RC 19 – A Teoria dos Sete Conhecidos

Publicado em: 27/06/2006

Leitores e ouvintes, eis um assunto que é sério, e portanto adequado a um rádio criativo número par como o de hoje, e que também toca o coração, porque diz respeito ao relacionamento humano. Falo da teoria de que, através de sete conhecidos, chegamos a qualquer pessoa do universo. Teoria cuja prática cabe perfeitamente no nosso querido rádio, como vou mostrar aqui.
Por José Predebon

Vamos explicar partindo dos exemplos. Tomemos três personalidades mundiais, distantes de nosso dia-a-dia, como o Papa, o cacique X de uma tribo aborígine da Oceania e, finalmente, o treinador Y, de um time de futebol da terceira divisão do Uzbequistão.
O papa é o caso mais fácil, acredite. Não precisamos conhecer pessoalmente o Lula, que esteve com Sua Santidade recentemente, mas certamente conheceremos o prefeito de nossa cidade, que esteve muitas vezes com o governador de nosso estado, que por sua vez já bateu papo com o presidente em Brasília. Viram que neste exemplo nem precisamos usar os sete conhecidos, bastaram três, o prefeito, o governador e o presidente.
Vamos ao cacique, que vive quase pelado comendo cocos lá naquela ilha do pacífico. Claro, ele já teve contato com brancos, no mínimo, se sua tribo é isolada, com aquele missionário que um dia esteve lá e não foi comido. Ora, o missionário foi ordenado por um bispo, que por sua vez esteve com o seu superior, talvez um arcebispo, que por sua vez, obviamente, já esteve em Roma e conheceu o Papa. De sua Santidade a você, como vimos no exemplo anterior, existe apenas três degraus, dos sete delimitados pela teoria. Some o missionário, o bispo, o arcebispo e o próprio Papa, e ficaremos confirmando a teoria dos sete.
E o treinador do Cáucaso? Pois bem, agora vamos dissertar com hipóteses, porém muito plausíveis. Um dia, certamente, um de seus jogadores acabou sendo descoberto e foi jogar num time grande, e lá ele foi seduzido pela esposa do presidente do clube que, como bom e rico cartola, esteve mais de uma vez batendo papo com o presidente da Rússia, que já esteve com o Bush, que, por sua vez, com a ajuda de intérpretes, bate um bom papo com o Lula. Nem precisa fazer as contas, caro leitor, pois como este é um caso fictício, poderemos de qualquer forma chegar aos sete, sem maior dificuldade.
Bom, agora vamos fazer a ligação com o rádio. Já existem programas em que as pessoas mandam recados, e muitas vezes estes buscam contacto com alguém que ficou sem o endereço de um parente, e assim por diante. Esses programas serviriam, então, é o que afirmo para vocês refletires, a nos colocar em contacto com qualquer pessoa do mundo, usando apenas sete pessoas.
E para testar esta última hipótese, eu vou usar esta coluna para tentar entrar em contacto com dois grandes amigos dos quais perdi o endereço. O primeiro é Renato Mello, oriundo do Recife e valoroso homem de teatro, televisão e rádio. O outro é Roberto Pinheiro, publicitário que trabalhou em São Paulo e Curitiba, e agora sei lá onde está. Se algum leitor quiser ser minha ponte de reencontro, prometo que em coluna posterior agradecerei com os detalhes do caso. O leitor pode, se quiser, também colocar esse meu pedido em um programa de rádio que queira entrar no jogo.
Bom, amigos leitores e ouvintes, era o que eu tinha por hoje. Despeço-me com aquele chavão simplório mas sincero – Desculpem qualquer coisa, viu?
o reencontro entre dois seres que as circunstâncias separaram. E eis o rádio em mais uma de suas funções humanas, a de possibilitar que mães encontrem filhos, apaixonados localizem amores que abandonaram no meio de algum desentendimento.


{moscomment}

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *