RC 18 – Vende-se um microfone

Publicado em: 19/06/2006

Ouvintes leitores, hoje é dia de rádio criativo número par, dia de chutar a canela do nosso guardião lógico que fica castrando as bobagens que pensamos. Entonces, arriba, vou contar a vocês o caso nada lógico do meu amigo Benê, que desistiu de fazer rádio jornalismo de um jeito diferente – anunciando a venda do seu microfone.
Por José Predebon

Foi mais ou menos assim: Benê anunciava pelo rádio que ia vender seu microfone original, único no país, e quem estivesse interessado receberia um texto descrevendo a peça. Ele veio me pedir para dar uma ajeitada no texto, pois não era redator. Depois de pronto, vejam como ficou:
“Vendo microfone sem fio especial para entrevistar sem vergonhas. Apelidado pelos usuários de mico-fone, ele capta as palavras e os silêncios do entrevistado, mas o faz usando um censor que localiza afirmações cínicas, mentirosas ou exageradas demais.
Ao captar a inverdade escrachada, o microfone aciona um sinal sonoro, que se inicia com um pigarro de quem conserta a garganta, avisando que o entrevistado deve retratar-se imediatamente, pois em seguida, quando isso não acontece, ele passa para as vaias crescentes que cobrem a voz do entrevistado.
Para os casos em que a entrevista deve ser feita também de maneira cínica, com perguntas de sem vergonha para sem vergonha, o microfone tem um botão verde para ser apertado pelo entrevistador, que transforma o mico-fone em um macro-fâ muito puxa-saco, que só falta bater palmas.
O mico-fone está em ótimo estado, apesar de ter trabalhado em várias campanhas políticas, o que revela sua resistência.
Preço a combinar, que pode incluir um seguro de vida para repórteres ousados.”
Não me perguntem porque Benê queria vender seu mico-fone, mas desconfio que era um caso de saturação – o repórter andava tão enojado, que qiando ia trabalhar provocava uma microfonia incontrolável, pois seu mico-fone era sensível demais.
Esse era o caso que eu tinha para vocês hoje. Despeço-me com este comentário: Ah, como a profissão de radialista tem meandros e segredos! Apesar de tudo, amigos, viva o rádio!


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