, robustez com relação a ruídos, interferências e efeitos dos múltiplos percursos. Avaliar a compatibilidade do sinal digital com os sinais analógicos existentes (Exceto para OC); impacto do sinal digital na recepção do sinal analógico transmitido simultaneamente e impacto do sinal digital na recepção de sinais analógicos no mesmo canal e em canais adjacentes, além de considerar a compatibilidade da área de cobertura.
Para encerrar, registramos que o governo demonstra interesse em ser parceiro da empresa norte-americana i-Biquity, (detentora da tecnologia HD Radio) – no desenvolvimento de um sistema de transmissão e recepção de rádio digital adaptado às particularidades brasileiras. O anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, em reunião, em Brasília, em 13 de dezembro de 2007, quando se reuniu com 89 professores e pesquisadores ligados ao Núcleo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).
A comissão, integrada pelos professores Luiz Artur Ferraretto, Nair Prata e Nélia Del Bianco, entregou ao ministro uma carta com propostas de parâmetros científicos para a adoção de uma tecnologia digital para o rádio. O encontro foi intermediado pelo secretário de Telecomunicações, Roberto Martins.
Agradecemos a colaboração do Superintendente de Serviços de Comunicação de Massa, Ara Apkar Minassian, pois sem sua ajuda não teríamos conseguido êxito na construção dessa matéria de um assunto polêmico, altamente tecnológico e que vai mexer com a cabeça de muita gente. Visto que a maioria da população brasileira ainda não está em condições de arcar com os altos preços que o Rádio Digital exige para que tenhamos um som de qualidade, limpo e sem interferências.
Somos gratos a Takashi Tome pela colaboração e ao site http://www.radiolivre.org/digitalizacao que também nos serviu de fonte.
 


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