Sábado, 22 de novembro!

Publicado em: 23/11/2008

Os telejornais de ontem (22/11), não sei se todos, omitiram um fato jornalístico que me foi muito importante, há exatamente 45 anos! E que me fez nacionalmente conhecido por haver sido o primeiro locutor no Brasil a noticiá-lo: a morte de John Kennedy! Por Odemar Costa.

Naquela sexta-feira, 22 de novembro de 1963, Odemar Costa, locutor catarinense que deixara Itajaí, onde, além de repórter, era o mais jovem vereador do país, eleito em 62 com apenas 20 anos e que se transferira da Difusora Itajaí para a Rádio Bandeirantes de São Paulo, há apenas seis dias, viu uma estrela brilhar em seu caminho.

Passando, casualmente, pela porta da Bandeirantes, naquela tarde, na rua Paula Souza, zona da 25 de março, fui informado por Vicente, o porteiro da emissora de que Kennedy fora baleado em sua visita a Dallas, Texas. Imediatamente subi ao quinto andar,onde funcionava o departamento de Jornalismo e Moacir Fernandes, seu sub chefe, que acabara de noticiar o atentado, disse-me: Que bom que apareceu alguém! Estou sozinho. Não há nenhum locutor na casa, agora, e preciso que você me ajude, pois meu negócio é redigir, não ler notícias.

Assim, ele e eu nos revezávamos para ler as notícias que chegavam pelos teletipos, (máquinas que na época exibiam as notícias que eram  enviadas pelas agências internacionais aos jornais e emissoras que assinavam essa prestação de serviço). E logo, os locutores famosos foram aparecendo para marcar presença naquela cobertura que despertava grande interesse.

E o chefe Alexandre Kadunc logo chegou e foi categórico! Em time que está ganhando não se mexe. Quero apenas o Moacir e o catarina Odemar Costa nessa cobertura. (imaginem a ciumeira! Um novato apoderando-se da rapadura!). Resolvi usar minha habilidade em sintonizar emissoras em ondas curtas para me antecipar aos teletipos. E de repente, ouço uma voz dizendo: The President Kennedy is dead!  Era Dan Rader,famoso anos mais tarde pelo programa 60 Minutes, na CBS. Imediatamente, repeti em português pela Bandeirantes: O Presidente Kennedy está morto!.

Assim, fui o primeiro a noticiar o fato no Brasil! Naquela tarde, a Rádio Bandeirantes tinha audiência nacional, pois as emissoras do Rio estavam fora do ar, devido à greve. Nessa tarde, a Bandeirantes teve mais audiência que a Difusora São Paulo, que sempre se destacava na cobertura de acontecimentos bombásticos. E por haver me mostrado eficiente nessa área de notícias, eu que fora contratado por Fiori Gigliotti para integrar o Departamento Esportivo, daí pra frente, fui escalado para apresentar a edição matinal do Nosso Corespondente famoso noticiário da Bandeirantes , e  justo a edição de maior audiência por ser levada ao ar durante o programa “OTrabuco, programa de Vicente Leporace, líder nacional de audiência.

Hoje, quando cruzo no Brooklin, a rua Vicente Leporacce, emociono-me. Ninguém difundiu nacionalmente o meu nome como esse jornalista famoso.
Ao abrir uma pausa para que eu lesse o Nosso Correspondente,  todos os dias, Leporacce gastava alguns segundos pra fazer um oba-oba a meu respeito. Num dia mencionava que eu era de Urussanga; No outro, ciatava que eu era o mais jovem vereador do Brasil. em Itajaí, SC. (Sim, eu conciliava o exercício do mandato com meu emprego na Bandeirantes.

Eu ganhava bem e podia, uma vez por mes , tomar um avião e viajar para reassumir meu mandato na Câmara de Itajaí. Para que tenham uma idéia,
saibam que eu ganhava 30.000 na Difusora Itajaí, e que fora contratado pela Bandeirantes por 150.000!) Num outro dia Leporacce se referia ao
Odemar como sendo o Gilmar dos pobres (Gilmar era o goleiro do Santos de Pelé e Odemar, o goleiro do Scratch do Rádio, o time de futebol da Bandeirantes, que participava de jogos beneficentes no interior de São Paulo.

E a nós, do time da Bandeirantes cabia a tarefa de autografar as cadernetas escolares de todas as moçoilas e adolescentes que compareciam aos estádios para ver os locutores famosos jogarem.

Valeu 23 de novembro de 1963! Naquela tarde, nenhum outro radialista desse país brilhou mais que Odemar Costa. (Eu, por gostar de política acompanhara todos os debates da campanha Kennedy/Nixon, em 1960 e conhecia minúcias dessa campanha, relatadas pelo jornalista norte americano Theodore White, em seu livro “Como se faz um Presidente da República”. E, por haver sido chefe de rádio jornalismo na Difusora Itajaí, sabia detalhadamente tudo o que sucedera com os foguetes russos em Cuba e o bloqueio aéreo naval da ilha autorizado por Kennedy, assim como a fracassada tentativa de invasão de Cuba por mercenários na Baía dos Porcos. E enquanto novas notícias não chegavam, eu enfeitava
o pavão, esbanjando o nhecimento que tinha da administração Kennedy.

Hoje, depois de 45 anos, sinto-me envaidecido por minha atuação na cobertura desse fato marcante da história contemporanea, a morte de John Fitzgerald Kennedy e por haver sido, no Brasil o primeiro a noticiá-la.

Como radialista, isso foi o ápice de minha carreira e ontem (22/11) lembrei que precisava dizer isso a voces. Um grande abraço. Odemar Costa. www.odemarcosta.com www.portuguesebrazilvoiceover e www.crivelari.com.br/odemar

1 responder
  1. José Eli Francisco says:

    Caro Oldemar Costa . Lembro-me bem de sua potente voz na narração da morte de Kennedy . Esta data também não posso esquecer porque foi na manhã em que dei baixa no exercito(22.11.1963). Ao chegar à Rádio Colon , emissora para a qual trabalhava em Joinville ouvi a sua importante notícia . Imediatamente fui ao microfone para dara a informação . Naqueles tempos gravavamos muito os noticiosos não só da Bandeirantes , como também da Guaíba , Globo e Nacional . Mas eu tinha uma preferência por você , principalmente por ser catarinense e de seu orgulho de quando podia afirmar que era natural de Itajai e mandar alôs para seus amigos da terra . Na sabia no entanto , que tinha sido eleito vereador . Lembro-me do Leporace com o seu “Trabuco” anuncia-lo todos os dias às nove horas :”aí vem o barriga-verde de Itajai com a últimas notícias”. Eu gostava de ouvir isso . Mais tarde , trabalhei em Joinville , na Rádio Cultura com Jairo de Barros com quem aoresentei os chamados jornais falado . Ele que foi um dos apresentadores do Nosso Corresponte ” o canto do uyrapuru exige silêncio” – se lembra . Essa era a abertura do Nosso Correspondente . Passei a imita-lo e durante 25 anos , pela Rádio Cultura , apresentei um noticiário com o mesmo nome . Tive a honra de ser dirigido pelo Jair de Brito que está completando 50 anos de vida profissional . Ano que vem – dia 03 de março – será a vez do meu cinquentenário. Eu não sabia no entanto que você tinha sido vereador em Itajai com 20 anos de idade . Puxa !!!! Olha , temos um orgulho muito grande de você . Não vejop a hora de conhece-lo pessoalmente . José Eli Francisco .

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