Roberto Alves: na garupa das ondas do rádio

Publicado em: 23/07/2010

Mário Pereira

Ele é a cara de Florianópolis. A sua vida confunde-se com a da cidade onde nasceu e construiu uma história singular e toda sua. Ele tem o jeito de ser e de viver da Ilha dita da Magia, um “mané” medular, condição que ostenta com indisfarçável orgulho, como se condecoração fosse. O menino nascido na Maternidade Carlos Corrêa, na Avenida Hercílio Luz, coração da Capital, cresceu soltando pipas e disputando “peladas”, pés descalços, no Campo do Manejo, ou onde encontrasse espaço e parceria para tanto. Enquanto corria atrás da bola, embalava seus sonhos, e o maior de todos era, um dia, se transformar em craque do futebol, daqueles que sacudiam estádios e levavam torcidas ao delírio.

À noite, em casa, grudava-se ao rádio “capelinha”, entronizado na sala e, de olhos abertos, sonhava e galopava pelo mundo na garupa das ondas do rádio, que era a televisão daqueles tempos idos e vividos, quando a vida na pacata cidade escorria devagar e gentil, enquanto mundo rugia lá fora.

O rádio, outra paixão do menino que homem se fez, sempre identificado, entranhadamente, com a terra da sua bem-querença e a sua gente.
Roberto Alves, quem não o conhece ou sabe dele nesta Florianópolis da alma e nesta Santa Catarina do coração?

Afinal, multimídia, ele “invade” nossas casas, todos os dias, seja a bordo da TV, do rádio, ou do jornal. Se não conseguiu concretizar o sonho de ser um craque dos estádios, ele se transformou num verdadeiro “artilheiro” da crônica esportiva, a ela adicionando o melhor tempero da terra catarina.

Sete décadas de amigos, de comunicação, e de sonhos.

Pois aquele menino que, outrora, descalço, corria atrás da bola, ferindo os pés em ínvios gramados cheios de pedras e rosetas, aqui está de corpo inteiro neste “Dás Um Banho” – Roberto Alves, o rádio, o futebol e a cidade.

Paulo Brito, também jornalista, comentarista esportivo de ponta e, de quebra, respeitado professor do Curso de Jornalismo da UFSC, nos apresenta uma biografia _ escrita em estilo direto, de impecável talhe e saborosa fruição _ tão singular quanto singular é o seu biografado,
Uma vida, e muitas lições de vida; uma cidade, e muitas histórias.
Pesquisa da Câmara Brasileiro do Livro revela que as biografias estão em alta nas prateleiras das livrarias, o que pode ser conferido, também, nas listas dos livros mais vendidos no país. Creio ser esta uma resposta do leitor aos modismos estruturalistas, que tentam apagar o homem como sujeito da história.

Disto resulta um tipo de ficção chata e indigesta, que abandonou o enredo e a fabulação e deu as costas para a arte da narrativa, a arte de contar uma boa história com começo, meio e fim. Biografias e autobiografias, cuja essência é a narrativa, estão ocupando este espaço cada vez mais negligenciado.

Há outra razão para tanto, Repito o que escrevi certa feita: “A biografia atende a uma necessidade do leitor, que busca relações e exemplos em outras vidas. Cada vida é única na soma das suas experiências. Daí o encanto do gênero, que recupera uma vida na sua unicidade, garimpando os pormenores que fazem com que um homem ou uma mulher sejam diferentes de todos os outros, embora imersos na mesma humanidade e envolvidos no mesmo drama da Salvação”.

Eis aqui, de saborosa e gratificante leitura, a biografia do nosso Roberto Alves dedilhada com talento e arte por Paulo Brito, que também resgata capítulos importantes da história da cidade, do esporte e das comunicações.

Mário Pereira
Jornalista e Escritor
Membro da Academia Catarinense de Letras

Prefácio do livro Dás um banho – Roberto Alves: o rádio, o futbol e a cidade, de Paulo Brito será lançado segunda-feira, 26/7, às 19h30min na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em edição da Insular.

1 responder
  1. José Eli francisco says:

    Parabéns Roberto Alves . Parece que foi ontem que atravessamos a ponte Hercilio Luz no meu Simca Chambord e junto con Ney Botto Guimarães viajamos a Criciuma para transmitir Comercial x América pelo campeonato catarinense .
    Com certo temor você disse : ” É com essa coisa toda chaqualhando que vamos a Criciuma ….” . Mesmo assim você foi . A viagem levou 12 horas . A década era 60 .
    Abraços .

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *