Redes de Rádio, um bom negócio. Pra quem?

Publicado em: 09/03/2009

CBN, programação 100% jornalismo, lidera Rede de emissoras de FM e AM, enquanto a Bandnews, a segunda em tempo total de notícias, emite sua programação só em emissoras de FM.

A CBN, Central Brasileira de Notícias, está presente em 11 capitais e em cinco cidades brasileiras através de 10 estações de FM e nove estações de AM. Suas emissoras próprias são seis – São Paulo (AM e FM), Rio de Janeiro (AM e FM), Brasília e Belo Horizonte, ambas FM.

Além das capitais citadas, nas quais tem emissoras próprias, a CBN conta com estações afiliadas nas capitais do Paraná, Curitiba (FM); de Mato Grosso, Cuiabá (AM); de Santa Catarina, Florianópolis (AM); de Paraíba, João Pessoa (AM); de Pernambuco, Recife (FM); de Bahia, Salvador (AM); e de Espírito Santo, Vitória (FM) e nas cidades de Cascavel (AM), Londrina (AM e FM), Maringá (FM) e Ponta Grossa (AM), no Paraná, Estado que fornece o maior número de emissoras para a CBN: cinco e em Campinas, São Paulo.

O maior marketing de rádio dos últimos anos

O maior marketing de rádio dos últimos anos

O número de afiliadas que formam essa Rede ainda é relativamente pequeno, considerando-se que a CBN, que iniciou suas atividades em 1991, e é o maior marketing de rádio nos últimos anos. Em função do número de Estados e cidades importantes da federação, o total ideal seria a Rede CBN ter umas 50 rádios afiliadas.

Por exemplo, estranha-se a falta de afiliadas dela no importante Estado do Rio Grande do Sul, onde uma estação de Porto Alegre, do grupo RBS, era afiliada da CBN até bem pouco tempo e deixou a Rede, não se sabe por que razão.

Bandnews é a outra Rede de jornalismo que tenta se consolidar só com emissoras que transmitem em frequência modulada. Presente em sete capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre – e em Campinas, cidade do interior de São Paulo. Dessas emissoras, algumas são do próprio grupo Bandeirantes. O formato de programação da Bandnews é bem diferente do praticado pela CBN, que apresenta programas de duas ou mais horas nas 24 horas, com apresentadores exclusivos.

Exceção feita ao horário de seu jornal da manhã, na Bandnews o restante dos horários é dividido em lotes de 1.200 minutos cada um, com o slogan “em 20 minutos, tudo pode mudar.” Nas duas Redes, com predominância para a CBN, há uma variedade de notáveis “colunistas”

Heródoto Barbeiro comanda o Jornal da CBN

Heródoto Barbeiro comanda o Jornal da CBN

A Rede Eldorado, capitaneada pela Eldorado AM – a terceira a entrar no ar – tem cinco afiliadas, todas de AM.  Estão situadas em Curitiba, Maringá, Florianópolis e em duas cidades do interior paulista: São José dos Campos e Cajuru. A Rádio Bandeirantes disponibiliza alguns programas jornalísticos via satélite para emissoras de todo o país, formando Rede em horários específicos.

A Jovem Pan 1 e a Jovem Pan 2 FM comandam em Rede nacional a transmissão do tradicional Jornal da Manhã, pelo sistema Jovem Pan Sat, reunindo 53 emissoras Brasil afora. A programação musical e de entretenimento da Jovem Pan 2 também é retransmitida por várias emissoras do país.

A Transamérica é Rede de rádio com três formatos diferentes de programação (Pop, Hits e Light). A Pop, além de música para o público jovem, tem programas e transmissões esportivas.

A Globo AM, com programação tocada por comunicadores e focada na prestação de serviços, alavanca também uma Rede nacional. Hoje, a Rádio Globo Brasil conta com três emissoras próprias – Rio, São Paulo e Belo Horizonte – e anuncia 29 afiliadas, espalhadas pelas cinco regiões do país.

Antena 1 (20 emissoras de FM), Band FM (36 emissoras de FM), MIX (21 emissoras de FM) e Nova Brasil (cinco estações  FM e AM) são Redes de rádio musical.

No quesito radiojornalismo, comercialmente só a Rede CBN tem se dado bem, muito bem. O mercado ainda aguarda a consolidação das Redes Bandnews e Eldorado. A Bandnews já comemora bom retorno comercial.

As grifes das Redes de jornalismo, ou não, substituem os nomes originais das emissoras afiliadas, como no caso da Clube Paranaense, tradicional rádio de Curitiba, cuja identidade desapareceu por completo em favor da logomarca da “cabeça de Rede”, a Eldorado, o que determinou bastante discussão nos últimos tempos na Capital paranaense.

Lá, foram registrados protestos de ouvintes, de dirigentes de sindicatos dos radialistas e dos jornalistas e de profissionais da mídia. Os ouvintes protestaram pela perda de referências radiofônicas importantes que acompanharam algumas gerações da população; os sindicalistas temiam o desemprego de muita gente (isso realmente ocorreu) e os profissionais da mídia lamentaram a descaracterização dessa grande rádio que se tornou simples retransmissora, sem ter mais representatividade na sua comunidade.

Nem as Redes de TV usam esse expediente arrasante que elimina a personalidade das afiliadas. E não se tem notícia de nenhuma posição do Ministério das Comunicações nem sobre qualquer iniciativa por parte dos legisladores a respeito desse formato de Redes permanentes de rádio, o qual contraria as normas de outorga de concessões de canais de radiodifusão. Hoje, as rádios afiliadas de Redes não informam os seus prefixos, coisa que antigamente era obrigatório de meia em meia hora.

O Minicom e o Congresso Nacional precisam acordar medidas que regulem a formação de Redes de rádio. O assunto requer estudos no sentido de se criarem normas que preservem: a identidade de emissoras que se tornem afiliadas permanentes; o número mínimo de funcionários de cada rádio (poderia ser pela potência) e a divulgação da arte, cultura e educação regionais.

Afinal, aqueles que se julgam “donos” das rádios têm que ter sempre em mente que são apenas concessionários de radiodifusão, cujos canais têm permissão de funcionamento renovável de 10 em 10 anos e, como tal, estão sujeitos a regulamentos e penalidades.

Não sou contrário à formação de Redes de rádio – especialmente aquelas que optaram por uma programação 100% jornalística – mas os espaços regionais devem ser respeitados. Deveriam ser 50% por cento da programação para a geradora, e os outros 50% para a afiliada, o que forçaria as emissoras coligadas a manter um quadro médio de funcionários. O noticiário local e o dia-a-dia da cidade-sede das emissoras afiliadas não seriam prejudicados.

A propósito dessas Redes especializadas em jornalismo, ainda não ouvimos em nenhuma delas, em programa específico, a reunião ao vivo de informantes das principais rádios afiliadas. Quero dizer, elas ainda não fazem um programa em que apareça o sotaque de vários Estados brasileiros nos quais as Redes têm suas afiliadas. Como também, fora de épocas de eleições, não fazem nenhum debate sobre os graves problemas que afligem a Nação com a participação direta de representantes das afiliadas. Isso, além de atualidade informativa, com certeza colocaria em destaque essas emissoras que hoje cumprem simplesmente um papel secundário neste novo modelo de rádio.

Formato de Rede de radiojornalismo de sucesso nos EUA, que poderá surgir brevemente entre nós, é aquele que de hora em hora forma cadeia nacional para a geração de um compacto de 10 minutos enfocando as principias notícias do país e do mundo. As afiliadas ficam responsáveis somente pela transmissão exclusiva das notícias locais, encerrando o noticiário do horário. Esse formato, sempre que há um fato novo e importante, convoca suas rádios afiliadas para uma edição extraordinária, possibilitando assim que cada uma das emissoras integrantes da Rede tenha 90% de sua programação voltada para a comunidade na qual tem sede.

FINAL, DOIS PONTOS:

1. Verdade é que a Rede CBN, em que pesem as ressalvas aqui expostas, nessas quase duas décadas de funcionamento tem elevado o nível do jornalismo no rádio brasileiro e

2. Fortaleceu o veículo com programação de conteúdo e revigorou sua área comercial, abrindo caminho para outras Redes seguidoras do gênero.

Ah, faço meu o verso de Erasmo Carlos e Narinha (Mulher) para exaltar a mulher brasileira, cada vez mais internacional…

Dizem que a mulher
É o sexo frágil
Mas que mentira
Absurda!
Eu que faço parte
Da rotina de uma delas
Sei que a força
Está com elas…

(postar aqui DIA INTERNACIONAL DA MULHER www.youtube.com/watch?v=…Lr1ga338)

8 respostas
  1. Janine Farezin says:

    Ao contrário do que afirma o texto acima, a CBN 1340 opera sim em Porto Alegre, é afiliada ao Sistema Globo de Rádio, transmitindo via satélite 24 horas de jornalismo, trazendo a cobertura dos principais fatos e locais do país e do Exterior. Pertence ao Grupo RBS.

  2. J.Pimentel says:

    As redes Jovem Pan 2, CBN e Band News, especialmenete,deram um alento ao rádio em muitas cidades do país onde o meio havia chegado ao fundo do poço. Em alguns casos, como em Salvador, na Bahia, não adiantou muito a CBN já que é retransmitida por uma rádio de baixa cobertura, som ruim e a equipe local é fraca. Já a Band News e a Nova Brasil conseguiram algum destaque por estas bandas, mas a local “Metrópole”, domina o segmento. Creio que as Redes são mais beneficas que prejudiciais e que alguns casos precisam ser reavaliados, como a B2 de Curitiba que, se tivesse direção competente, poderia ser cabeça de rede, com uma excelente programação. A CBN, por exempo, investiu durante anos, até que passou a obter retorno. Na BEDOIS optaram pelo caminho mais fácil. Algumas coisas, realmente precisam ser corrigidas,no entanto, mas é quase impossivel manter a identidade local com uma programação de marca forte, via satélite. A maior presença da programação local, com seu sotaque regional, mas com boa qualidade já tem sido uma marca da CBN em algumas afiliadas. Falta a interatividade.As redes, geralmente, são vias de mão única, onde a geradora pode tudo e a afiliada muito pouco.Quanto à sua sugestão de redes noticiosas de hora em hora, temos uma experiência interessante,em SP, a RÁDIO DOIS, do Hélvio Mencarini. É um formato interessante. Já a pioneira em programação via satélite, AMERICAN SAT, não sai do lugar.Sem geradora em SP, é desconhecida nos grandes centros, o que dificulta sua comercialização.

  3. Ross says:

    Amigo Antunes:
    Para sua informação,pois já é de seu conhecimento,faltou citar a Rádio CBN Vale do Itajai (82O), á unica no interior de nosso estado, na cidade de Blumenau. Uma emissora da RFC-Rede Fronteira de Comunicação. Abs.
    Carlos Alberto Ross – Diretor

  4. J.B.Telles says:

    Meu caro Jair,
    Interessante a tuaavaliação e pertinente a tua preocupação, mas é preciso lembrar que o sucesso de cada ponta da rede depende dela própria. Em Florianópolis, por exemplo, a CBN/Diário (antiga Diário da Manhã,lembras?) é um sucesso. Tem uma generosa fatia de programação local com noticiários, debates e muito esporte. Mérito, evidente, da direção da emissora que não usou a entrada na rede para desempregar profissionais. Ao contrário, é a maior empregadora do Estado. Agora, tem emissoras que não merecem o nome da rede. Tenho ouvido algumas “Globos” e “Bandeirantes” que deixariam corados os saudosos Irineu Marinho e João Saad.

  5. Jair Brito says:

    Esclarecendo e complementando

    Para conhecimento de Janine Farezin, do departamento de Marketing da CBN/Florianópolis, e de Carlos Alberto Ross, diretor da CBN Vale do Itajaí, as informacões sobre o número de estações da Rede CBN e suas localizações, citadas nesta coluna, foram retiradas do site da própria CBN (conferidas mais uma vez hoje, 9/3/2009).
    Janine me enviou um mapa da CBN, atualizado em 23/10/2007, no qual constam 31 estações de FM e AM em 28 praças. Presença em 18 capitais, além das citadas: Goiânia-GO (AM), Natal-RN (AM), Fortaleza-CE (AM), Maceió-AL (FM),Teresina-PI (AM), Manaus-AM (FM) e Porto Alegre-RS (AM) e em 10 cidades brasileiras, além das citadas: Ribeirão Preto-SP (FM), Mogi Mirim-SP (AM), Litoral-SP (FM), Blumenau-SC (AM) e Paranaguá-PR (AM). A CBN tem o maior número (6) de afiliadas no Estado do Paraná.Total de emissoras de FM: 14. Total de emissoras de AM 17.
    Considerando-se a relação de emissoras constantes no mapa citado, a Rede CBN cobre 17 Estados mais o Distrito Federal, faltando para atingir todo o país: Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima, Rondônia, Sergipe e Tocantins.
    Com esta minha exposição, espero ter reparado os erros involuntários apontados pelos caros Ross e Janine. Acreditem, “este locutor que vos fala”, em se tratando de rádio, pelo qual é apaixonado, quer sempre o melhor.
    Obrigado aos colegas radialistas J.Pimentel e J.B.Telles pelas oportunas observações feitas à nossa coluna.

  6. Carlos A says:

    Pois, Jair, não acredito que redes de rádio seja a solução para um país continental, como o nosso. Temos as singularidades regionais. Acredito sim, que certos programas, como os noticiários, possam ser transmitidos em rede, antes ou depois de um bom e completo \noticiário local\, temos aí a Hora do Brasil. Eu, que moro no Kobrassol, quero saber das novidades do \meu\ bairro, e não, o que a polícia fez ou deixou de fazer no Morro do Alemão, LÁ no Rio de Janeiro! Temos no Kobrassol, uma rádio comunitária, que precisa de nova programação. Concluindo, redes de rádio me soam como o tilintar de caça-níqueis, e eu frustrado, por saber que o ‘locutor da hora’ está a milhares de quilômetros de ‘minha’ realidade!

  7. Ricardo Medeiros says:

    Caro Jair, li atentamente os comentarios postados. Você conseguiu provocar uma boa e salutar discussão sobre as redes.
    Concordo que uma das fragilidades das redes é não de fazer , ao vivo, debates englobando jornalistas de diversas regiões do país.
    Com relação ao trabalho regional, muitas emissoras, como a CBN Diário e a Guarujá (Ligada à Rede Eldorado), ambas de Florianópolis, atuam de forma exemplar. Além do mais, as emissoras citadas não demitem profissionais. Ao contrário, contratam.

    O momento ainda é de consolidação das redes jornalísticas, apesar da CBN ter surgido em 1991. Pois é, o rádio caminha a passos lentos. Mas que esses passos sejam firmes e profícuos.

  8. Artemilson Amorim says:

    As redes de rádios revolamucionaram a programção jornalistica no Brasil. A redes que tocam notícia deveriam dar mais tempo para as emissoras locais,assim como fazia a própria CBN nos anos 90, que sempre no final do bloco nacional, tinha 10 minutos para a emissora local. Quando elas passam o tempo todo em rede, as noticias tornam-se repetitivas, e isso é chato. Sou um ouvinte assiduo de redes que tocam apenas noticias.
    Agora eu acho um absurdo uma rádio entrar em rede para tocar música. A música a gente encontra em todo lugar, além disso a maioria absoluta dos brasileiros tem um aparelho, em casa, que toca música. E na minha opinião, essa é uma forma de tornar as pessoas alienadas, disprovidas da informação. Essas acabam com o emprego do profissional de rádio. O conggresso nacional deveria criar leis restringindo a criação dessas redes, bem como as emissoras religiosa. Essas também deveriam mudar a sua forma de programação, 50% religiosa e 50% de programçao diversificada. Assim nós manteríamos os empregos e a audiencia dessas emissoras. Esse é um problema para o Congresso Nacional resolver.

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *