Rádio: profissão, devoção, realização ou jeito de viver?

Publicado em: 30/09/2004

As datas maiores do rádio no Brasil estão centralizadas na penúltima semana do mês de setembro. Aqui, um pouco desse lado da história, incluindo entrevista em áudio com Hugo Silveira Lopes, presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina.
Da redação.Na semana de 19 ao dia 25, passaram algumas datas muito especiais para o mundo do rádio, dos radialistas e dos seus apaixonados. Passaram silenciosas, discretas e quase despercebidas. Primeiro foi o Dia do Radialista, depois o Dia do Radiodifusor e finalmente o Dia da Radiodifusão. Para quem ama o rádio como nós, na verdade todos os dias deveriam ser do radialista, do radiodifusor, da radiodifusão e do ouvinte, não é mesmo? Lamentavelmente, as coisas não são bem assim.

O Dia do Radialista passou a ser comemorado após a assinatura do Decreto-Lei Nº 7.984 de 21 de setembro de 1945, assinado pelo então presidente Getulio Vargas que fixou os níveis mínimos de remuneração dos que trabalham em empresas de radiodifusão e dá outras providências. Pois parece que esse “dá outras providências” foi entendido como sendo o dia da alforria da classe e que, portanto, esse era o dia do radialista. O Dia do Radialista passou a existir de fato, mas não de direito.

Reconhecendo essa falha de interpretação o Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina, em 2003 encaminhou correspondência ao deputado César Souza sugerindo a oficialização da data de 21 de setembro como o Dia do Radialista em Santa Catarina, já que no país a data existe de fato mas não de direito. A Assembléia Legislativa do Estado votou e aprovou a criação da data e o projeto de Lei foi sancionado pelo governador Luiz Henrique da Silveira em dezembro de 2003.

Como o Dia do Radialista, parece que o Dia do Radiodifusor também começou como uma prática, mas não chegou a ser oficializado. Pelo menos, não conseguimos dados junto a ACAERT – Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e televisão  e tampouco no site da ABERT – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão.

O Dia da Radiodifusão foi criado em homenagem ao médico, antropólogo, poeta e professor, Edgard Roquette-Pinto que foi, antes de tudo, um apaixonado pelo rádio. Dedicou a vida ao estudo da radiodifusão, tanto em seus aspectos técnicos quanto no que dizia respeito à programação. Carioca, nascido a 25 de setembro de 1884, ele foi criado numa fazenda em Minas Gerais até completar dez anos de idade, quando retornou ao Rio de Janeiro com os pais. Aos 21, formou-se em Medicina e, em 1912, trocou as cirurgias por excursões ao Mato Grosso ao lado do sertanista Cândido Rondon. Viajava pelo simples prazer de desvendar a cultura do interior do Brasil.

Sua vida deu uma guinada radical em 1922, quando se comemorava o Centenário da Independência do Brasil. A antiga capital federal recebeu naquele ano a visita de empresários americanos que pretendiam demonstrar os avanços da radiodifusão, a nova coqueluche nos EUA. Roquette-Pinto deslumbrou-se. Para demonstrar como funcionava o veículo de comunicação, os americanos instalaram uma antena transmissora no pico do morro do Corcovado, onde hoje se encontra a estátua do Cristo Redentor. Após alguns meses, Roquette-Pinto tentou convencer o governo federal a comprar toda a aparelhagem trazida pelos americanos. Não conseguiu. Quem a adquiriu foi a Academia Brasileira de Ciências. Surgiu, então, a primeira emissora do País, a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro, fundada em 1923 e comandada por Roquette-Pinto. A emissora passou a funcionar regularmente no dia sete de setembro de 1923, com o prefixo PRAA.

Mas, o interesse de Roquette-Pinto pelo rádio começou bem antes e se estendeu até sua morte em 18 de outubro de 1954. Vera Regina Roquette-Pinto, sua filha, lembra: “segundo suas próprias palavras em palestra pronunciada no Dia do Radioamador de 1944, foi em 1912, a bordo de um velho navio do Loide, o Ladário, que o levava para o Mato Grosso (…) que Roquette-Pinto travou conhecimento com o rádio, através de um transmissor de centelha”. Depois aprendeu o código Morse usado na telegrafia e acompanhou Rondon em suas pesquisas sobre o Brasil.

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