Revivendo o Dia Nacional do Choro

Publicado em: 30/04/2013

Cláudia Barbosa, repórter

 

Luciana Rabello

No Dia 23 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Choro em homenagem ao nascimento de Pixinguinha, um dos grandes músicos do gênero que nos deixou um acervo com mais de duas mil composições.  As comemorações ocuparam as ruas, bares e praças do país e em Florianópolis não foi diferente:  os chorões se espalharam pela cidade e receberam a visita de um dos nomes mais importantes do choro brasileiro da atualidade: Luciana  Rabelo.

Cavaquinista desde sua juventude, Luciana aos 16 anos já havia gravado disco com outros jovens músicos de choro, entre eles seu irmão Raphael Rabello, violonista de renome mundial (falecido em 1995) e com o também violonista Maurício Carrilho.

Com Maurício, Luciana mantém parceria que se expandiu para a criação da  ACARI Records,  primeira gravadora no Brasil dedicada ao choro e também à criação da Escola Portátil de Música, exclusiva para o ensino do choro e seus fundamentos, pela qual já passaram milhares de músicos nacionais e estrangeiros.

Julião e Luciana

À convite do bandolinista Geraldo Vargas, Luciana estreou em palcos ilhéus acompanhada pelo próprio músico – organizador do evento e batalhador da divulgação do ritmo no estado e da disseminação do choro ilhéu pelo país – e pelo grupo Ginga do Mané, formado pelos músicos Bernardo Sens na flauta, Fabrício Gonçalves no pandeiro, Fernanda da Silveira no cavaquinho, Raphael Galcer, Júlio Córdoba  e Marcelo Portela nos violões e do violão de 7 cordas de  Julião Rabello Pinheiro, filho da cavaquinista com o compositor Paulo César Pinheiro.

A primeira apresentação foi na sexta 19/4, ao meio dia, no jardim do Palácio Cruz e Sousa, no coração da cidade.  A reação do público que passava pelo calçadão da Trajano foi instantânea: as pessoas que transitam diariamente por aquele local, apressadas, indo ou voltando em seu horário de almoço (e que não estão acostumadas à frequentar o Palácio Cruz e Sousa por encontrá-lo normalmente com os portões fechados),  ouviam  a música que vinha do jardim e adentravam curiosas e incrédulas com tamanha beleza da musicalidade e harmonia que invadia o centro da cidade, ocupando o jardim, os bancos e escadas do Palácio.  Luciana dedicou essa apresentação à jovem cavaquinista ilhoa Fernanda da Silveira, que atualmente dedica-se ao choro na Escola Portátil de Música no Rio de Janeiro.

Na mesma sexta, dia 19/4, Luciana se apresentou no Empório Mineiro, Café do Shopping Via Lagoa, onde o choro é praticado semanalmente todas as quintas- feiras às 20h, com Geraldo Vargas e o grupo Ginga do Mané.

No sábado, dia 20/4,  as comemorações se concentraram na região de Santo Antônio de Lisboa, com apresentações ao meio dia na Cantina Sangiovese – restaurante especializado em vinhos e melhor gastronomia do estado, premiado duas vezes pela Revista Veja e um dos apoiadores da turnê da cavaquinista pela Ilha.

À noite foi a vez de descer a rua e apresentar o melhor do choro brasileiro no Coisas de Maria João, café e risotteria também responsável pela melhor programação cultural da cidade.

A pequena turnê encerrou-se no domingo 21/4, na Pousada do Museu, no Ribeirão da Ilha.  A pousada, localizada num dos locais privilegiados da Ilha, também apoiou a vinda de Luciana à Florianópolis e proporcionou um espetáculo comovente, formando um cenário incrível, com céu de brigadeiro e mar de almirante onde a convidada e os músicos comemoravam,  satisfeitos  e embevecidos, o sucesso da pequena turnê.

O choro no Ribeirão começou às 17h, junto com o pôr do sol, e alastrou-se noite adentro, com músicos, plateia e a rainha do choro, juntos em roda, tocando e cantando displicentemente.

E Florianópolis, tão carente de eventos culturais de qualidade, registra em sua história um dos encontros musicais mais belos e importantes da música brasileira.

Ficha técnica do podcast: Papo de Anjo de Radamés Gnatalli, interpretado por Luciana Rabello, cavaquinho; Geraldo Vargas, bandolim; Bernardo Sens, flauta; Julião Pinheiro, violão 7 cordas; Raphael Galcer, violão; Júlio Cordoba, violão e Fabrício Gonçalves, pandeiro. Som: Cláudia (mini-gravadora Sony).

Luciana, Julião, Geraldo e Ginga do Mané: a cidade agradece!

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