Remédios amargos fazem bem ao fígado

Publicado em: 14/09/2013

selo-peco-sua-atencaoOs dias atuais, caracterizados pelos conflitos psicológicos, em face do tumulto que domina o pensamento da sociedade e das ambições de cada indivíduo, exigem profundas reflexões, a fim de que a harmonia permaneça nos sentimentos humanos e na conduta pessoal em relação a si mesmo e aos outros.

As admiráveis conquistas da Psicologia profunda, contribuindo para a solução dos muitos distúrbios que se apresentam perturbadores e convidam à meditação em torno da realidade que se tem, para que sejam superados os condicionamentos em que nos encontramos, de forma a situar-nos com equilíbrio ante os desafios e as injunções, não raro, penosos, que se apresentam em toda parte, nos sugerem decisões inadiáveis.

Atordoados com o volume das atividades com que nos defrontamos, percebemo-nos despreparados de valores que nos facultem uma boa administração das injunções em que nos encontramos. Não sabemos o rumo que devemos seguir. Percebe-se aqui a raiz de muita coisa ruim que conquistamos.

Castrados desde longa data, recusamo-nos a nos submete à autorreflexão que poderia ajudar-nos descobrir nossa realidade essencial. Recusamos por automatismo, receando penetrar em profundidade naquilo que disseram ser proibido: falar com a alma.

Vitimados pelo jogo das paixões sensoriais, anulamos a própria convicção de vida que discernimos. E procuramos não nos deixar vencer pelos desejos obscuros que nos arrastam ao jogo ilusório do prazer desmedido.

Mas, para muitos, é em vão.

Apresentamo-nos incapazes, no entanto, de lutar pela libertação interior, permitimo-nos deixar arrastar mais facilmente pelo tumulto dos jogos da sensualidade, naufragando nas aspirações de enobrecimento de cultura, e beleza, temendo perder a oportunidade que a todos é oferecida de desfrutar as facilidades e permissões morais que constituem a ordem do dia.

A estrutura psicológica do ser humano é trabalhada por mecanismos muito delicados, sofrendo os golpes violentos da ignorância, do prazer brutalizado, dos vícios inveterados. Não suportando a alta carga de tensões que esses impositivos exigem de nós, liberamos conflitos e temores primitivos que estão adormecidos, desequilibrando as emoções, cujos equipamentos sutis geram distonias e depressões.

O desvario do sexo, que se tornou objeto de mercado, transformando homens e mulheres em coisas de fácil aquisição, é também instrumento de projeção social, de conquista econômica, de exaltação do ego, despertando nas mentes imaturas psicologicamente ânsias mal contidas de desejos absurdos, nele centralizando todas as aspirações, por considerá-lo indispensável ao triunfo no círculo em que se movimenta.

Incompletos, por não sabermos integrar nossos conteúdos psicológicos da anima à masculinidade e do animus à feminilidade, que nos levariam à realização da obra-prima que deve constituir meta, deixamo-nos arrastar pelas imposições de um em detrimento do outro, afligindo-nos sem saber por qual motivo.

Procuramos, então, agônicos e insatisfeitos, a recuperação na variedade dos prazeres. Identificamo-nos mais confusos e a um passo do transtorno sempre mais grave, qual ocorre a todo instante no organismo social e nos relacionamentos interpessoais. Assim chegamos ao sexo desmedido, ao álcool contumaz e às outras drogas sequenciais.

Remédios amargos fazem bem ao fígado, mas todo dia estamos repetindo o porre.

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