Regressão nas comunicações

Publicado em: 19/04/2011

Mauro Fiuza*

Em pleno século XXI, cognominado “da tecnologia”, o homem abandonou definitivamente a comunicação via latinhas ligadas por um fio de barbante (gostosa brincadeira empírica) para o uso do “wireless”. Os cabos assim abandonados já se constituem em peças de museu e o mundo ficou do tamanho de um “microchip” (por enquanto).  Nunca se avançou tanto em termos de comunicação de máquinas, principalmente no que concerne à velocidade das mudanças. Tanto assim é que ao lermos este texto, concomitantemente, estão surgindo produtos e termos inovadores, uma vez que num espaço curtíssimo de tempo, as novas descobertas açambarcam um universo de conquistas.

Isto tudo sob a ótica material dos moderníssimos equipamentos, os quais, por ironia, quase sempre já nascem obsoletos neste cenário traçado. Mas e o ser humano? No que tange ao manuseio das novas tecnologias, segue firme nas ondas das transformações. No entanto, sob o prisma da comunicação interpessoal, não se pode dizer o mesmo e isto já a partir da infância.

A pressa, as cobranças de resultados, o ter rápido e tudo o mais que hoje faz parte do cotidiano de cada pessoa, vai conduzindo o homem a regredir na forma de bem se comunicar,  paradoxo visível.E se as pessoas estão neste processo, por extensão, as entidades, sejam públicas ou privadas, vão apresentando cada vez mais rachaduras na estrutura da comunicação social.

As doenças ditas “invisíveis” acompanham a vida contemporânea, sem escolher idade: estresse, depressão, hipertensão, infarto e outras mais, vão engrossando as estatísticas de invalidez e óbitos.

No globalizado mundo de nossos dias não se pode abrir mão da Internet, do telefone celular, do computador e de tantas outras conquistas. Mas, ao mesmo tempo, urge manter a origem da espécie: o convívio social.

É tempo de estimular o debate e motivar uma reflexão sobre o assunto. Afinal qual o objetivo de tanta correria? É correta a total interação com as máquinas e o distanciamento cada vez maior do relacionamento pessoal? Tudo em prol do lucro e do sucesso profissional? Como conciliar a convivência destes opostos nos dias de hoje? E outras muitas perguntas, para urgentes respostas.
*Economista, professor e jornalista

 

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