RC 20 – Férias, a parte boa do trabalho

Publicado em: 02/07/2006

Hoje é dia de bobagens mas acontece que preciso do espaço para uma despedida meio sem graça. Adeus, amados leitores ouvintes, adeus gente que me atura e que por isso merece meu agradecimento comovido, gente da qual eu irei me separar por uns bons tempos só para cumprir a Lei, pois a Consolidação das Leis do Trabalho determina que o trabalhador deve gozar férias. Dura Lex, paciência, adeus paixões.
Por José Predebon

Ah, estão perguntando o que farei nas férias? Respondo que vou viajar, ah, como é maravilhoso viajar. Para onde, vocês querem mesmo saber? Devo revelar meu destino, só para receber as cartas dos fãs? Não sei, não, e se em vez de carta aparecer lá alguém não convidado? Vamos fazer uma coisa, matem as saudades enviando suas mensagens para Caros Ouvintes, e eu as receberei, se o número delas não for exagerado. Neste caso, ficarão empilhadas carinhosamente, esperando eu voltar.
Bem, atendendo a súplicas do Severo e outros amigos, vou dar uma idéia do meu destino, descrevendo a vocês as seis alternativas que povoaram minhas noites de insônia, toureando a cruel dúvida da escolha. Poderei ter optado por qualquer uma das seis, e vocês acertarão em no mínimo um sexto das vezes.
Meu primeiro plano, em ordem desalfabética, foi de ir passar algumas semanas com os Xavantes, lá na divisa de Goiás com Mato Grosso. Além de pescar e ser picado pelos mosquitos, seria para mim uma visita às raízes, eu que tenho antepassados nativos. Seria também uma fuga ao relógio e outros compromissos civilizados. E um cancelamento do mal-estar por viver dentro da violência, respirando as emanações da corrupção que agora nos caem de cima.
Meu segundo plano, agora em ordem de custo mais baixo, seria engajar-me como tripulante em um cargueiro que fosse para o Japão. Tenho certeza de que no correr da viagem aprenderia a viver normalmente de cabeça para baixo, o que deve ser divertido. Voltaria de lá comendo de palitinho e fazendo mesuras atrás de mesuras. Também voltaria sabendo sorrir e dizer não, com toda a gentileza.
Meu terceiro plano, este é sedutor, seria ir para Oshkosh, no Canadá, assistir a mais badalada feira de aviação do mundo. É um local para aficionados e fanáticos por aviação, onde eu aprenderia as últimas técnicas para enfrentar overbooks.
O quarto plano, desculpem, é meio fresco, pois ligado à música clássica. Duas semanas em Viena, assistindo concertos à noite e de dia comendo lingüiça branca com chope. Assim eu contentaria minhas duas metades, uma sutil e outra nem tanto.
O quinto? Unaitede esteites, claro, mas passando ao largo da Disney, para não encontrar alguns brasileiros do tipo socialaite. Levaria isto sim, uma justa contribuição para o pessoal de Las Vegas pagar a conta de luz, que deve ser a mais alta do mundo.
E, finalmente, pela ordem que deixa os excêntricos por último, em sexto lugar eu faria o “tour do fast food”, um tipo de penitência para escoimar o pecado da gula, que me fez gordinho. Sei que engordaria, mas também sei que ficaria vacinado para nunca mais entrar num Mc Donalds.


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1 responder
  1. Dalmácio Jordão says:

    Olá Predebon! Que bom saber de você. Pesquisando alguma coisa sobre o Radio e o Repórter Esso, descobri vc aqui. Fiquei feliz em ler seu artigo sobre seus projetos de férias. Um abraço,

    Dalmácio Jordão

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