Rádio digital a perigo… na Europa. E aqui?

Publicado em: 09/03/2008

Uma das últimas edições da revista Carta Capital trouxe uma análise muito interessante e provocativa, sobre o futuro do padrão digital de rádios na Europa. O analista Felipe Marra Mendonça, autor da matéria, ateve-se a notícias e declarações publicadas pelo “Guardian”, que levantou a questão.
Por Carlos Braga Muller

Em grande parte da Europa é usado o sistema digital DAB, ou Digital Áudio Broadcasting, criado na década de 1980 e introduzido por volta de 1995. Portanto, não é coisa nova, tanto assim que se calcula que existam hoje cerca de 9 milhões e 100 mil aparelhos de recepção digital na Grã-Bretanha. Em compensação, os aparelhos analógicos ainda são mais de 100 milhões e não existe uma data estabelecida para que as transmissões do sinal antigo sejam cortadas. O governo não é maluco de fazer isso, dizem os ingleses.
Para a diretora de Mídias Futuras e Tecnologia da BBC de Londres, Ashley Highfield, um rádio DAB funciona muito bem. Ela simplifica, dizendo que “basta apertar um botão e tudo acontece: qualidade excelente, uma gama relativamente boa de escolhas, nenhum problema.”
Mas parece que não é bem assim. Porque o som de mais fidelidade, maior número de estações na mesma faixa e sinal resistente a interferências nem sempre funcionam como deveriam. Testes feitos no Reino Unido, na Suíça e na Escandinávia revelaram que a qualidade de áudio de algumas digitais é pior que a de uma FM. E isto simplesmente porque a maioria das estações codifica o sinal em baixa qualidade, prejudicando a vantagem inicial do formato.
De outro lado, a indústria fabricante dos aparelhos reclama que os lucros do negócio praticamente não existem. Os custos são altos e o formato não gera lucro, alardeiam os analistas, confirmando as queixas dos empresários. E a culpa principal da derrocada recai adivinhem em quem? Isto mesmo, na internet!
Os consumidores estariam trocando a opção de comprar aparelhos novos, digitais, pelo prazer de ouvir suas estações preferidas “on-line”, mesmo reconhecendo que a qualidade do protocolo de transmissão na Internet não é boa.
Na Grã-Bretanha, o governo optou pelo sinal DAB para que as emissoras comerciais se igualassem à qualidade da BBC. Todavia, a declaração velada de alguns empresários de rádio daquele país ao “Guardian” é de arrepiar: 
“Todos têm medo de dizer isto publicamente, mas se pudéssemos, todos nós (rádios digitais) devolveríamos nossas licenças de DAB amanhã”.
Talvez tamanha aversão se deva ao fechamento de duas estações no final de 2007, a Oneword e a Core. Ou então a outras duas que, corda no pescoço, estão efetuando cortes no orçamento.
O único consolo é que as vendas de aparelhos digitais no Natal, na Grã-Bretanha, ultrapassaram as expectativas. Foram vendidos mais de 550 mil rádios em dezembro.
E no Brasil?
Nosso companheiro de Caros Ouvintes, Antônio Paiva Rodrigues, vem se reportando ao assunto de forma constante.
No jornal “O Estado de São Paulo”, Ethevaldo Siqueira já encheu páginas e páginas, escrevendo sobre o rádio digital no Brasil. Até bateu boca com Hélio Costa, Ministro das Comunicações, foi processado por ele, absolvido, uma verdadeira novela.
Indicado  pelos empresários de radio no Brasil, o sistema que está sendo testado (até quando ?) é o IBOC –  In Band On Channel, norte-americano. Mas outros, inclusive europeus, não foram descartados.
Um grande inconveniente no IBOC é um “delay” de 8 segundos do sinal digital em relação ao analógico. É possível reduzi-lo, mas não eliminá-lo completamente, segundo os técnicos.
Na verdade, o grande concorrente do rádio digital em países do primeiro mundo é a própria rádio digital, só que oferecida por assinatura, via satélite.
Nos Estados Unidos duas empresas exploram o serviço. Uma oferece 170 canais; a outra 198 canais. Uma programação diversificada que abrange música pop, jazz, clássicos, óperas, notícias, esportes, serviços…
E o mais preocupante para os donos de rádio nos Estados Unidos é que a indústria automobilística de lá resolveu apoiar rádios digitais via satélite, incorporando um receptor nos carros novos de padrão mais elevado. Neste pequeno receptor, acoplado ao rádio do carro, aparecem na telinha informações com o nome da música, intérprete, etc. E a assinatura é uma ninharia: apenas US$ 12,95 por mês.
 


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