RADIOTEATRO: A VINGANÇA DO CURANDEIRO

Publicado em: 07/11/2006

É dia 7 de junho de 1966, uma segunda-feira. No horário das 21 horas o ouvinte da Rádio Diário da Manhã sintoniza “Alma Sertaneja”. A cada programa é transmitida uma peça completa. Naquela noite vai ao ar “A Vingança do Curandeiro”, assinada por Aldo Silva, também ator e diretor de radioteatro da RDM. Neide Mariarrosa faz o papel de Lucinha e Aldo Silva de Mané Pedro.
Por Ricardo Medeiros

O personagem Zé do Rancho é interpretado por Félix Kleis e o Zé Curandeiro é encarnado por Gustavo Neves Filho. O patrocinador do radioteatro é Leonardo Sell, fabricante do guaraná Pureza.
O Mané Pedro é um agricultor, conhecido por ter boa saúde e ser trabalhador. Quer enriquecer depressa. As plantas do agricultor crescem que dá gosto.   Um dia alguém ousa roubar melancias na roça de Mané Pedro. Para que isso não volte mais a acontecer, ele prepara várias armadilhas para castigar o larápio. Ouvindo gritos vindos pelos lados da sua plantação, corre com a espingarda em punho. No entanto só se depara com uma trilha de sangue.   Chegando em casa, ele conta pra esposa Lucinha que encontrou “uma sangueira que dá medo na alma”. Diz também que se souber da identidade do ladrão é capaz de acabar com a vida do intruso.
Mané Pedro começa a desconfiar de que o ladrão é o filho do Zé Curandeiro, o Zezinho. Ele sabe que o menino está de cama, pois pelo que contam, o garoto caiu numa grota. Desconfiado vai visitar o Zé Curandeiro, apesar dos apelos da mulher para que ele não faça isso. Lucinha lembra que o Zé Curandeiro já a salvou com um remédio caseiro.  Mané Pedro não dá atenção à conversa da esposa. Diz que se Lucinha ficar doente ele a leva pra cidade, onde já tem médico: “Nóis nunca que vai precisar daquele caboclo”, salienta.
Na casa do Zé, Mané Pedro pergunta porque que ele não salva o próprio filho, uma vez que possui a fama de ser o maior curandeiro da região. Zé lembra que o caso do Zezinho é complicado, que o filho precisa é de um medico, pois o garoto fraturou alguma coisa.
Chove há vários dias. Zezinho não apresenta melhoras. Desesperado Zé Curandeiro quer levar o filho ao médico, em Tijucas. Para tanto procura Mané Pedro, a única pessoa do local que tem uma carreta capaz de atravessar o lugarejo inundado pelo riacho. Mané Pedro se nega a prestar este serviço:  “Pra despois dele curado vir roubar na minha roça? Nunca!”
Dias depois, mesmo que Mané Pedro queira ajudar a salvar o Zezinho, não há mais tempo. “Despois de muito sofrimento, o caboclo morreu nos braços do seu véio pai”.
No mesmo ano, quando o Mané começa a colher as suas plantas, Lucinha fica doente. O agricultor vai atrás do doutor, que para o seu azar está em viagem. Mesmo assim consegue um remédio com o farmacêutico. “O Mané tinha fé no remédio do famaceuti. Mas sua fé não adiantou nada, não. A Lucinha tava pronta para entregar sua alma pro criador.”
Sem mais o que saber fazer, e aconselhado pelo amigo Zé do Rancho, Mané Pedro vai ao encontro de Zé Curandeiro. “Nunca pensei, Mané Pedro, que você tivesse tanto amor por Lucinha. Vim inté aqui no meu rancho implorar mor di salvá sua mulher, deve de ter custado muito”, diz Zé Curandeiro. Como Zé Curandeiro está muito ressentido, Mané Pedro oferece a ele tudo que juntou até agora. A proposta não surte efeito e ele tenta um outro acordo. “Zé Curandeiro, vamos fazer um trato: a minha vida pela vida da minha Lucinha.” O negócio é fechado.
Depois de Lucinha estar melhor, graças à intervenção de Zé Curandeiro, Mané Pedro segue para a casa de quem salvou a vida de sua esposa, para cumprir a parte dele do acordo. Zé Curandeiro diz a Mané que o perdoa, que ele não precisa se matar: “Vai simbora Mané. E se puder, viva feliz com a sua consciência”.


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