Relapsos

Publicado em: 14/12/2011

Já pensei em mandar, neste espaço, uma mensagem cifrada para as autoridades da educação delatando professores que se atribuem, sem o menor pejo, o direito de não trabalhar. Não sou pai de aluno, nunca dei aula no Estado, mas fico sabendo de coisas que, imagino, acabam por dar razão àqueles que querem ver os mestres pelas costas. Antes de continuar, deixo claro que estou do lado da categoria nessa briga pelo piso nacional, por salários decentes, por melhores condições de trabalho, por valorização profissional, pela volta dos tempos em que o magistério era uma carreira digna, a ponto de professor (a) ser um bom partido e exercer liderança nas comunidades, nos bairros, nas pequenas cidades, onde quer que fosse.

Essa turma luta, se esfalfa, abre mão das horas de folga pensando no melhor preparo do conteúdo, mas há uma minoria que põe a perder o pouco prestígio que os professores ainda podem ter. É idêntico ao que acontece com os funcionários públicos, vistos como malandros e ineficientes por culpa dos relapsos que não fazem por merecer o valor que vem no contracheque, no fim de cada mês.

Voltando ao nosso tema, cito o caso da professora que não aparece há semanas na escola, de outra que inventou uma depressão para ficar copiando receitas pela TV, daquele que usa a estabilidade para dar apenas a metade das aulas que lhe cabem. E de um quarto que se acomodou num cargo burocrático e que, como diz o povão, espera que o mundo se acabe num barranco para morrer encostado.

E não poderia esquecer o caso da professora cujo marido trabalha num hospital e providencia atestados de saúde para que ela continue sendo remunerada sem dar o ar da graça, alegando dor na coluna, inflamação na bexiga, enxaquecas extemporâneas, o filho que chora na madrugada, a diarista que também falta mais do que comparece.

Não menos folgados são os professores que, a exemplo dos policiais que sonham com o serviço mole dos gabinetes, anseiam por mesa e cadeira no prédio da Secretaria da Educação. Esses pensam em tudo, menos em como os alunos sairão das escolas, como enfrentarão a vida, como darão o passo rumo à liberdade que só se conquista com o conhecimento.

O assunto daria um livro, mas o que importa é cobrar desses maus pedagogos, que aproveitam as fendas na lei para descuidar de suas tarefas, ou que sacrificam os colegas por caprichos pessoais. Eles desmoralizam uma classe que já ajudou a transformar países atrasados em potências na ciência, na tecnologia e na inovação.

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