Rádio enfrenta o grande desafio de sobreviver

Publicado em: 19/04/2008

Serviços como o YouTube e equipamentos como o iPod fazem com que a radiodifusão pareça obsoleta.
Por Ethevaldo Siqueira*

  O otimismo e a confiança demonstrados pelo presidente da Associação Norte-Americana de Radiodifusores (NAB, na sigla em inglês), David Rehr, ao falar na sessão inaugural do NAB Show mostram com a maior franqueza e transparência os riscos e os desafios que as emissoras de rádio enfrentam hoje, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.
Para o rádio, o maior desses desafios é, sem dúvida, sua própria sobrevivência a médio e longo prazo, diante de tantas mudanças tecnológicas e dos modelos de negócios. A internet e seus novos produtos – como o YouTube, os blogs e os incontáveis podcasts – competem diretamente com o rádio e televisão. Mas o prejuízo maior parece ser do rádio.
David Rehr confessa estar intrigado com o YouTube. Em sua opinião, o pior efeito desse site de vídeos inusitados é criar a falsa idéia de que a radiodifusão – entendida como rádio e TV abertos ou em broadcasting, como dizem os especialistas – está obsoleta. “Fico, no entanto, encantado diante do YouTube – diz Rehr – porque ele é engraçado, imbatível e grátis. Onde encontrar outra coisa com essas três qualidades?” Outra preocupação dos especialistas citada pelo presidente da NAB é o fato de as novas gerações quase não ouvirem rádio e verem pouca TV.
Esses milhões de jovens não se tornarão ouvintes senão esporádicos do rádio ou telespectadores eventuais da TV. “Sim, o radio e a TV abertos estão enfrentando uma concorrência vital com o YouTube, a internet, o celular e os iPods. Nosso modelo de radiodifusão não funciona mais como no passado e não está sabendo dar as respostas certas a esses novos meios” – lamenta Rehr.
O tema da suposta obsolescência do rádio e da TV abertos vem sendo debatido por muitos outros especialistas neste NAB Show 2008. O impacto da internet e das novas tecnologias em geral parece-lhes devastador.
Novo mundo
Eles se perguntam se a própria palavra radiodifusão (broadcasting) está obsoleta, desgastada e sem sentido. O que parece claro a todos é que o mundo mudou. Os consumidores e ouvintes dispõem de um número muito maior de opções. E a força desses novos produtos e tecnologias é, sem dúvida, imensa, a ponto de desorientar as emissoras, grandes, médias ou pequenas. A maioria de seus dirigentes parece pouco otimista quanto ao futuro.
Num esforço para reerguer o ânimo desses profissionais e empresários, David Rehr, diz que eles não devem abater-se diante de cada desafio que surge a cada novo dia. “Não busquem o caminho do cinismo. Temos que ver não apenas as portas que se fecham, mas, principalmente, as que se abrem.
Aliás, a grande porte que se abre é a porta digital. Muito além da tecnologia, a melhor resposta está no conteúdo de qualidade.”
Rehr sugere que o rádio e a TV abertos têm que buscar com urgência novos caminhos. Têm que estar na internet, sim, pois é aí que estão todos os demais meios de comunicação. A superação dos desafios não se limita, contudo, a esses buscar novos caminhos de conteúdo e qualidade. Exige, também, a busca de novos modelos de negócios, de novas formas de gerar receitas e de novos estilos de publicidade.
*Ethevaldo Siqueira, escreve no O Estado de S. Paulo.


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