Realidades de nossa profissão

Publicado em: 02/12/2007

Se não tivesse sido radialista e jornalista – muito mais radialista, em verdade vos digo… – poderia ter sido jogador de futebol (fui um goleiro sofrível lá nos 15/16 anos, no Grêmio Araranguaense, reserva do Nedo (Enedir Perraro, hoje empresário em Criciúma) (…)
Por Aderbal Machado

(…) e aprendiz do Nilson Mattos Pereira (já falecido no Araranguá, como professor estadual), goleiro da Seleção Catarinense, reserva de Gainete), poderia ter seguido a carreira militar (no Exército queriam que eu engajasse, condição para ser mandado ao QG em Curitiba onde, dizia o Sub-Tenente Dinarte Domingues, eu faria, fácil, fácil, uma rápida carreira, chegando como cabo, que já era, e sendo sargento poucos meses depois e daí em diante seria “só alegria”), poderia ser funcionário aposentado da Carbonífera Próspera ou poderia ser funcionário público aposentado de Criciúma.
Ou poderia, como já disse, um feliz dono de rádio em Criciúma ou Araranguá, como Adelor Lessa e Aires Medeiros, meus ex-companheiros. Nada disso. Sou aposentado do INSS por tempo de contribuição (36,1 anos contínuos) e continua na lida, por absoluta inapetência para interromper a atuação. Feliz, porém, pois continuo sendo desejado por várias emissoras para fazer jornalismo.
Inclusive por TVs. Não dá é pra coincidir salários com desejos. Exceções à parte, as rádios pagam muito mal, como as televisões e os jornais. Jornalista, disse uma ocasião Sebastião Neri, é “mendigo de luxo”; anda de carro do patrão, freqüenta ambientes luxuosos por conta da emissora ou jornal, entra em palácios com o privilégio da profissão. Fora dela, porém, vira um desconhecido e um desprezado.
Não há ilusão: o Aderbal ou o Zeca ou o João, radialistas ou jornalistas de proa, com força de programas ou de colunas ou de editorias, são temidos, respeitados, desejados, queridos, paparicados. Deixam de ser, de repente. Já eram. Não há ilusões. Quem se ilude é bobo.
O jeito – e os acadêmicos precisam aprender – é ter uma certa autonomia financeira e profissional. Ter seu órgão próprio, manter um site profissional, montar uma assessoria (mas tem de ser bom e trabalhar direito, se não vai à grota) e trabalhar em rádios, jornais ou tvs mas fazendo com que o patrão saiba que não precisa daquilo. Essa é a melhor moeda de troca – não ser pressionado pela necessidade.
Dizia um amigo meu: nunca venda algo mostrando agonia em vender por necessidade. Vão aviltar seu valor. Pedro Milanez, velho amigo já falecido, dizia: “Só venda quando querem comprar; e só compre quando querem vender. Assim, quem dita o custo é você”. É isto.
 


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