Rádio digital à vista ou Rádio digital a prazo…

Publicado em: 26/10/2008

Faz mais de cinco anos que a gente ouve e lê que o tal do rádio digital vem por aí… Mas, pelo andar da carruagem não será em 2008 que saberemos o nome do padrão escolhido e quando finalmente a nova tecnologia será implantada no Brasil.

Estamos quase fechando o ano e o Ministério das Comunicações não recebeu ainda o relatório final do grupo coordenado pela Anatel, composto por técnicos da própria agência, da ABERT e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, sobre qual o sistema de rádio digital que melhor se adapta ao mercado brasileiro de radiodifusão. Isso indica que a decisão só vai ocorrer em 2009.

Três padrões estão na disputa: o IBOC (In Band on Chanel), desenvolvido nos Estados Unidos e os europeus DRM (Digital Radio Mondiale) e DAB (Digital Audio Broadcasting). O primeiro deles, o IBOC, tem a preferência dos radiodifusores, porque é híbrido, funcionando na mesma banda e freqüência do analógico, isto é, sem a necessidade de outra freqüência.

O grande atraso verificado na escolha do padrão deve-se ao governo ou aos empresários de radiodifusão? Ou às duas partes envolvidas no processo? Sabemos que, politicamente, interessava ao presidente da República lançar antes a TV digital.

Os empresários do setor, principalmente aqueles concessionários só de emissoras de FM, nunca demonstraram pressa, porque além de custar caro, a implantação do rádio digital vai beneficiar mais as emissoras de AM.

A transmissão das emissoras de AM e FM terá uma melhora considerável, mas o grande salto de qualidade será dado pela Amplitude Modulada: comparável ao som de agora da Freqüência Modulada. O que será muito bom porque muitas rádios AM estão na UTI. Comodismo e falta de criatividade aliados a som ruim e pouca penetração são as causas. Nas grandes cidades, em função de prédios altos e da parafernália de antenas e torres de celulares, a recepção se torna pior.

Estima-se que o custo médio que cada emissora terá que investir para se adaptar ao digital é da ordem de 100 mil dólares, mais ou menos 230 mil reais. A previsão é de que os primeiros aparelhos receptores sejam vendidos por 200 reais e o adaptador para os receptores, de analógico para digital, custe entre 50 e 70 reais, informações que só serão confirmadas quando o rádio digital chegar pra valer. Remember o preço anunciado do conversor (set-top box) para os aparelhos de TV. Era pra custar 200 reais, mas no lançamento da TV digital variava entre 800 a 1.500 reais e agora está entre 300 a 1.000 reais.

A posição assumida pela Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV, ABERT em favor do IBOC não dá a certeza de que o Minicom também aprove esse padrão americano, podendo nosso país adotar dois sistemas de rádio digital. Existem controvérsias, o que é lamentável, depois de muita espera.

Os professores engenheiros Gunnar Bedicks e Fujio Yamada, da Mackenzie, realizaram recentemente testes de desempenho do IBOC. O professor Fujio Yamada responde a algumas perguntas nossas sobre o trabalho realizado:

:: Caros Ouvintes – Por que os senhores só realizaram testes com o IBOC?
:: Fujio Yamada – Porque fomos solicitados para fazer os testes só do IBOC.

:: Caros Ouvintes – E os testes do IBOC convenceram aos senhores?
:: Fujio Yamada – No acordo com a ABERT, nós prometemos não emitir “Juízo de Valor” sobre os resultados antes da análise do Ministério das Comunicações.

:: Caros Ouvintes – O IBOC é híbrido e pode ser instalado na mesma banda e freqüência.  Qual outro padrão tem as mesmas características?
:: Fujio Yamada – Em princípio o DRM também pode. Precisa fazer o teste de desempenho.

:: Caros Ouvintes – Definido o padrão, quanto tempo levará para o rádio digital ser uma realidade entre nós?
:: Fujio Yamada – Depende do Modelo de Negócio a ser definido.

:: Caros Ouvintes – Quantas  rádios já adotaram o rádio digital na Europa e nos Estados Unidos?
:: Fujio Yamada – Não temos uma informação precisa. (*)

Como vemos, está mais para rádio digital a prazo… Pena, pois “o locutor que vos fala”, que vive na casa dos 70 anos, 55 deles atuando no setor de comunicação, ainda tem esperança de vir a trabalhar numa emissora digital. Coisa de gente que ama o rádio de paixão, e como! Que Deus me ajude a chegar lá.

(*) Último levantamento disponibilizado na internet informa que nos Estados Unidos mais de 1.800 rádios já adotaram o padrão IBOC.

TV digital total no Brasil em cinco anos

O ministro Hélio Costa, das Comunicações, disse, em Curitiba (22/10), acreditar que todo o Brasil estará coberto com sinal para televisão digital dentro de cinco anos. Exatamente a metade do tempo inicialmente previsto para que o sistema analógico seja desligado. Ele assegurou que o conversor digital da TV já custa 199 reais. Depois da capital paranaense, nos próximos dias, a TV digital deve chegar a Porto Alegre e Florianópolis. Ministro Hélio Costa: e o nosso rádio digital quando chega?

Rádio dá de 10 na TV
Alguns profissionais (sic) da TV precisam urgentemente de um manual de boa conduta para regê-los em casos de cobertura como a do trágico acontecimento de Santo André. O que se viu foi um festival de sensacionalismo barato e cruel, ao vivo e em cores em busca de audiência. O rádio deu de 10 na TV, registrando com seriedade os fatos que duraram mais de uma semana e que culminaram com a morte de uma garota de 15 anos.

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