RC 17 – Ad Libitum e Erros Humanos

Publicado em: 12/06/2006

Amigos ouvintes/leitores, vamos a mais um rádio criativo número ímpar, que por tese anterior  limita a liberdade de falar bobagens. Então, entre as coisas mais ou menos sérias que temos a dizer, vamos defender o uso de certas sinapses também no rádio.
Por José Predebon

Claro, fazer rádio exige o funcionamento do cérebro, além das cordas vocais. Só que existe uma região sináptica que vem sendo desativada, o que acontece no rádio também, que é a região do improviso.
Na busca da segurança, que é uma fixação do homem moderno temente da incerteza (que lhe cerca com o advento da complexidade), passa-se a não só fazer “seguro estendido” de tudo, mas também a lançar mão de todos os recursos que por qualquer razão forneçam mais segurança para qualquer atividade.
Chegamos ao script, amigos. Ele é ferramenta absolutamente necessária, ninguém pode negar. Mas existe vida inteligente fora do texto feito com antecedência, é o que defendemos. Precisamos manter viva nossa competência para articular pensamentos e dizê-los sem precisar ler o texto. E isso acontece (ou acontecia) quando se colocam aquelas palavras latinas “ad libitum”.
Não pesquisei, mas creio que o ad libitum ficou tão esquecido que deve existir profissionais jovens que nem sabem o que isso significa. Pois, amigos/leitores, isso é uma perda enorme.
Perde o locutor que só consegue ler, perde o ouvinte que deixa de sentir a vivacidade da comunicação espontânea, perde o veículo rádio que abandona um de seus charmes, a qualidade de estabelecer uma ponte de comunicação mais humana.
Confirmando, é só lembrar como os comunicadores que conversam com os ouvintes, à vontade, obtêm altos índices de audiência. Isso acontece porque pessoas gostam mais de ouvir pessoas falando de improviso, até com alguns erros, do que ouvir pessoas lendo textos impecáveis.
Amigos do rádio, especialmente os produtores, vamos usar mais o ad libitum. Ergamos um brinde: viva o improviso, viva a possibilidade do erro humano!


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